Em entrevista o cientista afirmou que o espaço representa tanto uma fronteira de possibilidades infinitas como um teste à capacidad humana de cooperação. No seu novo papel, Cox promete usar a sua voz para explicar por que razão o espaço é “vitalmente importante e maravilhoso”: não apenas para cientistas, mas para todos os que acreditam num futuro partilhado. O espaço como esforço coletivoCox afirmou que, desde sempre, o espaço é uma área que une as pessoas.
O astrofísico usou a Estação Espacial como “um exemplo perfeito”, onde a colaboração surge por desejo, mas também por imposição, uma vez que “o espaço não pertence a nenhum país em particular”.Segundo o cientista, o setor espacial está em plena expansão. Atualmente avaliado em cerca de US$ 700 bilhões, o valor da economia espacial poderá ultrapassar US$ 2 trilhões até 2035.Para Cox, esta nova era exige cooperação global, regulação comum e ambição partilhada. Ele ressalta que não faz sentido falar de defesa planetária, exploração lunar ou mineração de asteróides de forma isolada, pois “são tarefas que exigem um olhar verdadeiramente mundial.”Tornar a ciência acessível a todosCox afirmou que, no seu novo papel, pretende tornar a ciência e a exploração espacial mais compreensíveis e próximas do público, mas também de líderes políticos e empresariais. O cientista explica que “a ciência é um dos pilares da nossa civilização”, e se as pessoas não compreenderem os benefícios que ela traz, não podem participar no seu fortalecimento, pois “um défice de conhecimento leva a más decisões.”Para além da vertente económica, o astrofísico salientou que a exploração espacial ajuda a humanidade a enfrentar questões fundamentais, como a possibilidade de existir vida fora da Terra.
Quebrar mitos sobre o espaçoCox rejeita a ideia de que investir no espaço é um luxo. Segundo ele, o argumento recorrente de que se deve resolver os problemas do planeta antes de olhar para o espaço inverte a lógica; pois o espaço “já é essencial para enfrentar esses mesmos problemas”.
O professor destacou o papel dos satélites na monitorização climática, na gestão de catástrofes e nas comunicações globais, bem como dos sistemas de navegação por GPS, cruciais para o transporte aéreo e para o comércio internacional.
Cox afirmou que “o espaço já faz parte do nosso quotidiano e o seu impacto só vai aumentar.” NASA | Um satélite, visto do espaço, rastreia a América do Sul Democratizar o acesso à economia espacial O novo Campeão da ONU defendeu que todos os países, incluindo os em desenvolvimento, devem ter voz ativa no futuro da economia espacial. Para Cox, as razões que legitimam a participação de todas as nações no espaço coincidem com as que sustentam a sua integração na economia terrestre; afinal, “o espaço é um domínio sem fronteiras”.Com o avanço de projetos como bases lunares e exploração de asteróides, ele apelou à criação de regras globais inclusivas, garantindo que os benefícios do espaço sejam partilhados de forma justa.
As normas definidas agora, sustenta o astrofísico, moldarão como a humanidade cresce como civilização multiplanetária.Cooperação além das fronteirasPara Cox, o espaço é um espelho da capacidade humana de cooperação. Questões como as alterações climáticas, o controlo de pandemias ou a gestão da inteligência artificial ignoram fronteiras, e “o mesmo se aplica ao espaço”.Segundo ele, “é por isso que precisamos das Nações Unidas”, para lembrar que se olha para o céu, se vê as mesmas estrelas, e “partilhamos o mesmo futuro.”

Folha de Florianópolis