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Terça-feira, 19 de Maio 2026
O futuro 60+ começa na areia

Coluna do Guga Dias
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O futuro 60+ começa na areia

Esporte, cidade e pertencimento na maturidade, o que a seletiva do JASTI em Florianópolis revela sobre qualidade de vida e vocação urbana

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O esporte tem o poder de mudar o mundo.”

Nelson Mandela

Florianópolis gosta de se vender como cidade jovem. Mas a verdade é que o nosso futuro é cada vez mais 60+. E isso não é um problema. É um dado. O ponto cego está em outro lugar. Ainda pensamos envelhecimento como retirada, quando deveríamos pensar como presença. Presença na vida comunitária, nos espaços públicos e, sobretudo, no movimento. A qualidade de vida na maturidade não nasce de um slogan. Ela nasce de escolhas repetidas, ambientes acessíveis e rotinas socialmente sustentáveis.

É aqui que o esporte deixa de ser entretenimento e vira infraestrutura humana. Não falo apenas do impacto no coração e na força muscular, mas também na mente, na autonomia e na sociabilidade. A Organização Pan-Americana da Saúde destaca benefícios importantes da atividade física para corpo e mente, incluindo redução de sintomas de depressão e ansiedade e melhora de funções cognitivas. A OMS, ao tratar de atividade física e comportamento sedentário, relaciona a prática regular, especialmente na velhice, a melhores condições de funcionalidade e independência, quando a atividade é adequada às condições de cada pessoa e feita com progressão responsável.

Quando falamos de pessoas 60+, falamos de um grupo que mudou. Mais ativo, mais consciente, mais exigente. É o mesmo fenômeno que eu venho observando na cidade. Perfis maduros que não aceitam ser colocados no banco de reservas da vida social. E essa mudança tem efeito econômico. Uma população que se mantém funcional por mais tempo tende a demandar menos intervenções reativas, aproveita melhor os serviços públicos, circula mais pela cidade, consome cultura, ocupa espaços e fortalece redes de convivência.

Se é assim, o debate não deveria ser como criar mais projetos para idosos, mas como desenhar uma cidade melhor para quem vive mais. Em Florianópolis, isso passa por um ponto quase óbvio e, ao mesmo tempo, subaproveitado. A areia e a água como vocação pública. A orla, os parques, as quadras abertas e os equipamentos de acesso democrático. O que outras cidades precisam construir do zero, nós já temos como paisagem e identidade. A pergunta é se estamos governando essa vocação com inteligência, continuidade e ambição de legado.

Eu digo isso porque vivi de perto um pedaço dessa história. Em 2017, participei do movimento inicial que ajudou a consolidar a ideia das primeiras quadras públicas de areia na Beira-Mar Norte. A partir dali, a cidade acelerou uma cultura esportiva de praia que virou referência e, com o tempo, ajudou a reforçar Florianópolis como capital brasileira do beach tennis. Não por decreto, mas por aderência. Clima, geografia, estilo de vida e uma comunidade que se formou ao redor da prática.

É justamente por isso que faz sentido olhar para os Jogos Abertos da Terceira Idade de Santa Catarina, o JASTI, como mais do que um calendário esportivo. O evento existe desde 2008 e tem como propósito envolver pessoas idosas em atividades esportivas e recreativas, fortalecendo convivência e qualidade de vida. Em 2026, a etapa estadual ocorrerá em Joinville, entre 17 e 21 de abril, reunindo municípios de todo o estado em diferentes modalidades e categorias.

Antes da etapa estadual, existe o que realmente interessa para a nossa cidade. O caminho local que transforma prática cotidiana em representação municipal. Em Florianópolis, a etapa seletiva para o JASTI acontecerá nas quadras da Beira-Mar Continental, entre 28 de fevereiro e 5 de março de 2026. A expectativa é reunir mais de 100 duplas, nas categorias masculino e feminino. A estrutura prevista inclui tendas, banheiros e premiação, com apoio técnico da Federação Catarinense de Beach Tennis. Os campeões de cada categoria representarão Florianópolis na etapa estadual em Joinville. Para os classificados, haverá suporte de alimentação, transporte e hospedagem, organizado pelo poder público municipal.

Esse parágrafo poderia ser apenas serviço. Mas ele é, na verdade, argumento. Porque o envelhecimento ativo só vira realidade quando a cidade fornece condições concretas para a prática. Sem espaço, sem acolhimento e sem organização, a ideia fica bonita e improdutiva. Quando há calendário, estrutura e caminho para participação, o esporte deixa de ser privilégio e se torna ponte.

O beach tennis é um caso especialmente feliz para essa conversa porque combina intensidade ajustável, coordenação, deslocamento, leitura de jogo e, sobretudo, sociabilidade. A areia tende a reduzir impacto em comparação com superfícies duras, ao mesmo tempo em que exige estabilidade e controle corporal. Mas o que pesa ainda mais, do ponto de vista mental, é a constância dos encontros. Treino, jogo, conversa, ritual. O que adoece muita gente, na maturidade, não é só a falta de exercício. É a falta de agenda que faça sentido e de rede que sustente a rotina.

Por isso eu defendo que a seletiva do JASTI, em Florianópolis, deve ser lida como termômetro de cidade. Se tivermos adesão, diversidade e presença, ótimo. Significa que existe base social e que as quadras públicas cumprem função. Se tivermos dificuldade de adesão, também é um dado. Talvez falte comunicação, acesso, acolhimento para iniciantes, transporte, ou simplesmente convite. Uma cidade madura é aquela que usa seus eventos como diagnóstico e como alavanca de uma política pública não partidária, contínua e baseada em evidência.

Joinville receberá, em abril, atletas da melhor idade de várias regiões do estado. Florianópolis tem tudo para estar lá bem representada. Mas, mais importante do que isso, tem tudo para transformar essa jornada em cultura local. Não se trata de criar atletas. Trata-se de criar futuro. Um futuro em que 60+ não seja sinônimo de recuo, e sim de expansão. Mais movimento, mais autonomia, mais convivência, mais cidade.

No fim, a pauta é simples e exigente. Simples porque sabemos o que funciona. Rotina, espaço público, incentivo, comunidade, continuidade. Exigente porque isso não se resolve com um evento isolado, mas com um compromisso. E talvez essa seja a principal beleza de uma seletiva como a do JASTI. Ela não é propaganda. Ela é prova. Prova de que o envelhecimento ativo não é discurso. É prática, na areia, com gente real, em uma cidade que nasceu para viver ao ar livre.

Jogo que segue…

Guga Dias
Treinador Corporativo e Mentor
Advogado Especialista em Propriedade Intelectual
CEO do GDN | Posicionamento, Estratégia e Performance Empresarial
Instagram: @gugavdias
X: @augustodias

FONTE/CRÉDITOS: Fontes consultadas Laureus (citação atribuída a Nelson Mandela) https://www.laureus.com/news/celebrating-the-legacy-of-a-hero-on-mandela-day OPAS - Atividade física https://www.paho.org/pt/topicos/atividade-fisica OMS - Diretrizes sobre atividade fís
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Imagem autoral criada por inteligência artificial, uso editorial
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 Guga Dias

Publicado por:

Guga Dias

Guga Dias, Budista, advogado, especialista em Propriedade Intelectual (desde 1986) e Empresário, com especialização em Propriedade Intelectual pela WIPO (World Intellectual Property Organization), Pós-graduando em Gestão Pública e Gestão do...

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