Você já percebeu que suas finanças refletem o pensamento das pessoas que você tem a seu lado? A frase "você é a média das cinco pessoas com quem mais convive", atribuída ao palestrante Jim Rohn, ganha força quando olhamos para finanças. Não se trata de mágica ou osmose, mas de influência: hábitos, decisões e até emoções que se propagam no círculo social.
Um estudo de 2012, conduzido por Bursztyn, Ederer, Ferman e Yuchtman em uma corretora peruana, mostrou que investidores compram mais ações recomendadas por pares após verem retornos positivos de amigos, mesmo que tenham ciência dos riscos.
Aqui no Brasil, o Raio X do Investidor (ANBIMA/Datafolha, 2025) revela que os aplicativos de bancos são o principal meio de investimento, com as redes sociais desempenhando um papel cada vez maior na influência de novos investidores.
Por isso, a influência não é apenas física. O que você olha nas suas redes sociais também tem influência em suas decisões. Por isso é tão importante ficar atento a quais informações e entretenimentos você consome.
Esse axioma tem duas faces. A primeira é bidirecional: você molda seu grupo familiar ou de amigos, e eles moldam você. Em casa, conversas sobre compras supérfluas podem virar moda, ou discussões sobre poupança e investimentos podem criar reservas coletivas.
Veja um exemplo prático: uma família que adota uma "noite de ideias" periodicamente. Nós fizemos isso por muito tempo, às quartas-feiras, até que esse tipo de discussão virasse rotina, mesmo que menos estruturado. Morávamos em Cuiabá, eu, Paulo e nossos filhos, Érico e Artur, fazíamos um espetinho perto da piscina e era a noite de brainstorming. Assim surgiu o primeiro livro de Érico, “Como conquistar seu próprio dinheiro”, com as experiências dele sobre gestão de mesada e conquista de sonhos, e tantos outros projetos, como viagens e decisões de investimento. Também em reuniões de família ampliada conversamos sobre negócios, projetos e investimentos.
A segunda face é o estímulo a projetos mais complexos. Manter um círculo para debater finanças, investimentos e projetos ativa o aprendizado coletivo. Um incentiva o outro a pesquisar, questionar riscos, analisar alternativas e planejar a longo prazo. Isso expande o "território" visível: você enxerga oportunidades que sozinho ignoraria, ajusta rotas em mercados voláteis e doma emoções como medo ou euforia.
Ambos os grupos são extremamente relevantes em suas decisões e resultados. Da família ou grupo de amigos próximos, aprenda com o simples e de forma leve, sem uma estrutura definida, mas na conversa fluida no dia a dia: a sabedoria de vivências que nos fazem crescer, entender as aspirações, o equilíbrio entre ser e ter, pois não se anulam, se complementam. De círculos profissionais ou com interesse técnico, busque instigar e ser instigado, confrontar ideias com o objetivo de enxergar mais longe, analisar de cenários, diversificação e projeções. Juntos, esses dois grupos podem conduzir a decisões melhores e resultados acima da média.
Na prática, comece avaliando seu círculo. Liste as cinco pessoas que você mais convive. Elas elevam ou travam suas finanças? Você influencia ou é influenciado? Você instiga para decisões melhores ou para um consumismo desnecessário? O ser e ter possuem equilíbrio ou um deles anula o outro? É um ambiente de fortalecimento emocional ou materialismo absoluto?
Discutir finanças gera vontade de crescer. Porém lembre-se: somos seres emocionais e precisamos de laços verdadeiros e desinteressados paras nos fortalecer. A receita é o equilíbrio. Você organiza emoções para decisões racionais, altera planos com base em fatos e constrói patrimônio sustentável.
Você pode pensar: “meu círculo não me ajuda, vou ter que trocar radicalmente as pessoas com as quais eu convivo”. Isso seria um grande erro, perdendo a oportunidade de elevar o nível de conversa de forma sutil, amigável e de contribuir positivamente com as pessoas que você ama.
Influencie, sem ser agressivo, arrogante ou perverso. Seja humilde e pratique a inteligência social.
Crie grupos de discussão que te fortaleçam, esteja junto de pessoas que te puxam para cima.
Valorize as relações emocionais. Não somos robôs, os vínculos verdadeiros e desinteressados são o que nos mantém e nos impulsiona para sermos pessoas melhores.
Referências
- Título: O círculo social influencia as decisões de investimentos? Autor: Portal do Investidor (CVM). Data: 31/07/2020 (atualizado 06/12/2022). Link: https://www.gov.br/investidor/pt-br/penso-logo-invisto/o-circulo-social-influencia-as-decisoes-de-investimentos
- Título: Cientistas conseguiram medir a influência das redes sociais na sua decisão de investir. Autor: Fernanda Fonseca (Avenue Connection). Data: 02/10/2025. Link: https://connection.avenue.us/editorias/colunistas/cientistas-conseguiram-medir-a-influencia-das-redes-sociais-na-sua-decisao-de-investir/
- Título: Você é a Média das Cinco Pessoas com Quem Mais Convive. Autor: Gabriel Cantarino (Grupo Cantarino). Data: 23/03/2025. Link: https://www.gcantarino.com.br/post/voc%C3%AA-%C3%A9-a-m%C3%A9dia-das-cinco-pessoas-com-quem-mais-convive
Folha de Florianópolis
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