O reitor da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), José Fernando Fragalli, conversou com a Secretaria de Comunicação (Secom) da Universidade e fez um balanço das principais realizações da gestão neste ano – e os desafios daqui para a frente.
Fragalli falou sobre internacionalização, plano de carreiras, políticas de apoio ao esporte e ao empreendedorismo, comunicação, ações afirmativas, parcerias com a Secretaria da Educação, obras, 60 anos da Udesc entre outros assuntos.
Confira a entrevista:
Secom: Em relação à internacionalização e novas perspectivas de cooperação, houve a ida recente à China para o início da cooperação entre universidades de cidades canais, além da ida do Pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação à China para acordos de cooperação, a missão da Abruem na Nova Zelândia, a participação da Udesc no Fórum dos Reitores das Universidades da Rússia, Brasil e Bielorrússia e no Fórum dos Reitores das Universidades do Brics. O professor poderia comentar sobre estas missões internacionais, para o avanço da internacionalização da Udesc?
Reitor: É importante ressaltar que a internacionalização é vital, especialmente para a pós-graduação na Universidade, mas não só. A Udesc já tem uma tradição com o Prome, que é uma marca da Udesc, quando enviamos estudantes dos nossos cursos para fora do país. Na pós-graduação é vital porque, sem a internacionalização, a gente estagna nas notas 5, e queremos chegar nas notas 6 e no 7 [nível máximo de excelência internacional para Programas de Pós-Graduação (PPGs) no Brasil atribuído pela Capes], por isso procuramos desde o início colocar como ordem do dia a questão da internacionalização. E a melhor forma de fazer isso é firmar termos de cooperação, mas na nossa ideia, a melhor forma mesmo é que nasça dos pesquisadores. Na experiência indo para a Nova Zelândia, por exemplo, vimos isso. Já existe uma colaboração entre docentes da Udesc e docentes pesquisadores de universidades neozelandesas. Já existe o trabalho, agora vamos para o passo seguinte, que é a assinatura de termos de cooperação e depois, naturalmente, haverá troca de estudantes, a vinda de neozelandeses, a ida de brasileiros. A mesma coisa com a China, um país em franco desenvolvimento e com desejos de estabelecer vínculos com universidades que queiram ser parceiras. Então, o professor Pezzin [pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação] esteve junto com a missão de Laguna em março, e agora, fomos para o lançamento dessa cooperação entre cidades canais. E não fomos apenas nós, foram universidades do mundo inteiro.
A ideia das universidades dos BRICS é muito importante também, porque além da China, também abrangerá países como Rússia, África do Sul, que é um país a ser explorado no sentido de fazer colaboração, porque está no Sul, é próximo, tem uma língua mais simples do que a chinesa e do que a russa. Portanto, tem uma dificuldade menor. E, enfim, temos identidades com a África do Sul, que é um país dos BRICS também. Então, a ida ao Rio de Janeiro [para o Fórum dos Reitores das Universidades da Rússia, Brasil e Bielorrússia e Fórum dos Reitores das Universidades do Brics] foi também para consolidar essas participações. E agora vamos ao passo seguinte, que é exatamente fazer os termos de colaboração.
Secom: Neste contexto da internacionalização e da qualidade da universidade no Brasil e no mundo, a Udesc tem se destacado nos rankings - pelo 7º ano consecutivo permaneceu no ranking internacional Times Higher Education (THE 2026), recentemente houve a divulgação do ranking do Estadão com quatro cursos nota máxima, teve também a nota máxima pelo MEC e a presença da Udesc no ranking da Folha de SP como 8ª melhor universidade estadual brasileira, o que também demonstra toda a qualidade e potencial da universidade.
Reitor: Sobre os rankings é evidente que nós não devemos perseguir a melhora pela melhora, na verdade o trabalho é que nos colocará nos melhores rankings, nas melhores colocações, o trabalho desenvolvido em sala de aula, nos laboratórios, na pesquisa, na extensão. Então, o que nós pensamos sobre isso? Há muito que ser melhorado. Evidente, vou pegar o ranking da Folha, que nos coloca na oitava colocação das estaduais. É difícil a nossa comparação com a USP, com a Unicamp, com a Unesp, com as universidades paulistas. E, no entanto, a gente fica bem-posicionado. Então, isso mostra que o trabalho desenvolvido, que nos coloca no ranking, faz com que nossa posição seja de destaque, mas a gente quer mais. E onde a gente pode melhorar? Entendemos que, mesmo que tenhamos um excelente nível de ensino, nós devemos melhorar porque a geração de estudantes que adentra a Universidade, é uma geração que vive uma outra realidade do ponto de vista tecnológico. Então, é importante que a gente persiga essas metodologias de ensino no sentido de que os estudantes se motivem e queiram aprender mais e mais, porque a nossa biblioteca, as nossas salas de aula, os nossos professores e professoras, isso a gente garante. Só que é preciso que a metodologia favoreça, a Proen está conduzindo um estudo piloto para currículos inovadores. Então, mais importante do que a nossa colocação, é o como chegar lá. Isso mostra que desde as gestões anteriores da Universidade, o trabalho tem sido desenvolvido no sentido de cada vez mais melhorarmos. E o ranking é consequência do trabalho desenvolvido por toda a comunidade acadêmica, incluindo certamente os estudantes.
Secom: Outro ponto, prof. Fragalli, é a questão da valorização do esporte universitário. Foi aprovada nesse ano no Consuni a Política de Esporte Universitário, incluindo também a participação muito expressiva da comunidade acadêmica em competições esportivas universitárias, a participação da Udesc nos jogos mundiais, a oferta de atividades esportivas para o campus I, entre outras ações. Então se o professor puder comentar sobre esse tema, que consideramos bem marcante neste ano.
Reitor: No nosso entendimento, a gente olha a Universidade sobre todos os aspectos. E aí tem as questões que mesmo não sendo o core e objetivo central da universidade, sem elas, nós não nos caracterizamos como universidade, que são as artes, a cultura e o esporte. O esporte é essencial na vida social e essencial na vida acadêmica, completando a ciência, a tecnologia, as artes e a cultura. A questão, por exemplo, que faltava para a Universidade é uma política para o esporte. Temos pessoas muito capacitadas, como um centro que trata a questão do esporte como fazendo parte do seu núcleo básico, que no caso é o Cefid. Então, olhando a experiência da Udesc Cefid, principalmente ali tem especialistas na área de esporte de alto rendimento, psicologia do esporte, enfim, tudo que diz respeito a atingir a maturidade do esporte. Faltava-nos isso e o nosso pró-reitor de Extensão, na época o professor Terezo, liderou a construção dessa resolução e agora o desafio é colocá-la em prática. Tem a questão da bolsa atleta, de uma coordenação de esporte que ficaria dentro da Proex, exatamente refletindo a política de esporte. O caminho é a construção dessas identidades todas, o esporte é uma delas, não há dúvida.
Algo que nós devemos cuidar, por exemplo, é de ginásio de esporte em todos os centros. A nossa ideia é, na medida do possível, estimular as direções gerais, havendo espaço físico dentro do seu campus, promovendo a ideia da construção de uma área de esportes porque isso faz toda a diferença. Aqui no Campus 1 nós não temos e estamos pensando em utilizar numa área. E em todos os campi, onde houver espaço, a gente tem que pensar em ter o ginásio próprio, porque não há dúvidas que a comunidade acadêmica abraça o esporte. O esporte não é só ganhar as medalhas, é uma política de integração do estudante, uma política de fazer com que o estudante melhore o seu rendimento acadêmico a partir das práticas esportivas. Eu tive a minha experiência como diretor de centro [na Udesc Joinville] e vi que não é um luxo ter um ginásio, ter professor de educação física. É uma necessidade, porque é onde você vê realmente um espaço de integração. E as pessoas disputam, brincam, jogam, se exercitam, melhoram seu rendimento e todo mundo ganha. Então a política do esporte vem nesse sentido de fazer com que o esporte se integre à vida acadêmica.
Secom: Além da Política de Esporte, houve recentemente a aprovação da Política de Empreendedorismo no Consuni. Na sua visão, que avanços teremos nesta área a partir desta aprovação?
Reitor: É fundamental que, frente ao mundo atual, a gente desenvolva em todos os nossos cursos conceitos de empreendedorismo. Hoje o mundo mudou muito e há muito espaço para que o próprio estudante, ao final do seu curso, empreenda. E ele vai empreender melhor se ele aprender durante a sua vida acadêmica como empreender, os desafios do empreendedorismo. Por isso que a aprovação da nossa política de empreendedorismo, na última reunião do Consuni, foi para nós um ganho muito grande, porque vai colocar a universidade alinhada com o mundo atual que demanda por gente que empreende. Evidente que não é para todos os cursos, mas aos cursos mais voltados para os serviços, mais voltados para a tecnologia, é vital. Mas eu diria que todo mundo ganha entendendo como empreender.
Quando você junta o empreendedorismo com a inovação, você está dando um passo além e um passo muito mais qualificado, porque você vai estar trabalhando na fronteira, bem na fronteira dos mercados e sendo observado por inúmeros atores. Então, a inovação também deve ser desenvolvida ao longo da vida acadêmica. Porque existem vários tipos de inovação. Então, também são políticas que a gente tem que ter, porque não adianta fugir do mundo real que a gente existe, o mundo exige gente que empreenda e exige gente que inove. A universidade também tem que abrir um canal para esse estudante que, além de empreender, deseja inovar. Então, políticas de inovação e políticas de empreendedorismo são vitais para uma universidade moderna, no mundo moderno.
Secom: Em relação à permanência estudantil, a Udesc também avança para a construção de uma política voltada à moradia estudantil. Teve também o lançamento do RU em Laguna e, segundo a Pró-Reitoria de Planejamento, foram servidas mais de 455 mil refeições para estudantes neste ano, em todos os RUs da Udesc (entre almoços e jantares).
Reitor: A meta é aumentar a presença de restaurante universitário nos campi onde ele não existe. Na Udesc Lages está sendo construído um espaço próprio para o RU, como é o nosso aqui [em Florianópolis, no Itacorubi], como é o de Joinville. E a ideia é que isso ocorra em todos os campi. Há dificuldades localizadas. Em Chapecó agora começou a construção do prédio da Enfermagem, e com a ida da Enfermagem para o bairro Santo Antônio o passo seguinte já previsto é a construção de um espaço comum onde haverá um RU. O campus de Ibirama foi reformulado e também há um espaço para RU nessa nova reforma. Em São Bento do Sul, também temos demanda dos prédios que estão pela sua recuperação, então também havendo a remodelação desses prédios, haverá espaço para um RU. E em Balneário Camboriú também é preciso avançar em algumas questões de obras para o RU. A ideia nossa foi avançar na política dos RUs e tivemos alguns sucessos, principalmente como o citado de Laguna. E acho que é muito importante elogiar a direção-geral, porque ela encontrou uma solução muito boa, pelo menos nos relatos que a gente tem, os estudantes estão muito satisfeitos com a solução dada pela direção geral. Ou seja, fica claro que é uma parceria entre a direção geral e a reitoria. A mesma coisa está sendo em Lages, Ibirama e em Chapecó.
A outra política, que é a questão da moradia, o Consuni criou uma comissão e está levantando dados e vendo qual é a melhor solução. Nossa primeira visão é a aquisição de residências e adaptação para moradia. Essa é uma solução. E vamos ver o que a comissão diz e o que o Consuni aprova. Ainda estamos levantando os números para ver qual é a nossa real demanda e, a partir da nossa real demanda, escolher a política, seja pela aquisição, seja pela construção, seja por um pouco de ambos, e até pelo pagamento do aluguel que nós fazemos hoje.
Secom: E o tema da permanência se conecta também ao das ações afirmativas, que está com sua política em debate no Consuni. Recentemente, o tema ganhou repercussão nacional com o Projeto de Lei nº 753/2025 da Alesc. A Udesc se posicionou, também junto às demais universidades públicas de Santa Catarina.
Reitor: Havia uma comissão constituída pelo reitor Baretta [gestão 2020-2024] que entregou um documento final que nós entendemos que era possível de ser reestudado. Isso foi em abril de 2024 e ao longo de todo esse período de 2024 até agora, o documento tramitou nos conselhos. E sempre com a discussão aberta. Já houve uma discussão da comissão anterior, iniciou-se em 2019. Claro, houve a pandemia, você tira os dois anos da pandemia, são quatro anos de discussão. A discussão houve, com a comissão que elaborou e depois, como manda o nosso regimento e de forma muito transparente, o processo está aberto. Foi tramitando em todas as câmaras do Consuni até chegar ao Consuni e pronto para ser para ser deliberado, para que a universidade escolha o que ela quer com uma ação afirmativa.
Há um retrocesso na proposta dessa lei votada na semana passada [Projeto de Lei nº 753/2025 da Alesc]. A gestão entende que o PL é inconstitucional, que fere exatamente o conceito de autonomia universitária. Evidente isso, não somos só nós, o Ministério Público estadual, o Ministério da Igualdade Racial, a Defensoria Pública, vários agentes vão atacar a lei pelos seus aspectos.
Para nós, a proposta que está discutida ao longo de todo esse tempo [Política de Ações Afirmativas], é uma proposta que traz como essência a equidade. Evidentemente que o mérito é fundamental. Então, a proposta tenta combinar questões de mérito com questões de equidade, levando em conta que sim, existem setores vulneráveis, e isso é um largo estudo científico que trata desse assunto. Não são escolhas aleatórias, são escolhas baseadas em ciência, em dados, e levando em conta exatamente que existem categorias vulneráveis.
Ficamos muito felizes por receber apoio de inúmeras universidades e associações universitárias que estão com o mesmo entendimento que a Udesc sobre o que são ações afirmativas. Então, nós entendemos que não estamos sozinhos nesse passo de letramento do que significa ações afirmativas. O que me parece que é muito claro é que as pessoas, de maneira geral, não entendem o que é a ação afirmativa. O letramento, portanto, é super necessário. E vamos, então, caminhar para esse letramento. É fundamental dizer que ações afirmativas fazem da Udesc uma universidade melhor. A gente quer ser uma universidade onde não haja discriminação, onde não haja preconceitos estruturais e nem negar que eles existem.
Secom: Prof. Fragalli, e em relação à aprovação no Consuni das atualizações no Plano de Carreiras, e encaminhamentos do VRV e Vale, poderia comentar sobre o assunto?
Reitor: A universidade se consolidou mesmo, enquanto universidade, a partir do plano de carreira que foi aprovado em 2000 e, em decorrência do estatuto, o plano de carreira de 2006. Quase 20 anos, então evidentemente que o plano construído em 2006 se defasou. E foi isso que nós levamos ao Governo do Estado, levamos ao GGG [Grupo Gestor de Governo], exatamente a necessidade de termos não um novo plano, mas correções no plano que foi construído em 2006, no sentido de colocar a universidade na terceira década do século 21. Ou seja, temos que incorporar toda a questão da inteligência artificial, das novas tecnologias, isso não estava expresso no plano. Então, a primeira questão foi a necessidade das correções para colocar a Universidade na modernidade, digamos assim. Está sendo muito bem dialogado com o Governo do Estado e a nossa expectativa é que ao longo do primeiro semestre de 2026, ele saia do Governo e vá para a Assembleia para a aprovação.
O VRV foi aprovado em 2024 e foi implantado em 2025. As correções de 10% no VRV e 10% no Vale. Após isso, nós passamos a discutir, porque houve defasagens, as correções para o ano de 2026. Estamos também na mesma perspectiva do plano, de que seja acatado pelo GGG e depois vá à Assembleia.
Secom: Com relação à demanda de pessoal, está em finalização a realização do concurso para 40 docentes, e para o ano que vem será realizado o concurso de 40 técnicos, com previsão de lançamento do edital em janeiro. Quais as perspectivas para esta área?
Reitor: O concurso está muito aquém da nossa necessidade, reconhecemos isso. O concurso para técnicos e docentes foi uma vitória parcial. Mas por outro lado, nós conseguimos um bom avanço com o Governo do Estado com a reposição de vagas por conta de aposentadorias - 21 vagas de técnicos. Eles saem da nossa folha e, portanto, colocar outros 21 na folha é uma soma zero. Somados aos 23 técnicos do ano passado, já são 44 e vamos à luta, já que já se aposentaram outros 18 técnicos, então no ano que vem vamos atrás dessa reposição. Essa é uma política que temos conseguido.
Secom: Prof. Fragalli, e sobre a questão da Autonomia Universitária? Neste ano a universidade esteve à frente dos seminários nacionais junto a outras universidades brasileiras, e também esteve à frente de uma publicação sobre o tema.
Reitor: Nós preferimos esse ano dar vazão ao Plano [de Carreiras dos servidores] e agora no ano de 2026 nós vamos voltar a dar foco para a autonomia. E aí é uma questão de mostrar ao Governo do Estado e à Assembleia Legislativa o quão benéfico será termos uma lei orgânica que disciplina a nossa autonomia. A autonomia já é constitucional, não temos dúvida quanto a isso. Uma lei orgânica ajuda a instrumentalizar a autonomia, eliminando barreiras ou que possam dificultar o fluxo normal dos nossos processos. Evidentemente, a gente sempre salienta, autonomia não é soberania. A gente não quer ser soberano, a gente quer ter autonomia para melhor ajudar, melhor participar da vida do estado de Santa Catarina, contribuindo para o seu desenvolvimento, tanto econômico quanto social. Por isso que a lei orgânica é importante, porque ela desamarra alguns processos. Queremos novamente ter um diálogo com a Assembleia Legislativa, um diálogo com o Governo para que os processos fluam de forma mais rápida. O que a autonomia nos permitirá é exatamente esse fluxo mais rápido nos processos das demandas internas da Universidade. Então, isso vai ser posto ao longo do ano de 2026.
Nós iniciamos o processo de discussão da autonomia universitária a nível de Brasil, começamos ainda em 2024 e depois houve seminários ao longo de 2024 e 2025. Fomos à Brasília no seminário nacional e ali tivemos um destaque, porque lideramos a região Sul e falamos em nome da região Sul. Conversamos também com deputados e senadores, porque era um momento em que havia sido aprovado o Sistema Nacional de Educação. Então, nós aproveitamos esse momento para inserir a discussão sobre autonomia universitária dentro do Plano Nacional de Educação. E culminou com a nossa ida à São Paulo, fomos gentilmente convidados pela USP para fazer parte desse evento. Foi muito importante. A gente se sentiu protagonista dos processos. Novamente, é importante ressaltar, já que você falou do livro que a gente editou, mas havia um livro anterior, editado pela professora Sandra Ramalho, pelo professor Peter Johann Bürger e pelo professor Rogério Braz, que é a nossa bússola no sentido da retomada da autonomia. E esse livro, além de ser a nossa bússola, também serve de referência para as demais universidades que estão ainda, no nosso ponto de vista, um pouco atrás em relação à autonomia universitária.
Secom: Em 2025 teve também o Summit PDI, como mais uma etapa de preparação para o novo PDI da Udesc.
Reitor: O Summit foi muito importante, a partir dele se construirá o próximo plano de desenvolvimento institucional. Foi uma construção coletiva, muito participativo e o evento em si foi intenso. Ficamos lá o dia todo, com uma metodologia onde todos pudemos falar de todos os temas e agora isso vai convergir para a escrita do PDI em 2026, e depois a avaliação.
Secom: Neste ano a Udesc aprofundou algumas parcerias com a Secretaria de Educação (SED), na disponibilização de recursos para a compra de ônibus escolares e livros didáticos. Como o professor vê a importância desta parceria?
Reitor: Essa é uma opção de gestão. É preciso ter claro que dada a dificuldade de alocarmos recursos para pagamento de pessoal, por exemplo, entendemos claramente que não conseguiríamos utilizar todo o nosso orçamento. Então, é melhor, na nossa visão, designarmos recursos para um investimento nos nossos eventuais futuros alunos, portanto, colocar esses R$ 37,5 milhões na SED, que é a nossa parceira, ou devolveríamos esses R$ 37,5 para o estado. Pensamos de uma maneira estratégica, colocar esses recursos numa área totalmente afim. E nas discussões com a secretária, professora Luciane Ceretta e com a sua equipe de administração, a melhor solução foi designar esse ano para ônibus escolares e para livros didáticos. Realmente você percebe que a Udesc está fazendo parte da comunidade.
Secom: Prof. Fragalli, e falando sobre comunicação, neste ano houve um empenho bastante grande da gestão em relação às campanhas da Udesc nas emissoras de TV e rádio, além de avanços na comunicação interna e junto à divulgação da ciência. Gostaria de comentar sobre o assunto?
Reitor: A comunicação é central. E não adianta, não se faz comunicação com robôs, ou até se faz, mas não é nosso caso. Nós fazemos comunicação com pessoas qualificadas. E os centros também têm que perceber essa necessidade. Eu vejo com bons olhos, por exemplo, Joinville, que tem três pessoas dedicadas ao jornalismo, além da Rádio. Então, isso é o caminho. Temos que convencer os diretores a entender que a comunicação é importante. Então a ideia é que cada centro observe e veja a necessidade de ter uma equipe de comunicação de forma a não depender da Secom, da Reitoria. Então, melhor ter um jornalista em Laguna do que alguém aqui assumir a comunicação em Laguna, não faz sentido. As rádios, precisamos avançar na estrutura física.
E a questão da comunicação externa, em rádios e TVs dando a visibilidade que a Udesc merece, acho que foi um grande marco da nossa gestão, talvez a melhor marca esse ano. E com profissionalismo, você vê nos filmes e na locução. Dá gosto de ver. Isso me enche de orgulho. E o que realmente mais me deixa feliz é o olhar da comunidade interna. Do ponto de vista da comunidade se enxergar e perceber, 'que legal, eu trabalho lá, trabalho nesse lugar’. Isso para mim não tem preço. Gera pertencimento.
Secom: Estamos concluindo 2025 com muitas ações comemorativas pelos 60 anos da Udesc, desde as solenidades oficiais, homenagens, a realização do FIK (Festival Internacional de Arte e Cultura José Luiz Kinceler) em Florianópolis e em diversos campus da Universidade, corrida de rua, o show comemorativo na Beira-Mar Norte agora em dezembro...
Reitor: Quando a gente assumiu e viu a perspectiva de que 2005 seria um número redondo, a gente já tomou a ideia de fazer isso como uma marca. Claro, você tem as solenidades oficiais, a abertura dos 60 anos que foi no CIC em maio, a homenagem da Alesc para a Udesc, que foi em agosto. E aproveitamos a ideia do FIK itinerante. E no meio do processo surgiu ‘por que não fazer um grande show, da Udesc para a comunidade?’. Então a ideia era essa e depois as circunstâncias nos levaram até o Ney Matogrosso, que aí virou uma enorme cereja no bolo. E é muito fundamental dizer o trabalho da vice-reitora, da professora Clerilei, que abraçou essa ideia e também da Isadora da coordenadoria de eventos que operacionalizou tudo isso.
Operacionalizou a construção da ideia de todo o show. Fundamental dizer que houve uma retaguarda de todo o setor administrativo, não é fácil organizar eventos itinerantes, não é fácil organizar um show daquela envergadura. Porque tem que ter parceria com a Prefeitura e tudo mais. A Universidade abraçou o show, isso que é muito importante. Novamente se sentiu com gosto de dizer "olha, eu trabalho nessa universidade, eu estudo nessa universidade". Então, é o que queríamos, que as pessoas se reconhecessem. E para isso é fundamental dizer que há um trabalho de retaguarda gigantesco. Tivemos muitos percalços, mas acho que todo mundo abraçou e valeu a pena. “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”, dizia Fernando Pessoa.
FONTE/CRÉDITOS: UDESC
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Reitor da Udesc, José Fernando Fragalli - foto: Carlito Costa/Udesc
Folha de Florianópolis
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