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Pesquisadores da UFSC desenvolvem teste rápido e barato para monitoramento de algas nocivas
Estudo & Pesquisa
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Pesquisadores da UFSC desenvolvem teste rápido e barato para monitoramento de algas nocivas

um teste molecular rápido, econômico e eficaz que detecta a presença da alga nociva Prorocentrum cordatum diretamente nos ambientes onde ela pode desenvolver florações e liberar toxinas.

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Uma equipe multidisciplinar de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) desenvolveu uma solução tecnológica inovadora para monitoramento ambiental: um teste molecular rápido, econômico e eficaz que detecta a presença da alga nociva Prorocentrum cordatum diretamente nos ambientes onde ela pode desenvolver florações e liberar toxinas. O método destaca-se por ser portátil, de baixo custo e capaz de fornecer resultados em cerca de uma hora, o que representa um avanço significativo para a gestão de riscos em ecossistemas costeiros.

Prorocentrum cordatum é considerada uma “espécie sentinela”: quando observada em concentração excessiva, é um sinal de alerta para possíveis marés vermelhas (quando há liberação de toxinas na água em função da floração das algas) ou eutrofização (redução drástica do oxigênio na água em função de sua multiplicação excessiva). Por utilizar uma técnica molecular – chamada de Amplificação Isotérmica Mediada por Loop (LAMP) – o teste identifica a presença da alga, e não sua toxina, e isso pode favorecer a adoção de medidas de mitigação antes da floração propriamente dita. A pesquisa, desenvolvida no âmbito de um edital público para monitoramento das condições ambientais da Lagoa da Conceição, em Florianópolis, foi detalhada no artigo A field-ready molecular workflow for sample-toresult detection of the harmful dinoflagellate species Prorocentrum cordatum (Prorocentraceae, Dinoflagellata) in coastal Brazilian waters, publicado em maio no periódico European Journal of Phycology.

Método inovador

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Principal autor do artigo, o doutorando em Biologia Celular e do Desenvolvimento André Akira Gonzaga Yoshikawa explica que o método é inovador, sobretudo, em função da sua viabilidade econômica e prática. Cada teste tem custo estimado entre R$ 5,00 e R$ 6,00, um valor drasticamente inferior a testes convencionais. “Outra vantagem é a interpretação visual por colorimetria: o resultado é indicado pela mudança de cor da amostra, eliminando a necessidade de equipamentos caros para a leitura de gráficos ou análises moleculares complexas em ambientes laboratoriais”, explica o pesquisador.

Método para análise da concentração de algas na Lagoa da Conceição adota materiais simples, baratos e reutilizáveis, facilitando o monitoramento da qualidade da água. Foto: Gustavo Diehl/Agecom/UFSC

O processo de coleta é extremamente simples e não demanda uma grande estrutura de pessoal ou material. André Akira demonstrou uma situação de coleta com uso de um frasco de vidro de 1 litro, uma seringa de 10 mililitros e o kit de filtro: após coleta da água no recipiente maior, o pesquisador transfere pequenas quantidades para a seringa e, com ela, injeta o líquido no pequeno kit plástico que contém o filtro. Quando ocorre mudança de cor no filtro, é sinal de que há concentração de biomassa. Com esse material, o DNA da alga pode ser extraído por meio de um simples bloco de aquecimento (“banho seco”) em laboratório ou mesmo em campo, com o equipamento ligado à bateria de um carro.

O doutorando enfatiza também que todo o material utilizado em campo pode ser lavado, esterilizado e reutilizado em outras coletas, o que contribui para a economicidade e sustentabilidade da tecnologia.

A possibilidade de monitorar a concentração de algas nocivas no ambiente da Lagoa sem a necessidade de acesso a uma estrutura laboratorial complexa é uma grande inovação, na avaliação do principal orientador da pesquisa, professor André Nóbrega Pitaluga, pesquisador da Fiocruz. “Ele é extremamente portátil. O procedimento padrão atual exige 20 litros de água e um processo de decantação em laboratório, enquanto o método novo utiliza apenas entre 10 e 50 mililitros de água”, explica. “Além disso, o teste é visual e por colorimetria, o que facilita a interpretação sem a necessidade de gráficos, equipamentos ou estruturas mais complexas”, acrescenta a professora Luísa Rona, do Departamento de Biologia Celular, Embriologia e Genética da UFSC e co-orientadora da tese.

Poluição por esgoto

Acúmulo de espuma decorrente da alta concentração de algas nocivas na Lagoa da Conceição, em ocorrência de dezembro de 2025. Foto: Gustavo Diehl/Agecom/UFSC

A ocorrência de floração de algas nocivas na Lagoa da Conceição é um fenômeno associado à poluição por esgotos e que vem causando diversas ocorrências nos últimos anos, como mortandade de peixes, proliferação de espuma e alterações na cor da água. “Marés vermelhas e eutrofização geralmente são causadas por excesso de esgoto. Então, se a alga aparece em concentração acima de um certo limiar, isso serve como sinal de alerta”, explica o professor André Pitaluga. A pesquisa que deu origem ao teste rápido foi idealizada no âmbito de um edital da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) e da Fundação de Amparo à Pesquisa de Santa Catarina (Fapesc), após o rompimento da lagoa de decantação de esgoto mantida pela empresa estatal sobre as dunas, desastre ambiental de alto impacto ocorrido em janeiro de 2021. O trabalho envolveu um esforço multidisciplinar, que contou também com a participação de pesquisadores do Laboratório de Ficologia (Lafic) da UFSC.

Apesar do sucesso técnico e da validação em seis diferentes pontos da Lagoa da Conceição, os pesquisadores ressaltam que o próximo passo fundamental para que a nova tecnologia traga benefício ambiental e social é a sua implementação como política pública. O método permite um monitoramento constante e descentralizado, o que seria ideal para órgãos ambientais realizarem coletas periódicas e, paralelamente a esse monitoramento, implementar medidas de prevenção e despoluição. O professor Paulo Antunes Horta Júnior, que atua no Lafic e também é coautor do artigo, destaca essa função potencial de orientação de políticas públicas no método rápido. “Vivemos em um momento de aumento da frequência e intensidade de florações de algas nocivas. Métodos como o nosso garantem celeridade e precisão no diagnóstico para orientarmos políticas públicas relacionadas à promoção de saúde ambiental, considerando a promoção de ações e infraestrutura relacionada à prevenção ou precaução, ou planos de contingência e mitigação”, considera.

FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Pesquisador André Akira Yoshikawa, doutorando em Biologia Celular e Desenvolvimento da UFSC, é o principal autor do estudo que descreve o método inovador de identificação de algas nocivas em ecossistemas aquáticos. Foto: Gustavo Diehl/Agecom/UFSC

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