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Quinta-feira, 15 de Outubro 2026
Dinheiro guardado traz tranquilidade. Investido, ele trabalha por você
Coluna da APOEF

Dinheiro guardado traz tranquilidade. Investido, ele trabalha por você

Quando o imprevisto chega e você paga com o que guardou, a preocupação dá lugar à sensação de que você estava preparado

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Dinheiro guardado não é só um número na tela. É a tranquilidade de saber que, se o carro quebrar ou a conta vier mais alta, você tem como resolver sem recorrer ao cartão de crédito e ao rotativo.

Se o seu mês costuma terminar antes do dinheiro, o ponto de partida é conseguir separar uma pequena reserva todos os meses. Pode começar com R$ 50 ou R$ 100. Com R$ 50 por mês, em um ano você tem R$ 600. Com R$ 100, são R$ 1.200. Esse valor é para emergência de verdade: um conserto, um remédio, uma conta inesperada.

Pense em quem guarda R$ 100 por mês e, no oitavo mês, o pneu fura. Com R$ 800 na reserva, o problema custa uma tarde. Sem ela, o mesmo pneu vira parcela com juros no cartão, e o dinheiro das próximas contas já nasce comprometido. Guardar pouco parece não valer a pena, mas o que se constrói é a rotina: quem consegue separar R$ 50 num mês apertado descobre que consegue, e isso vale mais que o valor.

O valor importa menos que o hábito. Você começa com R$ 100 e, com o tempo, passa a guardar mais, conforme a sua renda permitir. O compromisso com você mesmo vem primeiro: separe o dinheiro no dia em que ele entra, antes de gastar, em vez de esperar o fim do mês para ver se sobrou. Quem espera sobrar costuma descobrir que não sobra. Se R$ 100 pesar, comece com R$ 30. O que conta é não pular o mês.

Também ajuda dar um destino claro para esse dinheiro. Ele não é para a viagem nem para o celular novo: é a reserva para o imprevisto. Quando o imprevisto chega e você paga com o que guardou, a sensação é outra. Em vez de preocupação, você sente que estava preparado, e isso costuma animar a guardar mais no mês seguinte.

Com o hábito rodando, vem o segundo passo: fazer esse dinheiro render. Na conta corrente ele se mistura com os gastos do dia a dia e perde valor com a inflação. O melhor é um lugar seguro, que renda e permita o resgate quando você precisar. Procure três características: ser pós-fixado, ou seja, render acompanhando a taxa Selic; ter liquidez diária, com resgate em até um dia útil; e ter proteção.

A proteção mais conhecida é a do FGC, o Fundo Garantidor de Crédito. Ele cobre até R$ 250 mil por CPF em cada instituição financeira, com teto global de R$ 1 milhão por CPF a cada quatro anos.

Investir não exige corretora sofisticada nem conhecimento avançado: dá para fazer tudo pelo celular, em poucos minutos. Três lugares atendem a esses critérios.

O primeiro é o CDB com liquidez diária que pague ao menos 100% do CDI, uma taxa que anda colada na Selic. Você empresta ao banco, ele devolve com juros, e vale a proteção do FGC.

O segundo é o Tesouro Selic, título do governo federal. Quem garante é o próprio Tesouro, e não o FGC, e o resgate também sai em até um dia útil.

O terceiro são os cofrinhos e as caixinhas dos bancos digitais, que costumam aplicar em renda fixa. Confira onde o dinheiro fica aplicado e se há cobertura do FGC.

Lembre-se de que reserva de emergência pede segurança e acesso rápido, e não a maior rentabilidade possível. Por isso, no começo, fuja de CDB prefixado e Tesouro IPCA de prazo longo: se precisar do dinheiro antes do vencimento, você pode ter que vendê-lo por menos do que pagou, a chamada marcação a mercado.

Sobre impostos: o IOF só cobra nos primeiros 30 dias, podendo levar até 96% do lucro no primeiro dia, e zera depois disso. O Imposto de Renda incide só sobre o lucro, e quanto mais tempo o dinheiro fica aplicado, menor a alíquota: 22,5% até 180 dias, 20% de 181 a 360, 17,5% de 361 a 720 e 15% acima disso. O desconto é feito na hora do resgate, sem boleto para pagar.

Comece este mês, com o valor que couber. Programe a transferência para o dia em que o dinheiro entra e deixe aplicado por pelo menos 30 dias: depois disso, o IOF deixa de existir para você.

*Gabriel Martins é mentor, consultor e organizador financeiro, especialista em investimentos e finanças corporativas, com certificação CPA. Atua com planejamento patrimonial, consultoria de investimentos e organização financeira. É criador do canal e blog Gabriel Mineiro Investidor, associado da APOEF e representante do estado de Minas Gerais. Instagram: @gabrielmineiroinvestidor | @apoefoficial

FONTE/CRÉDITOS: Gabriel Martins
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Gerada com IA

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