Product Discovery → Análise de Negócios → Engenharia de Requisitos → Requisitos Funcionais e Não Funcionais → User Stories → Critérios de Aceite → Backlog pronto para desenvolvimento
Existe uma pergunta que tenho recebido cada vez mais em entrevistas para posições de Product Owner, Analista de Negócios e Analista de Requisitos:
“Como você transforma uma necessidade do negócio em algo que o time de tecnologia realmente consiga desenvolver?”
E, na minha visão, essa pergunta é muito mais profunda do que parece.
Porque saber escrever uma User Story não significa, necessariamente, saber trabalhar com requisitos.
Saber utilizar Jira ou Azure DevOps não significa saber construir um backlog.
Saber escrever “Como usuário, quero..., para...” não significa que você entendeu o problema.
E saber fazer uma reunião com stakeholders não significa que você fez Discovery.
O verdadeiro diferencial está na capacidade de fazer a ponte entre problema, negócio, usuário, processo, dados, tecnologia e valor.
É exatamente nessa interseção que atuo.
Minha abordagem combina três perspectivas:
Analista de Negócios + Analista de Requisitos + Product Owner.
E essa combinação muda completamente a forma de conduzir um produto.
No cenário tecnológico atual, a exigência do mercado mudou drasticamente. Recrutadores e líderes de produto não buscam mais silos operacionais. Eles procuram o profissional híbrido, aquele que une a visão estratégica do Product Owner (PO), a profundidade analítica do Analista de Negócios e a precisão cirúrgica do Analista de Requisitos.
1. Antes do requisito existe um problema
Um dos erros mais comuns em projetos é começar pelo:
“Precisamos desenvolver uma funcionalidade.”
Eu prefiro começar por outra pergunta:
“Qual problema estamos tentando resolver?”
Essa mudança parece pequena, mas altera toda a condução do trabalho.
Imagine que uma área comercial diga:
“Precisamos de um dashboard de clientes.”
Eu não começaria criando campos, telas e gráficos.
Eu investigaria:
-
Quem precisa dessa informação?
-
Qual decisão essa pessoa precisa tomar?
-
Qual problema existe hoje?
-
Como essa decisão é tomada atualmente?
-
Quais dados são utilizados?
-
De onde esses dados vêm?
-
Qual é a frequência necessária?
-
Existe retrabalho?
-
Existe risco operacional?
-
Existe impacto financeiro?
-
Qual indicador representa sucesso?
-
O problema realmente exige um novo dashboard?
Talvez o problema não seja “falta de dashboard”.
Talvez seja:
“Os gestores não conseguem identificar rapidamente quais clientes estão apresentando queda de receita para agir antes que ocorra perda de faturamento.”
Agora temos um problema de negócio.
E isso muda completamente o Discovery.
2. Discovery: entender antes de construir
Product Discovery não é simplesmente uma reunião de brainstorming.
Discovery é um processo de redução de incerteza.
Antes de investir tempo e dinheiro construindo uma solução, precisamos aumentar nossa compreensão sobre:
Problema → Usuário → Contexto → Processo → Dados → Regras → Alternativas → Valor → Riscos
Uma boa referência para essa visão é o trabalho do IIBA, que estrutura Business Analysis em áreas como elicitação e colaboração, análise de estratégia, ciclo de vida dos requisitos, definição de requisitos e avaliação da solução.
Minha sequência de Discovery
Eu costumo trabalhar o Discovery em etapas.
Etapa 1: Entender o contexto
Primeiro procuro entender o cenário atual.
Perguntas:
-
O que está acontecendo?
-
Por que isso está acontecendo?
-
Quem é impactado?
-
Desde quando?
-
Como o processo funciona hoje?
-
Qual é o impacto?
Aqui estou tentando construir o Current State / As Is.
Etapa 2: Identificar stakeholders
Nem sempre quem solicita uma solução é quem utiliza a solução.
Por isso, identifico:
-
Sponsor;
-
Usuários finais;
-
Gestores;
-
Especialistas de negócio;
-
Tecnologia;
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Segurança;
-
Dados;
-
Compliance;
-
Operações;
-
Áreas impactadas.
Uma técnica simples é construir uma matriz:
Folha de Florianópolis
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