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Sexta-feira, 15 de Maio 2026
Quando o público e o privado caminham junto

Coluna do Guga Dias
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Quando o público e o privado caminham junto

A cidade que aprende a cooperar com responsabilidade entrega mais, preserva o dinheiro do contribuinte e transforma desenvolvimento em compromisso coletivo. Tags

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"Não há vento favorável para quem não sabe aonde quer chegar.”
Sêneca

A cidade é o lar de quase todos nós. E toda cidade vive uma tensão permanente entre o que precisa fazer e o que consegue entregar. A população exige mobilidade melhor, praças cuidadas, iluminação eficiente, segurança nos espaços públicos, escolas estruturadas, serviços digitais, saneamento, zeladoria, cultura, esporte, inovação e respostas rápidas para problemas que não esperam o ritmo lento da máquina pública. O orçamento, por outro lado, é limitado. E poucos lembram e entendem isso. A burocracia tem seus tempos. A arrecadação não cresce na mesma velocidade das demandas. E o contribuinte, com razão, já não aceita que toda solução urbana dependa apenas de aumento de gasto público.

É nesse ponto que a conversa sobre a aproximação entre poder público e iniciativa privada precisa sair da disputa ideológica rasa e entrar no campo da maturidade institucional. A pergunta que queima na cabeça de cada cidadão não é se o setor privado deve ou não participar da vida da cidade. Ele já participa. A pergunta correta é sob quais regras, com qual finalidade, com que tipo de fiscalização e em benefício de quem essa participação acontece.

A iniciativa privada não existe para substituir o Estado. Essa confusão costuma contaminar o debate. O Estado tem responsabilidades que não podem ser terceirizadas em sua essência. Cabe ao poder público planejar, regular, fiscalizar, garantir o interesse coletivo e impedir que serviços essenciais sejam tratados apenas como mercadoria. Mas também é verdade que o Estado não precisa executar tudo sozinho, especialmente quando existem empresas, entidades, organizações e investidores capazes de oferecer tecnologia, gestão, velocidade e recursos para melhorar aquilo que a população usa todos os dias.

Entendamos que bom uso das parcerias não enfraquece o poder público. Ao contrário, só o fortalece. Um governo que sabe estruturar bons projetos, atrair bons parceiros, definir metas, exigir qualidade e fiscalizar resultados deixa de ser apenas executor sobrecarregado e passa a atuar como verdadeiro guardião do interesse coletivo. O problema não está na parceria. O problema está na parceria mal feita, sem transparência, sem contrato bem desenhado, sem indicadores, sem controle social e sem coragem de punir o descumprimento.

Cidades modernas precisam abandonar a falsa escolha entre estatização de tudo ou entrega irresponsável de tudo ao mercado. Temos um caminho mais inteligente. É o caminho da cooperação institucional. Quando uma praça é adotada, reformada, iluminada e mantida por uma empresa, a cidade ganha espaço público melhor sem necessariamente ampliar a despesa direta do município. Quando uma concessão bem estruturada melhora um serviço urbano, o cidadão percebe resultado concreto. Quando uma parceria permite inovação tecnológica, digitalização de processos ou manutenção contínua de equipamentos públicos, o contribuinte deixa de pagar duas vezes, primeiro pelo imposto e depois pela ineficiência.

Mas essa lógica só funciona quando a iniciativa privada entende que sua participação na cidade não é favor, propaganda ou caridade. É também devolução. Toda empresa cresce dentro de um ambiente que não foi construído apenas por ela. Usa vias públicas, mão de obra formada pela sociedade, infraestrutura urbana, segurança jurídica, mercado consumidor, reputação territorial e oportunidades geradas pela comunidade onde está inserida. Portanto, quando uma empresa participa de projetos que melhoram a cidade, ela não está apenas ajudando o poder público. Está reconhecendo que parte do valor que recebeu da sociedade deve retornar para a própria sociedade.

Essa é uma ideia importante, especialmente em cidades que crescem rápido, atraem negócios, turismo, tecnologia, serviços e novos moradores. Quanto mais dinâmica é a economia urbana, maior é a pressão sobre a infraestrutura. Ruas, praias, parques, mobilidade, segurança, limpeza, saneamento e espaços de convivência não acompanham automaticamente o crescimento econômico. Se a cidade enriquece em atividade, mas empobrece em qualidade urbana, alguma coisa está errada no pacto de desenvolvimento.

Vamos pegar como exemplo a acidade de Florianópolis. Que conhece bem esse dilema. É uma cidade desejada, criativa, empreendedora, com forte apelo turístico, vocação tecnológica e patrimônio natural raro. Mas também enfrenta gargalos conhecidos. Mobilidade difícil, pressão imobiliária, disputa por espaço, manutenção urbana desigual e serviços que nem sempre acompanham a velocidade da demanda. Não se trata de apontar culpados fáceis. Trata-se de reconhecer que cidades complexas exigem respostas mais sofisticadas do que o velho hábito de esperar tudo da prefeitura ou reclamar de tudo como se a sociedade não tivesse responsabilidade nenhuma. Não sejamos inocentes! A sociedade é parte importante nessa responsabilidade.

O poder público precisa melhorar sua capacidade de planejar e contratar. A iniciativa privada precisa amadurecer sua visão de pertencimento. E a sociedade precisa cobrar resultado, não apenas discurso. Parceria boa é aquela em que todos sabem o que será entregue, quanto custará, quem fiscaliza, qual é o prazo, qual é a contrapartida e o que acontece se o serviço não for prestado adequadamente. Sem isso, a parceria vira atalho perigoso. Com isso, vira ferramenta de desenvolvimento.

Vejamos um ponto que merece atenção. Economizar dinheiro público não significa fazer menos. Muitas vezes significa fazer melhor. Significa evitar desperdício, impedir obras sem manutenção, reduzir retrabalho, aproveitar conhecimento técnico já existente no setor privado e direcionar o orçamento público para onde ele é insubstituível. Saúde, educação, assistência social, proteção ambiental, fiscalização, planejamento urbano e políticas públicas estruturantes não podem ficar reféns da improvisação. Se parcerias bem desenhadas aliviam a pressão sobre o caixa municipal em determinadas áreas, o dinheiro do contribuinte pode ser usado com mais inteligência nas áreas em que a presença direta do Estado é decisiva.

Também não se deve romantizar a iniciativa privada. Empresas erram, exploram brechas, buscam retorno e podem pressionar o interesse público quando não há regulação forte. Por isso, parceria não é sinônimo de ingenuidade. É sinônimo de contrato, governança, transparência e controle. O entusiasmo com a agilidade privada precisa caminhar junto com a firmeza pública. A cidade não pode ser lenta por medo de cooperar, mas também não pode ser imprudente por pressa de entregar.

Maturidade está no equilíbrio. O poder público define o rumo. A iniciativa privada pode ajudar a construir o caminho. A sociedade fiscaliza se a entrega corresponde ao interesse coletivo. Esse triângulo, quando funciona, muda a qualidade da vida urbana. Quando falha, produz descrédito, suspeita e desperdício.

No fundo, o debate sobre parcerias é também um debate sobre responsabilidade. O Estado precisa parar de agir como se pudesse resolver tudo sozinho. A iniciativa privada precisa parar de agir como se a cidade fosse apenas cenário para seus negócios. E o cidadão precisa deixar de ser apenas consumidor indignado de serviços públicos para se tornar participante ativo da construção do lugar onde vive.

Uma cidade não melhora apenas por decreto, nem apenas por investimento, nem apenas por boa vontade. Ela melhora quando aprende a organizar suas forças. O dinheiro público deve ser protegido. O tempo da sociedade deve ser respeitado. A capacidade privada deve ser aproveitada. E o interesse coletivo deve permanecer acima de qualquer conveniência política ou empresarial.

Caminhar junto não é misturar papéis. É entender que desenvolvimento urbano exige coordenação. Quando cada setor faz o que sabe fazer de melhor, sob regras claras e com responsabilidade, a cidade ganha velocidade sem perder direção. E talvez esse seja um dos maiores desafios das cidades brasileiras daqui em diante. Não escolher entre Estado e mercado, mas construir uma inteligência pública capaz de fazer ambos trabalharem a favor da sociedade.

Jogo que segue…

Guga Dias
Treinador Corporativo e Mentor
Advogado Especialista em Propriedade Intelectual
CEO do GDN | Posicionamento, Estratégia e Performance Empresarial
Instagram: @gugavdias
X: @augustodias

FONTE/CRÉDITOS: • Planalto, Lei nº 11.079, de 2004 • Planalto, Lei nº 8.987, de 1995 • Programa de Parcerias de Investimentos • Prefeitura de Florianópolis, Superintendência de Concessões e Parcerias • BNDES, Hub de Projetos • Ministério das Cidades, SINISA • Instit
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Imagem autoral criada por inteligência artificial, uso editorial.
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 Guga Dias

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Guga Dias

Guga Dias, Budista, advogado, especialista em Propriedade Intelectual (desde 1986) e Empresário, com especialização em Propriedade Intelectual pela WIPO (World Intellectual Property Organization), Pós-graduando em Gestão Pública e Gestão do...

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