Aguarde, carregando...

Segunda-feira, 22 de Junho 2026
Carregando jogos...
Composto natural que dá aroma cítrico a plantas mostra potencial anti-inflamatório
Estudo & Pesquisa
83 Acessos

Composto natural que dá aroma cítrico a plantas mostra potencial anti-inflamatório

Cientistas identificam no citral mecanismos moleculares relevantes, destacando a etnofarmacologia e as lacunas para uso terapêutico em humanos

IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Ocitral, composto natural responsável pelo aroma cítrico característico de plantas como o capim-limão e a erva-cidreira, apresenta potencial anti-inflamatório relevante, segundo uma revisão recente da literatura científica. A substância atua em vias moleculares centrais da inflamação e demonstra efeitos consistentes em diferentes sistemas do organismo. Ao mesmo tempo, a maior parte das evidências disponíveis ainda é pré-clínica, o que aponta para a necessidade de mais pesquisas e investimentos científicos antes que o composto possa ser considerado uma alternativa terapêutica segura para uso em humanos.

Além de reunir dados experimentais, o trabalho dialoga com a etnofarmacologia – área do conhecimento que investiga o uso tradicional de plantas medicinais por diferentes culturas e busca compreender os efeitos terapêuticos observados ao longo do tempo. 

Utilizado há séculos na medicina tradicional de diferentes regiões do mundo, o citral tem despertado crescente interesse da comunidade científica por suas propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e antimicrobianas. Nas últimas décadas, o composto passou a ser investigado de forma mais sistemática, sobretudo em estudos experimentais que buscam compreender seus efeitos em doenças inflamatórias.

Publicidade

Leia Também:

Revisão da literatura e critérios de análise

Publicado na Pharmacological Research – Natural Products, o trabalho foi conduzido por pesquisadores do Departamento de Biologia Básica e Oral da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (Forp) da USP, orientado pelo professor Luiz Guilherme Siqueira Branco, e teve como objetivo organizar o conhecimento disponível, identificar os mecanismos moleculares mais consistentes associados ao composto e discutir seu potencial terapêutico em diferentes sistemas do organismo.

Segundo a doutoranda Isabelly Gomes Solon, responsável pela revisão, a motivação do estudo surgiu da necessidade de integrar resultados que ainda estavam dispersos na literatura. “Embora o citral seja amplamente conhecido por seus efeitos biológicos e esteja presente em óleos essenciais utilizados em diversas culturas, os estudos existentes costumam abordar contextos muito específicos. A proposta da revisão foi organizar esse conhecimento e identificar padrões nos mecanismos de ação descritos.”

Diferentemente de estudos experimentais, a pesquisa não realizou novos testes em laboratório. Trata-se de uma revisão da literatura científica, construída a partir da análise crítica de pesquisas previamente publicadas. Para isso, os autores realizaram buscas sistemáticas na base de dados PubMed, utilizando termos relacionados ao citral, inflamação, mecanismos moleculares, estresse oxidativo e medicina tradicional.

A foto mostra uma mulher jovem, de jaleco branco, sorrindo em um ambiente de laboratório, com equipamentos científicos ao fundo.

Isabelly Gomes Solon – Foto: Arquivo pessoal

“Inicialmente, foram identificados 1.145 estudos. Após uma triagem baseada em títulos, resumos e critérios de qualidade metodológica, 56 estudos considerados relevantes foram incluídos na análise final. Buscamos selecionar trabalhos que realmente contribuíssem para a compreensão dos mecanismos anti-inflamatórios do citral”, detalha a doutoranda.

Mecanismos moleculares da ação anti-inflamatória

A revisão mostra que o citral atua em múltiplas vias centrais da resposta inflamatória. Entre os mecanismos mais frequentemente descritos está a inibição da ciclooxigenase-2 (COX-2) – enzima responsável pela produção de prostaglandinas pró-inflamatórias, moléculas associadas à dor e à amplificação da inflamação.

Outro ponto recorrente é a modulação da via do fator nuclear kappa B (NF-κB), um dos principais reguladores da inflamação crônica. “O NF-κB controla a expressão de diversos genes envolvidos na resposta inflamatória, incluindo citocinas e a própria COX-2. Ao interferir nessa via, o citral reduz a produção de mediadores pró-inflamatórios de forma mais ampla”, afirma a pesquisadora.

Além disso, os estudos analisados indicam redução na liberação de citocinas como TNF-α, IL-1β e IL-6, associadas à manutenção de processos inflamatórios persistentes. “A revisão aponta ainda evidências de que o citral atua sobre receptores nucleares conhecidos como PPARs, especialmente os subtipos PPAR-α e PPAR-γ, que estão envolvidos na regulação do metabolismo, da resposta imune e do estresse oxidativo”, acrescenta Isabelly.

Infográfico com a molécula “Citral” ao centro e setas indicando possíveis efeitos biológicos, como ação antimicrobiana, anti-inflamatória, antioxidante e relação com diferentes processos inflamatórios no organismo.

Efeitos biológicos do citral em diferentes processos inflamatórios no organismo - Imagem: Reprodução do artigo

Funcionamento em diferentes tecidos

Os efeitos anti-inflamatórios do citral foram observados em diversos contextos fisiológicos. De acordo com a revisão, há maior concentração de estudos nos sistemas respiratório e gastrointestinal, especialmente em modelos de inflamação pulmonar e intestinal. Também vêm crescendo as investigações voltadas à inflamação neurogênica e neuroinflamatória, com indícios de possíveis efeitos neuroprotetores.

No contexto orofacial, embora em menor número, os estudos analisados indicam aplicações relevantes em processos inflamatórios orofaciais, incluindo aqueles associados à microbiota oral e a doenças periodontais. Essa diversidade de cenários sugere que o citral atua sobre mecanismos comuns à inflamação em diferentes tecidos e sistemas.

A pesquisadora destaca que muitos dos achados científicos dialogam diretamente com o uso tradicional de plantas ricas em citral. Em regiões do Sudeste Asiático, da África e da América do Sul, essas plantas são utilizadas há séculos para o tratamento de dores, febre, inflamações e distúrbios digestivos.

A etnofarmacologia teve um papel importante ao orientar as pesquisas modernas. O que a ciência vem fazendo agora é buscar bases moleculares e farmacológicas para explicar efeitos que já eram observados. Apesar disso, “a validação científica robusta desses usos ainda está em construção, o que reforça a necessidade de estudos experimentais e clínicos”, observa a doutoranda.

Limitações para uso

Embora os resultados sejam promissores, a revisão identifica limitações importantes. A maior parte das evidências disponíveis ainda é pré-clínica, baseada em estudos in vitro e em modelos animais. Há escassez de ensaios clínicos em humanos, além de lacunas relacionadas à segurança, biodisponibilidade, metabolismo e efeitos do uso prolongado do citral.

“Para que o citral possa ser considerado um candidato viável para uso clínico, são necessários ensaios clínicos bem controlados, estudos farmacocinéticos e avaliações de segurança a longo prazo”, pontua Isabelly Solon. A padronização dos protocolos experimentais também aparece como um desafio para garantir a reprodutibilidade dos resultados.

A pesquisadora afirma que o citral apresenta forte potencial como agente anti-inflamatório, ao atuar em vias moleculares centrais da inflamação e demonstrar efeitos em diferentes sistemas do organismo. No entanto, “seu uso terapêutico ainda depende de avanços científicos que permitam sair do conhecimento experimental para a prática clínica de forma segura e eficaz”, conclui.

FONTE/CRÉDITOS: Jornal da USP
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Melissa officinalis, popularmente conhecida como erva-cidreira, é rica em citral, substância com propriedades anti-inflamatórias - Foto: Rita Stella

Comentários

O autor do comentário é o único responsável pelo conteúdo publicado, inclusive nas esferas civil e penal. Este site não se responsabiliza pelas opiniões de terceiros. Ao comentar, você concorda com os Termos de Uso e Privacidade.
Célio Roberto Velho

Publicado por:

Célio Roberto Velho

Administrador e Colunista, da Folha de Florianópolis. Imbitubense, tem gosto pela natureza, baladas noturnas, parque, praias e piscinas natural, ler um bom livro na hora livre. (...)

Saiba Mais

/Dê sua opinião

De onde você acessa o Portal Folha de Florianópolis? (Where do you access the Folha de Florianópolis Portal from?)

Nossas notícias no celular

Receba as notícias do Folha de Florianópolis no seu app favorito de mensagens.

Whatsapp
Entrar
Folha de Florianópolis (Sua empresa aqui)
Aplicativo do Portal Folha de Florianópolis
Folha de Florianópolis ( sua empresa aqui)

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
WhatsApp Folha de Florianópolis
Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR