Seu Portal de Notícias

Aguarde, carregando...

Segunda-feira, 23 de Março 2026
Em audiência, CDH recebe a sugestão de um 'Estatuto dos Cães e Gatos'

Senado
78 Acessos

Em audiência, CDH recebe a sugestão de um 'Estatuto dos Cães e Gatos'

Projeto de lei que cria o chamado Estatuto dos Cães e Gatos (SUG 10/2025)

IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

A realidade dos animais domésticos abandonados, sem vacinação e sem controle de procriação no Brasil foi o foco da audiência pública promovida pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) nesta segunda-feira (25). O debate aconteceu a pedido do senador Paulo Paim (PT-RS). Ele defende a criação de um estatuto que traga clareza quanto a direitos dos animais domésticos e deveres dos tutores e do Estado brasileiro.

A presidente da startup social de proteção animal Arcanimal, Carine Zanotto, fez a entrega simbólica ao senador da sugestão de projeto de lei que cria o chamado Estatuto dos Cães e Gatos (SUG 10/2025). Esse texto foi protocolado no Senado na sexta-feira (22) e deve começar a ser analisado pela CDH, na forma de um projeto de lei sob relatoria de Paim.

— Recebo o documento com satisfação. Já falei com a presidente da CDH [a senadora Damares Alves (Republicanos-DF)], ela se comprometeu em me indicar como relator e farei de tudo para colaborar com a causa. Vamos pegar a proposta, debater um caráter nacional e, de preferência, também nos estados, para que as pessoas possam opinar e nos ajudar a aperfeiçoar o texto — adiantou Paim.

Publicidade

Leia Também:

Desorganização

De acordo com Paim, há no país cerca de 62 milhões de cães e quase 31 milhões de gatos, dos quais, aproximadamente 35% vivem nas ruas ou em abrigos. O parlamentar também mencionou uma estimativa de que o Brasil tem a terceira maior população de animais de estimação do mundo, atrás apenas da China e dos Estados Unidos. Ao considerar a causa animal uma questão de humanidade e de saúde pública, Paim disse que a percepção sobre o tema ficou mais aguçada após a tragédia climática vivenciada pelo Rio Grande do Sul em 2024.

— Vimos ali a desorganização total por parte do poder público na causa animal. Ninguém era responsável pelos animais, desde o resgate, o acolhimento e a alimentação. O Estado brasileiro, em especial os estados e os municípios, não assumem responsabilidade sobre eles — disse o senador.

Ao defender a análise rápida da criação do estatuto pelo Congresso Nacional, Carine Zanotto ressaltou que, assim como os humanos, "os bichinhos também sentem medo, amam e têm fome". Segundo a ativista, a causa animal pede socorro, já que diversos problemas resultam de cães e gatos acorrentados, procriando sem controle e entregues à própria sorte.

— Nossa ideia é que esse “Estatuto de Cães e Gatos” esclareça pontos como direitos dos animais e deveres de tutores e do Estado. Tenho certeza: Se cada um assumir a sua responsabilidade, a gente consegue fazer alguma coisa.

Direitos fundamentais

Rosângela Gebara, da ONG Instituto de Medicina Veterinária do Coletivo, considerou a sugestão legislativa um "texto completo". Ela adiantou que o documento contém pontos sobre direitos fundamentais dos cães e gatos, a descrição de proibições e crimes, bem como uma definição quanto a multas e indenizações. Para a convidada, um dos itens mais interessantes do futuro estatuto é a promoção de campanhas regulares de educação e conscientização das pessoas. Entre os principais pontos da sugestão legislativa destacados pela ativista estão:

  • Proibição de animais em correntes
  • Vetos à reprodução e venda clandestina de filhotes
  • Princípios norteadores da universalidade da proteção animal
  • Participação comunitária
  • Cidadania animal
  • Prevenção de maus tratos

Outro ativista, o vereador de Canoas (RS) Cristiano Ferreira Moraes (PV) ressaltou que a nova lei faria "toda a diferença", por ajudar a tornar claros os direitos dos animais e os deveres de seus tutores. Ele observou que a sugestão entregue à CDH foi elaborada de forma coletiva, unindo ciência, sociedades protetoras e políticos.

— Estamos saindo de um país onde os animais eram vistos como coisas, no Código Civil, para um Brasil que reconhece o direito, dignidade e cidadania animal. Que nenhum deles seja nunca abandonado, deixado para trás — disse Moraes.

Representante do Conselho Federal de Medicina Veterinária, Ingrid Bueno Atayde defendeu políticas públicas específicas para o tratamento dos pets, observando que o bem-estar único entre homens e animais é essencial para o equilíbrio de toda a sociedade. Para a especialista, é fundamental o Brasil construir uma regulação em saúde animal que inclua também as famílias tutoras.

Ingrid ressaltou o alto número de animais em situação de carência atualmente no país, com altas taxas de natalidade, fome e doenças. Para ela, a proteção animal a ser prevista no futuro estatuto deve incluir medidas como a educação e informação de toda a população, a disponibilização de alimentos e a responsabilização, tanto dos moradores locais quanto dos governos.

—  Termos lugares adequados, atenção e cuidado com o resgate desses animais são o básico, e é a partir daí que a gente deve começar a pensar. As campanhas de esterilização devem trazer consigo a garantia a um tratamento digno, com anestésico e medicamentos, bem como um pós-operatório com cuidados. Essa discussão amadureceu nos últimos anos, mas precisamos aprofundar a orientação até mesmo quanto à adoção desses animais. São muitas camadas a se observar.

Governo federal

A diretora de Proteção, Defesa e Direitos Animais junto ao Ministério do Meio Ambiente (MMA), Vanessa Negrini, celebrou a iniciativa de criação do estatuto, afirmando que o texto contém algumas medidas já em andamento no âmbito do Poder Executivo. Ela ressaltou que a atuação do Congresso Nacional possibilitou, por exemplo, a liberação de cerca de R$ 86 milhões para a política de castração animal em 2025.

Segundo Vanessa Negrini, medidas específicas para a proteção animal no Rio Grande do Sul também foram facilitadas pela ação de senadores e deputados, que ajudaram a desburocratizar a liberação de dinheiro para a recuperação e manejo populacional de cães e gatos após as enchentes que afetaram o estado em 2024. Ela defendeu políticas públicas permanentes, que obriguem o Estado a dar condições de vacinação, castração e combate às zoonoses, por exemplo, independentemente do partido que esteja no governo.

—  É do Estado o dever de cuidar da fauna e proteger os animais, embora o peso maior recaia sobre a sociedade civil. O particular pode, mas o Estado deve. Por isso, precisamos atuar por políticas fortes, consistentes e que fiquem, independentemente de quem esteja no governo e para garantir que os protetores não sejam penalizados no final — afirmou a representante do Executivo.

Caráter social

Paim destacou o caráter social da audiência pública da CDH e mencionou o alto número de participações de internautas de todo o país por meio do canal e-Cidadania, do Senado.

Rafaella C. F. M., do Rio de Janeiro, ponderou que a comissão está debatendo um marco civilizatório e pediu que sociedade e poder público reconheçam os animais não como “coisas, mas como sujeitos de vida”. Gabrielle L. B., do Paraná, ressaltou que quem não sabe manejar animais, não deve tê-los. “Animais exigem responsabilidade dos tutores, independentemente de raças”, escreveu.

Do Piauí, a internauta Clara F. pediu a regulamentação da venda de animais domésticos em petshops, já que “há pássaros, peixes e porquinhos da índia em péssimas condições”, alertou.

A internauta Ana B. B. L., de São Paulo, considerou a pauta importante para a causa animal e ressaltou que o Brasil carece de legislações mais rígidas, “já que toda vida importa”. De Minas Gerais, Adelgicio J. M. D. P., observou que o envenenamento de gatos e cachorros, provocados intencionalmente por vizinhos, também deve ser punido.

Auditores fiscais

Antes da audiência pública, a CDH fez o lançamento da 25ª edição do livro Análise da Seguridade Social 2024, da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil. A obra reúne informações detalhadas sobre o comportamento do tripé que sustenta o sistema: Saúde, Previdência e Assistência Social.

A novidade do lançamento é um texto comemorativo pelos 35 anos do Sistema Único de Saúde (SUS), que ressalta a trajetória, conquistas e desafios do sistema ao longo dessas três décadas. 

FONTE/CRÉDITOS: Agência Senado
Célio Roberto Velho

Publicado por:

Célio Roberto Velho

Administrador, Supervisor e Colunista, do Portal Folha de Florianópolis. Imbitubense mora a mais de 27 anos na capital em Florianópolis.

Saiba Mais

/Dê sua opinião

De onde você acessa o Portal Folha de Florianópolis? (Where do you access the Folha de Florianópolis Portal from?)

Nossas notícias no celular

Receba as notícias do Folha de Florianópolis no seu app favorito de mensagens.

Whatsapp
Entrar
Folha de Florianópolis ( sua empresa aqui)
Aplicativo do Portal Folha de Florianópolis

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
WhatsApp Folha de Florianópolis
Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR