Para além das fronteiras marítimas de Florianópolis, a reta final de setembro e o início de outubro trouxeram novidades do cenário cultural não só nos pontos de convívio da capital catarinense, mas também no universo virtual. É cultura conectada e interligada através da música, das imagens e das palavras, em um movimento que passa por palcos, galerias, salas de cinema, escolas, livros e telas de computador.
Há quem celebre uma história de sucessos, enquanto outros embalam as primeiras canções. Há exposições que chegam quando outras se despedem. Existem também os filmes que deixam as salas tradicionais para ganhar a salas de aula... e encontros que só a literatura pode proporcionar.
Tradição e renovação
A música talvez seja um dos melhores lugares para perceber esse encontro entre passado e presente. Nesta sexta-feira (2), a banda palhocense Sky Route celebra 18 anos de trajetória com uma apresentação especial na Bugio do Centro de Florianópolis. A festa reúne clássicos de Pink Floyd e The Doors em mais de três horas de show. É uma comemoração de aniversário, mas também uma celebração a referências que continuam atravessando gerações.
Em outra direção e no lado oposto do país, há outros movimentos de produção musical. Em 22 de setembro, o cantor Gabriel Sebastian vibrou com o lançamento da primeira parte do EP “Foge CMG”. O trabalho traz sete faixas que passeiam entre trap, hip-hop e R&B e têm a liberdade como uma das ideias centrais do trabalho.
Ainda no âmbito de lançamentos, a cantora Nay Portella apresentou, no finalzinho de setembro, “Don’t Wake Me”, um single que aproxima jazz e viola caipira e integra o percurso de seu próximo álbum. O lançamento ganhou destaque na programação cultural em 24 de setembro e amplia ainda mais essa conversa entre referências brasileiras e outras sonoridades.
A música volta a aparecer em outubro com “Travessia”, espetáculo de Tainá Santos que será apresentado no dia 10, no Teatro da Arena Multiuso de São José. A cantora, compositora e percussionista parte de sua trajetória entre os álbuns “Tambores que Cantam” e “ADÊ” para construir um espetáculo atravessado por ancestralidade, memória e música brasileira.
Esses são exemplos da conexão artística que rompe fronteiras e une o país através da arte. Porque só a cultura consegue sincronizar esses dois movimentos: apresentar o que está nascendo e recuperar o que não deve ser esquecido.
Espaço histórico
Quando uma obra deixa o palco ou a tela e passa a ocupar a memória de uma cidade, também muda a relação que temos com ela. É o que acontece com a exposição “A Revolução da FotoNgrafia e a Arte do Não Significado”, de Danísio Silva, que encerrou sua temporada em 30 de setembro, no MIS/SC, com roda de conversa com o fotógrafo e apresentação da banda Mil Flores. A mostra havia sido aberta em 3 de setembro e reuniu uma pesquisa que questiona a fotografia como simples registro da realidade.
Pouco depois, no CIC, outro olhar chega ao público. A 7ª edição da mostra “Dislexia Quando Arte” abre neste sábado (3) e permanece em cartaz até 1º de novembro, com reunindo 32 artistas de nove países. Com o tema “Rascunho”, a exposição trabalha diferentes linguagens, entre fotografia, dança, audiovisual, poesia e música, propondo justamente uma reflexão sobre diferença, criatividade e processo.
E as palavras também encontram espaço nesse percurso. Na última sexta-feira (25), o psicólogo e escritor Marcos Vieira lançou, na Biblioteca Pública de Santa Catarina, o livro “O Logoterapeuta e o Encontro que Nunca Aconteceu: Entre a Ausência e o Sentido”, durante a programação do 10º Encontro Latino-Americano de Artes e Letras. A programação desse grande encontro de nacionalidades e linguagens entre os dias 18 e 30.
Cinema, educação e linguagens
No ponto de encontro entre setembro e outubro, o cinema ganhou projeção fora das salas tradicionais de Florianópolis. Na última sexta-feira (25), a “Mostra das Escolas” abriu a programação da 25ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, com expectativa de alcançar mais de 45 mil estudantes por meio de sessões gratuitas em escolas públicas. Esse trabalho de cultura e educação teve novos contornos na segunda-feira (28), foi a vez de Palhoça receber o lançamento do projeto “Mostra nas Escolas”, que neste ano chega a 39 Centros de Educação Infantil e quatro unidades de pré-escola, com previsão de alcançar cerca de 6 mil crianças. As sessões nas escolas acontecem de 9 a 31 de outubro.
Ainda no âmbito do cinema gratuito e voltado à criançada, no último sábado (26), o Sapiens Parque recebeu a terceira edição do Curta o Sapiens, com oficinas de arte e uma sessão de cinema de animação a partir de curadoria da Animaking.
É também pela sétima arte que diferentes nações dialogam. Por exemplo, na última semana, a Sala Gilberto Gerlach, no Centro Integrado de Cultura (CIC), recebeu a terceira Mostra de Cinema Japonês de Florianópolis, com seis longas-metragens e entrada gratuita. Tradição, literatura, ciência, relações humanas e questões sociais dividiram espaço na programação.
Agora, o mesmo espaço do CIC recebe a Mostra de Cinema Uruguaio, que começou na quinta-feira (1º) e vai até até sábado (3), com cinco longas-metragens. E tem mais: antes de cada longa produzido no Uruguai, o evento está exibindo um curta catarinense que dialoga com a sessão. A programação é gratuita e realizada pela Muy Cinema.
No meio de tudo isso, uma fica evidente: a cultura continua criando pontes. Seja entre Florianópolis e o Continente... ou entre SC e o mundo.
Esta coluna é apoiada pelo site Encarte de Cultura: jornalismo, arte e entretenimento. Saiba mais em https://encartedecultura.com.
Folha de Florianópolis