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Sábado, 03 de Outubro 2026
Eleições 2026: por que a alimentação e o clima devem entrar no debate político
Estudo & Pesquisa

Eleições 2026: por que a alimentação e o clima devem entrar no debate político

Fatores como publicidade de ultraprocessados e incentivo à agricultura alimentar devem impactar decisão dos eleitores

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No dia 4 de outubro acontece o primeiro turno das eleições de 2026 para presidente, governadores, deputados e senadores. Para as candidaturas, os políticos devem encaminhar seus planos de governo e, principalmente, os candidatos à Presidência e ao governo dos Estados podem participar de sabatinas e debates eleitorais. Tanto nos planos de governo quanto nas campanhas os candidatos explicam as causas e pautas a que pretendem se dedicar em seus possíveis anos de mandato, como educação e segurança.

Entre as pautas fundamentais estão a crise climática e a saúde dos brasileiros. O sistema agroalimentar é responsável por três quartos das emissões de gases de efeito estufa no Brasil. Além disso, a oferta e o consumo de ultraprocessados vêm aumentando, com sérias implicações para a saúde da população. Esses fatores impactam diretamente a escolha dos eleitores sobre em quem irão depositar seu voto.

Segundo Ana Maria Maya, nutricionista e especialista do Programa de Alimentação Saudável e Sustentável do Instituto de Defesa de Consumidores (Idec), parceiro Cátedra da Josué de Castro de Sistemas Alimentares Saudáveis e Sustentáveis da Faculdade de Saúde Pública da USP, a pauta  ambiental e da sustentabilidade esteve ao longo da história distante do modo de vida e de consumo da sociedade urbana principalmente. “Hoje sabemos que não é bem assim. A forma como nossa sociedade produz, distribui, consome e descarta alimentos tem impactos diretos sobre o clima. Nosso planeta pede cuidado e as pessoas que vivem nele também.”

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Essa mudança na maneira pela qual a população, ou seja, os eleitores, observam as pautas mudou, ao passo que existe o “aumento do consumo de ultraprocessados, a persistência da fome e da desnutrição entre grupos historicamente vulnerabilizados e o crescimento de doenças relacionadas à alimentação, como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares. Ao mesmo tempo, temos um sistema agroalimentar que gera desmatamento, perda da biodiversidade, uso intensivo de agrotóxicos e contribui para a crise climática”, conforme a pesquisadora.

“Que sistema alimentar queremos para o Brasil?”

Ana Maria defende que através de políticas públicas eficazes o Brasil consegue transformar a estrutura do seu sistema alimentar. Porém, mesmo com uma boa política pública, é necessário um conjunto para enfrentar as diferentes formas, por exemplo, da má nutrição. “Precisamos de políticas que, de um lado, reduzam a presença e o consumo de ultraprocessados e, de outro, ampliem o acesso a alimentos adequados e saudáveis.”

Avançar na rotulagem dos ultraprocessados e na regulação do marketing abusivo deve combinar com o fortalecimento da agricultura familiar, conforme a nutricionista. “E, principalmente, fazer esses alimentos chegarem a preços acessíveis a todos os territórios, especialmente os mais vulnerabilizados. Não basta dizer às pessoas o que comer, até porque muitas vezes elas já sabem. O que precisamos é garantir o acesso para que elas possam, de fato, comer bem.”

Diferentes caminhos

Existem hoje diferentes projetos de lei que contribuem para um sistema alimentar mais seguro e sustentável, como a restrição do marketing de ultraprocessados e a proteção das crianças contra a oferta desses produtos. “Mais do que criar novas leis, precisamos eleger parlamentares comprometidos com a saúde das pessoas e do planeta e fazer avançar uma agenda que já está colocada.”

Ana Maria explicou que um estudo do Idec e outros parceiros mostrou que, em 2022, a cadeia da soja recebeu cerca de R$ 57 bilhões em renúncias fiscais federais, o dobro da desoneração estimada para os produtos da cesta básica. Para ela, os resultados mostram que o Estado precisa rever quais são suas prioridades, para onde são destinados os incentivos públicos.

“No fundo, é decidir que sistema alimentar queremos financiar com dinheiro público. Falar de alimentação sustentável é falar de saúde, meio ambiente, justiça e do direito de todas as pessoas a uma alimentação adequada hoje e no futuro”, finaliza.

FONTE/CRÉDITOS: Jornal da USP
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Professora defende a criação  políticas públicas eficazes o Brasil consegue transformar a estrutura do seu sistema alimentar – Foto: Freepik

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