שִׁוִּיתִי יְהוָה לְנֶגְדִּי תָּמִיד
Maus políticos o Brasil tem de sobra, e isso já se tornou quase uma constante na vida pública do país, onde promessas se acumulam, discursos se repetem e os resultados concretos continuam muito abaixo do que a população espera. Mas existe um tipo de atuação política que se tornou marca registrada da esquerda contemporânea. Uma política que parece mais orientada a ocupar espaço, promover agitação e dominar o debate público do que produzir avanços palpáveis.
Muito protesto, muito arrebatamento moral, muito slogan, muita gritaria, muitas ofensas, muita indignação pública e pouca capacidade de enfrentar problemas que afetam diretamente a vida do brasileiro, como a elevada carga tributária, a insegurança pública, a baixa qualidade da educação, os recorrentes escândalos de corrupção, o domínio de narcoterroristas sobre grande parcela do território nacional e o crescimento da dependência da população em relação a um Estado cada vez maior e mais intervencionista.
Essas lideranças buscam abraçar simultaneamente uma grande quantidade de pautas. Falam de gênero, diversidade, pautas identitárias, movimentos sociais, periferia, questões raciais, causas ambientais e inúmeras outras agendas. Muitas dessas discussões ocupam o centro do debate público, mas a política exige prioridades. Quem pretende representar tudo corre o risco de não entregar resultados em nada.
Enquanto o discurso se expande, o cidadão continua preocupado com questões concretas, como segurança, saúde, emprego, renda, educação e custo de vida. O eleitor quer viver em um país mais seguro, mais próspero e com serviços públicos de melhor qualidade. É por esses critérios que um governo deve ser avaliado.
Nesse modelo, a política deixa de ser instrumento de construção e passa a funcionar como espetáculo permanente. O objetivo parece ser manter mobilização constante, criar embates simbólicos e permanecer no centro da atenção pública.
Esse comportamento também aparece na atuação parlamentar. Em vez de construir maiorias, formular propostas consistentes, fiscalizar o Executivo e acompanhar a implementação das políticas públicas, parte dos representantes aposta na retórica, nos confrontos e na exposição contínua. O discurso gera visibilidade. O trabalho produz resultados.
Democracias dependem de debate, participação e divergência de ideias. O problema surge quando a agitação substitui o compromisso com resultados e a política passa a ser medida pelo volume do discurso, e não pela qualidade das entregas.
No fim, o eleitor faz uma avaliação muito simples. Sua vida melhorou ou não? Houve mais oportunidades, mais segurança, mais prosperidade, melhor educação e maior eficiência do Estado ou apenas mais discursos, mais conflitos e mais barulho?
Porque, quando o espetáculo termina e os problemas permanecem, sobra a sensação de que houve muito barulho por nada.
E você, eleitor, vai continuar votando em políticos que pouco entregam ou vai começar a procurar candidatos comprometidos com propostas e resultados concretos para o Brasil?
Folha de Florianópolis
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