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Quarta-feira, 20 de Maio 2026
A conta moral sempre encontra o endereço

Coluna da Helena
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A conta moral sempre encontra o endereço

Quem sobe usando vitimismo, mentira e destruição alheia pode até comemorar cedo. Mas toda fraude emocional cobra um preço invisível

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Vivemos numa época curiosa. Nunca foi tão fácil inverter papéis, distorcer fatos e transformar conveniência em “verdade emocional”. Basta uma lágrima estratégica, meia dúzia de versões bem ensaiadas e pronto: o vilão vira vítima, o oportunista vira injustiçado e quem tentou agir corretamente ainda sai como culpado da história.

E funciona.

Esse é o detalhe mais revoltante para quem ainda acredita minimamente em coerência: às vezes funciona muito bem.

A pessoa mente para conseguir dinheiro, manipula para obter apoio, destrói reputações para parecer inocente, inventa narrativas para escapar das consequências das próprias escolhas. E por um tempo, parece vencer. Recebe acolhimento, aplauso, vantagem imediata. Afinal, a sociedade moderna tem preguiça de investigar — ela prefere sentir. E sentir pena costuma exigir menos esforço intelectual do que procurar a verdade.

Mas existe algo que muita gente esquece quando escolhe subir puxando o tapete dos outros: a vida não trabalha no ritmo da ansiedade humana.

Ela não cobra imediatamente.

Ela observa.

Acumula.

Registra.

E depois devolve.

Às vezes em parcelas pequenas. Às vezes de uma vez só, como uma avalanche esmagando alguém que jurava estar “por cima”. Porque toda vantagem construída em cima da mentira carrega um defeito estrutural: ela apodrece por dentro.

É como construir um castelo sobre areia movediça. No começo parece firme. Há paredes, aparência, sensação de segurança. E o dono do castelo até debocha de quem avisou sobre o terreno. Até o dia em que o próprio chão decide lembrar a gravidade da realidade.

E a ironia mais bonita disso tudo? Normalmente a cobrança vem justamente daquilo que a pessoa mais valorizava.

Quem manipulou para ganhar dinheiro perde paz.

Quem humilhou para parecer superior perde respeito.

Quem mentiu para ser amado descobre que ninguém ama uma máscara por muito tempo.

Quem destruiu alguém para vencer acaba vivendo cercado da mesma desconfiança que plantou.

Porque o mal nunca termina no ato.

Ele contamina quem pratica.

E não, isso não é “karma místico de internet”, frase motivacional de caneca ou pseudossabedoria de rede social. É apenas consequência humana. Quem vive manipulando passa a enxergar manipulação em todo mundo. Quem trai confiança nunca mais descansa plenamente. Quem vive de personagem acaba esquecendo quem era antes da encenação.

A pior prisão não é jurídica.

É psicológica.

E ela costuma ser construída tijolo por tijolo pelas próprias escolhas.

Enquanto isso, quem foi prejudicado muitas vezes passa pela fase mais amarga: a sensação de injustiça. Porque dói ver pessoas falsas sendo recompensadas temporariamente. Dói perceber que caráter nem sempre vence rápido. Dói entender que a verdade raramente grita tão alto quanto o teatro.

Mas o tempo possui um talento quase cruel:

ele revela padrões.

E uma pessoa que cresce usando mentira, manipulação e vitimismo como ferramenta inevitavelmente tropeça no próprio personagem. Porque sustentar uma fraude exige memória, energia e atuação constante. A verdade, ao contrário, tem a vantagem de não precisar decorar roteiro.

No fim, a vida faz algo quase poético:

ela transforma o método da pessoa na própria punição.

Quem enganou viverá desconfiando.

Quem manipulou viverá cercado de relações superficiais.

Quem feriu os outros para subir descobrirá, tarde demais, que não existe topo confortável para quem destruiu todas as pontes no caminho.

A vida cobra.

Talvez não no tempo que queremos.

Talvez não da forma que imaginamos.

Mas cobra.

E quando chega o vencimento, não adianta parcelar consciência.

FONTE/CRÉDITOS: Autoral
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Conceito visual autoral • Arte desenvolvida com IA
Comentários:
Helena Souza

Publicado por:

Helena Souza

Aqui sou uma colunista que escreve sobre comportamento humano, cotidiano e sociedade a partir de uma leitura crítica e prática da realidade. Observa o mundo sem filtros ideológicos fixos, buscando reflexão antes de opinião.

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