A gente fala muito de sorte.
Como se fosse ela que determinasse quem avança e quem fica.
Como se tudo dependesse de um encontro improvável, de uma porta que se abre no momento certo.
Com o tempo, percebi que não é bem assim.
A sorte aparece, sim, mas quase nunca sozinha.
Ela costuma chegar depois de algum gesto concreto.
Um passo dado.
Uma conversa iniciada.
Uma tentativa imperfeita.
O movimento muda o cenário.
Ele desloca o que parecia fixo.
Ele aproxima pessoas, ideias, oportunidades que ficariam invisíveis se continuássemos no mesmo lugar.
Não é sobre acertar sempre.
É sobre não estagnar.
É sobre criar as condições para que algo aconteça.
Mesmo pequeno. Mesmo discreto.
A sorte pode até cruzar o caminho.
Mas é o movimento que cria o caminho onde nada existia.
E é nele que a vida, aos poucos, aprende a avançar.
Folha de Florianópolis
Comentários: