Você foi fazer uma trilha em meio a uma floresta, e de repente se deu conta de que o caminho sumiu. O sol mal atravessa a copa das árvores e a sensação de urgência aperta o peito. Você decide que precisa sair dali e começa a correr. Corre com vigor, ignora os arranhões dos galhos e o suor que arde nos olhos. Depois de horas de um esforço fenomenal, percebe que está exatamente no mesmo lugar, ou pior, mais perdido ainda. O problema não foi a falta de ação. Você agiu, correu, se esforçou. O problema foi que você fez tudo isso sem saber para onde, guiado pela intuição, que se não estiver bem treinada (conhecimento disfarçado de intuição) não te salva.
No planejamento de vida, o ativismo (essa necessidade neurótica de estar sempre ocupado) tornou-se uma patologia, ou no mínimo, um viés cognitivo, o viés de ação, onde priorizamos agir em vez de ficar parados (inação), mesmo quando não há evidências ou justificativa de que a decisão trará um resultado melhor. Agir dá uma falsa sensação de controle e de que estamos avançando.
Trabalhar demais sem direção é apenas uma forma socialmente aceita de desperdiçar o próprio tempo. Muitas pessoas ostentam o cansaço como se fosse uma medalha de honra, sem perceber que estão apenas girando em falso. A execução faz diferença, mas apenas quando faz parte de um pensamento estratégico.
E isso se aplica também ao planejamento financeiro.
Sonhos são abstrações voláteis. Para que se tornem conquistas, precisam ser convertidos em projetos com estrutura, prazos e viabilidade técnica. A motivação é o que faz você calçar as botas e entrar na trilha, mas é o planejamento que garante que esse percurso não termina em um precipício. Se a trilha não vai para o caminho certo, a velocidade com que você caminha apenas antecipa o seu fracasso. Como uma criança que juntou dinheiro o ano todo e depois usou tudo para comprar doces e comer de uma vez só.
Você está orgulhoso do seu suor ou dos seus resultados? A execução planejada exige a coragem de parar, analisar o terreno e, às vezes, retroceder alguns passos para encontrar a rota correta. O sucesso não pertence aos que mais trabalham, mas aos que trabalham com a precisão de quem sabe exatamente onde chegar.
O que dá mais dinheiro? O que é mais estratégico? Como fazer mais com menos esforços? São perguntas que devem ser respondidas dentro da sua atividade. Observe quem tem resultados melhores do que você, mas não com despeito, porém com respeito por uma jornada que valha a pena aprender. Claro que nenhuma história é “copia e cola”, mas deve ser avaliada para que possamos usar um pouco das experiências alheias para encurtar caminhos. E claro, agir, porém agir na direção certa, com a estratégia certa, pela motivação certa.
Por exemplo: uma pessoa trabalha com vendas. Um colega tem um desempenho 3 vezes maior. Qual é o network dele? O que ele sabe a mais do que você? Como ele se planeja? O que ele faz a mais do que você? O que você pode agregar em sua rotina? O que não cabe em sua estratégia? Avalie criteriosamente, e faça pequenas modificações em sua forma de gerar, gerir e investir seu dinheiro. Tenho certeza de que você se surpreenderá com os resultados!
Na prática:
- Realize um inventário de ocupação: anote todas as suas atividades diárias e identifique quais delas realmente contribuem para o seu objetivo principal e quais são apenas ruído operacional para manter a sensação de estar ocupado.
- Transforme desejos em requisitos técnicos: pare de chamar seus planos de sonhos. Trate-os como projetos, definindo recursos necessários, cronogramas de execução e indicadores de sucesso que possam ser medidos objetivamente.
- Estabeleça pontos de parada obrigatórios: crie momentos semanais de revisão para conferir se a sua execução ainda está alinhada com o plano original ou se você começou a desviar da trilha por causa de distrações momentâneas.
- Pratique a pausa estratégica: antes de iniciar qualquer tarefa de grande esforço, dedique tempo para desenhar o fluxo de execução. Se você não consegue explicar o "porquê" de cada etapa, você ainda não está pronto para começar.
Folha de Florianópolis
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