Seu Portal de Notícias

Aguarde, carregando...

Sexta-feira, 16 de Janeiro 2026
Reitor da Udesc faz balanço do ano e destaca principais ações da gestão em 2025

Entrevista
95 Acessos

Reitor da Udesc faz balanço do ano e destaca principais ações da gestão em 2025

Em entrevista, José Fragalli falou de várias áreas da universidade

IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

O reitor da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), José Fernando Fragalli, conversou com a Secretaria de Comunicação (Secom) da Universidade e fez um balanço das principais realizações da gestão neste ano – e os desafios daqui para a frente. 

Fragalli falou sobre internacionalização, plano de carreiras, políticas de apoio ao esporte e ao empreendedorismo, comunicação, ações afirmativas, parcerias com a Secretaria da Educação, obras, 60 anos da Udesc entre outros assuntos. 

Confira a entrevista:

Secom: Em relação à internacionalização e novas perspectivas de cooperação, houve a ida recente à China para o início da cooperação entre universidades de cidades canais, além da ida do Pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação à China para acordos de cooperação, a missão da Abruem na Nova Zelândia, a participação da Udesc no Fórum dos Reitores das Universidades da Rússia, Brasil e Bielorrússia e no Fórum dos Reitores das Universidades do Brics. O professor poderia comentar sobre estas missões internacionais, para o avanço da internacionalização da Udesc?

Reitor: É importante ressaltar que a internacionalização é vital, especialmente para a pós-graduação na Universidade, mas não só. A Udesc já tem uma tradição com o Prome, que é uma marca da Udesc, quando enviamos estudantes dos nossos cursos para fora do país. Na pós-graduação é vital porque, sem a internacionalização, a gente estagna nas notas 5, e queremos chegar nas notas 6 e no 7 [nível máximo de excelência internacional para Programas de Pós-Graduação (PPGs) no Brasil atribuído pela Capes], por isso procuramos desde o início colocar como ordem do dia a questão da internacionalização. E a melhor forma de fazer isso é firmar termos de cooperação, mas na nossa ideia, a melhor forma mesmo é que nasça dos pesquisadores. Na experiência indo para a Nova Zelândia, por exemplo, vimos isso. Já existe uma colaboração entre docentes da Udesc e docentes pesquisadores de universidades neozelandesas. Já existe o trabalho, agora vamos para o passo seguinte, que é a assinatura de termos de cooperação e depois, naturalmente, haverá troca de estudantes, a vinda de neozelandeses, a ida de brasileiros. A mesma coisa com a China, um país em franco desenvolvimento e com desejos de estabelecer vínculos com universidades que queiram ser parceiras. Então, o professor Pezzin [pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação] esteve junto com a missão de Laguna em março, e agora, fomos para o lançamento dessa cooperação entre cidades canais. E não fomos apenas nós, foram universidades do mundo inteiro. 

A ideia das universidades dos BRICS é muito importante também, porque além da China, também abrangerá países como Rússia, África do Sul, que é um país a ser explorado no sentido de fazer colaboração, porque está no Sul, é próximo, tem uma língua mais simples do que a chinesa e do que a russa. Portanto, tem uma dificuldade menor. E, enfim, temos identidades com a África do Sul, que é um país dos BRICS também. Então, a ida ao Rio de Janeiro [para o Fórum dos Reitores das Universidades da Rússia, Brasil e Bielorrússia e Fórum dos Reitores das Universidades do Brics] foi também para consolidar essas participações. E agora vamos ao passo seguinte, que é exatamente fazer os termos de colaboração.

Secom: Neste contexto da internacionalização e da qualidade da universidade no Brasil e no mundo, a Udesc tem se destacado nos rankings - pelo 7º ano consecutivo permaneceu no ranking internacional Times Higher Education (THE 2026), recentemente houve a divulgação do ranking do Estadão com quatro cursos nota máxima, teve também a nota máxima pelo MEC e a presença da Udesc no ranking da Folha de SP como 8ª melhor universidade estadual brasileira, o que também demonstra toda a qualidade e potencial da universidade.

Reitor: Sobre os rankings é evidente que nós não devemos perseguir a melhora pela melhora, na verdade o trabalho é que nos colocará nos melhores rankings, nas melhores colocações, o trabalho desenvolvido em sala de aula, nos laboratórios, na pesquisa, na extensão. Então, o que nós pensamos sobre isso? Há muito que ser melhorado. Evidente, vou pegar o ranking da Folha, que nos coloca na oitava colocação das estaduais. É difícil a nossa comparação com a USP, com a Unicamp, com a Unesp, com as universidades paulistas. E, no entanto, a gente fica bem-posicionado. Então, isso mostra que o trabalho desenvolvido, que nos coloca no ranking, faz com que nossa posição seja de destaque, mas a gente quer mais. E onde a gente pode melhorar? Entendemos que, mesmo que tenhamos um excelente nível de ensino, nós devemos melhorar porque a geração de estudantes que adentra a Universidade, é uma geração que vive uma outra realidade do ponto de vista tecnológico. Então, é importante que a gente persiga essas metodologias de ensino no sentido de que os estudantes se motivem e queiram aprender mais e mais, porque a nossa biblioteca, as nossas salas de aula, os nossos professores e professoras, isso a gente garante. Só que é preciso que a metodologia favoreça, a Proen está conduzindo um estudo piloto para currículos inovadores. Então, mais importante do que a nossa colocação, é o como chegar lá. Isso mostra que desde as gestões anteriores da Universidade, o trabalho tem sido desenvolvido no sentido de cada vez mais melhorarmos. E o ranking é consequência do trabalho desenvolvido por toda a comunidade acadêmica, incluindo certamente os estudantes.

Secom: Outro ponto, prof. Fragalli, é a questão da valorização do esporte universitário. Foi aprovada nesse ano no Consuni a Política de Esporte Universitário, incluindo também a participação muito expressiva da comunidade acadêmica em competições esportivas universitárias, a participação da Udesc nos jogos mundiais, a oferta de atividades esportivas para o campus I, entre outras ações. Então se o professor puder comentar sobre esse tema, que consideramos bem marcante neste ano.

Reitor: No nosso entendimento, a gente olha a Universidade sobre todos os aspectos. E aí tem as questões que mesmo não sendo o core e objetivo central da universidade, sem elas, nós não nos caracterizamos como universidade, que são as artes, a cultura e o esporte. O esporte é essencial na vida social e essencial na vida acadêmica, completando a ciência, a tecnologia, as artes e a cultura. A questão, por exemplo, que faltava para a Universidade é uma política para o esporte. Temos pessoas muito capacitadas, como um centro que trata a questão do esporte como fazendo parte do seu núcleo básico, que no caso é o Cefid. Então, olhando a experiência da Udesc Cefid, principalmente ali tem especialistas na área de esporte de alto rendimento, psicologia do esporte, enfim, tudo que diz respeito a atingir a maturidade do esporte. Faltava-nos isso e o nosso pró-reitor de Extensão, na época o professor Terezo, liderou a construção dessa resolução e agora o desafio é colocá-la em prática. Tem a questão da bolsa atleta, de uma coordenação de esporte que ficaria dentro da Proex,  exatamente refletindo a política de esporte. O caminho é a construção dessas identidades todas, o esporte é uma delas, não há dúvida. 

Algo que nós devemos cuidar, por exemplo, é de ginásio de esporte em todos os centros. A nossa ideia é, na medida do possível, estimular as direções gerais, havendo espaço físico dentro do seu campus, promovendo a ideia da construção de uma área de esportes porque isso faz toda a diferença. Aqui no Campus 1 nós não temos e estamos pensando em utilizar numa área. E em todos os campi, onde houver espaço, a gente tem que pensar em ter o ginásio próprio, porque não há dúvidas que a comunidade acadêmica abraça o esporte. O esporte não é só ganhar as medalhas, é uma política de integração do estudante, uma política de fazer com que o estudante melhore o seu rendimento acadêmico a partir das práticas esportivas. Eu tive a minha experiência como diretor de centro [na Udesc Joinville] e vi que não é um luxo ter um ginásio, ter professor de educação física. É uma necessidade, porque é onde você vê realmente um espaço de integração. E as pessoas disputam, brincam, jogam, se exercitam, melhoram seu rendimento e todo mundo ganha. Então a política do esporte vem nesse sentido de fazer com que o esporte se integre à vida acadêmica.

Secom: Além da Política de Esporte, houve recentemente a aprovação da Política de Empreendedorismo no Consuni. Na sua visão, que avanços teremos nesta área a partir desta aprovação?

Reitor: É fundamental que, frente ao mundo atual, a gente desenvolva em todos os nossos cursos conceitos de empreendedorismo. Hoje o mundo mudou muito e há muito espaço para que o próprio estudante, ao final do seu curso, empreenda. E ele vai empreender melhor se ele aprender durante a sua vida acadêmica como empreender, os desafios do empreendedorismo. Por isso que a aprovação da nossa política de empreendedorismo, na última reunião do Consuni, foi para nós um ganho muito grande, porque vai colocar a universidade alinhada com o mundo atual que demanda por gente que empreende. Evidente que não é para todos os cursos, mas aos cursos mais voltados para os serviços, mais voltados para a tecnologia, é vital. Mas eu diria que todo mundo ganha entendendo como empreender. 

Quando você junta o empreendedorismo com a inovação, você está dando um passo além e um passo muito mais qualificado, porque você vai estar trabalhando na fronteira, bem na fronteira dos mercados e sendo observado por inúmeros atores. Então, a inovação também deve ser desenvolvida ao longo da vida acadêmica. Porque existem vários tipos de inovação. Então, também são políticas que a gente tem que ter, porque não adianta fugir do mundo real que a gente existe, o mundo exige gente que empreenda e exige gente que inove. A universidade também tem que abrir um canal para esse estudante que, além de empreender, deseja inovar. Então, políticas de inovação e políticas de empreendedorismo são vitais para uma universidade moderna, no mundo moderno. 

Secom: Em relação à permanência estudantil, a Udesc também avança para a construção de uma política voltada à moradia estudantil. Teve também o lançamento do RU em Laguna e, segundo a Pró-Reitoria de Planejamento, foram servidas mais de 455 mil refeições para estudantes neste ano, em todos os RUs da Udesc (entre almoços e jantares).

Reitor: A meta é aumentar a presença de restaurante universitário nos campi onde ele não existe. Na Udesc Lages está sendo construído um espaço próprio para o RU, como é o nosso aqui [em Florianópolis, no Itacorubi], como é o de Joinville. E a ideia é que isso ocorra em todos os campi. Há dificuldades localizadas. Em Chapecó agora começou a construção do prédio da Enfermagem, e com a ida da Enfermagem para o bairro Santo Antônio o passo seguinte já previsto é a construção de um espaço comum onde haverá um RU. O campus de Ibirama foi reformulado e também há um espaço para RU nessa nova reforma. Em São Bento do Sul, também temos demanda dos prédios que estão pela sua recuperação, então também havendo a remodelação desses prédios, haverá espaço para um RU. E em Balneário Camboriú também é preciso avançar em algumas questões de obras para o RU. A ideia nossa foi avançar na política dos RUs e tivemos alguns sucessos, principalmente como o citado de Laguna. E acho que é muito importante elogiar a direção-geral, porque ela encontrou uma solução muito boa, pelo menos nos relatos que a gente tem, os estudantes estão muito satisfeitos com a solução dada pela direção geral. Ou seja, fica claro que é uma parceria entre a direção geral e a reitoria. A mesma coisa está sendo em Lages, Ibirama e em Chapecó. 

A outra política, que é a questão da moradia, o Consuni criou uma comissão e está levantando dados e vendo qual é a melhor solução. Nossa primeira visão é a aquisição de residências e adaptação para moradia. Essa é uma solução. E vamos ver o que a comissão diz e o que o Consuni aprova. Ainda estamos levantando os números para ver qual é a nossa real demanda e, a partir da nossa real demanda, escolher a política, seja pela aquisição, seja pela construção, seja por um pouco de ambos, e até pelo pagamento do aluguel que nós fazemos hoje.

Secom: E o tema da permanência se conecta também ao das ações afirmativas, que está com sua política em debate no Consuni. Recentemente, o tema ganhou repercussão nacional com o Projeto de Lei nº 753/2025 da Alesc. A Udesc se posicionou, também junto às demais universidades públicas de Santa Catarina

Reitor: Havia uma comissão constituída pelo reitor Baretta [gestão 2020-2024] que entregou um documento final que nós entendemos que era possível de ser reestudado. Isso foi em abril de 2024 e ao longo de todo esse período de 2024 até agora, o documento tramitou nos conselhos. E sempre com a discussão aberta. Já houve uma discussão da comissão anterior, iniciou-se em 2019. Claro, houve a pandemia, você tira os dois anos da pandemia, são quatro anos de discussão. A discussão houve, com a comissão que elaborou e depois, como manda o nosso regimento e de forma muito transparente, o processo está aberto. Foi tramitando em todas as câmaras do Consuni até chegar ao Consuni e pronto para ser para ser deliberado, para que a universidade escolha o que ela quer com uma ação afirmativa. 

Há um retrocesso na proposta dessa lei votada na semana passada [Projeto de Lei nº 753/2025 da Alesc]. A gestão entende que o PL é inconstitucional, que fere exatamente o conceito de autonomia universitária. Evidente isso, não somos só nós, o Ministério Público estadual, o Ministério da Igualdade Racial, a Defensoria Pública, vários agentes vão atacar a lei pelos seus aspectos.

Para nós, a proposta que está discutida ao longo de todo esse tempo [Política de Ações Afirmativas], é uma proposta que traz como essência a equidade. Evidentemente que o mérito é fundamental. Então, a proposta tenta combinar questões de mérito com questões de equidade, levando em conta que sim, existem setores vulneráveis, e isso é um largo estudo científico que trata desse assunto. Não são escolhas aleatórias, são escolhas baseadas em ciência, em dados, e levando em conta exatamente que existem categorias vulneráveis.

Ficamos muito felizes por receber apoio de inúmeras universidades e associações universitárias que estão com o mesmo entendimento que a Udesc sobre o que são ações afirmativas. Então, nós entendemos que não estamos sozinhos nesse passo de letramento do que significa ações afirmativas. O que me parece que é muito claro é que as pessoas, de maneira geral, não entendem o que é a ação afirmativa. O letramento, portanto, é super necessário. E vamos, então, caminhar para esse letramento. É fundamental dizer que ações afirmativas fazem da Udesc uma universidade melhor. A gente quer ser uma universidade onde não haja discriminação, onde não haja preconceitos estruturais e nem negar que eles existem.

Secom: Prof. Fragalli, e em relação à aprovação no Consuni das atualizações no Plano de Carreiras, e encaminhamentos do VRV e Vale, poderia comentar sobre o assunto?

Reitor: A universidade se consolidou mesmo, enquanto universidade, a partir do plano de carreira que foi aprovado em 2000 e, em decorrência do estatuto, o plano de carreira de 2006. Quase 20 anos, então evidentemente que o plano construído em 2006 se defasou. E foi isso que nós levamos ao Governo do Estado, levamos ao GGG [Grupo Gestor de Governo], exatamente a necessidade de termos não um novo plano, mas correções no plano que foi construído em 2006, no sentido de colocar a universidade na terceira década do século 21. Ou seja, temos que incorporar toda a questão da inteligência artificial, das novas tecnologias, isso não estava expresso no plano. Então, a primeira questão foi a necessidade das correções para colocar a Universidade na modernidade, digamos assim. Está sendo muito bem dialogado com o Governo do Estado e a nossa expectativa é que ao longo do primeiro semestre de 2026, ele saia do Governo e vá para a Assembleia para a aprovação.

O VRV foi aprovado em 2024 e foi implantado em 2025. As correções de 10% no VRV e 10% no Vale. Após isso, nós passamos a discutir, porque houve defasagens, as correções para o ano de 2026. Estamos também na mesma perspectiva do plano, de que seja acatado pelo GGG e depois vá à Assembleia. 

Secom: Com relação à demanda de pessoal, está em finalização a realização do concurso para 40 docentes, e para o ano que vem será realizado o concurso de 40 técnicos, com previsão de lançamento do edital em janeiro. Quais as perspectivas para esta área?

Reitor: O concurso está muito aquém da nossa necessidade, reconhecemos isso. O concurso para técnicos e docentes foi uma vitória parcial. Mas por outro lado, nós conseguimos um bom avanço com o Governo do Estado com a reposição de vagas por conta de aposentadorias - 21 vagas de técnicos. Eles saem da nossa folha e, portanto, colocar outros 21 na folha é uma soma zero. Somados aos 23 técnicos do ano passado, já são 44 e vamos à luta, já que já se aposentaram outros 18 técnicos, então no ano que vem vamos atrás dessa reposição. Essa é uma política que temos conseguido.

Secom: Prof. Fragalli, e sobre a questão da Autonomia Universitária? Neste ano a universidade esteve à frente dos seminários nacionais junto a outras universidades brasileiras, e também esteve à frente de uma publicação sobre o tema.

Reitor: Nós preferimos esse ano dar vazão ao Plano [de Carreiras dos servidores] e agora no ano de 2026 nós vamos voltar a dar foco para a autonomia. E aí é uma questão de mostrar ao Governo do Estado e à Assembleia Legislativa o quão benéfico será termos uma lei orgânica que disciplina a nossa autonomia. A autonomia já é constitucional, não temos dúvida quanto a isso. Uma lei orgânica ajuda a instrumentalizar a autonomia, eliminando barreiras ou que possam dificultar o fluxo normal dos nossos processos. Evidentemente, a gente sempre salienta, autonomia não é soberania. A gente não quer ser soberano, a gente quer ter autonomia para melhor ajudar, melhor participar da vida do estado de Santa Catarina, contribuindo para o seu desenvolvimento, tanto econômico quanto social. Por isso que a lei orgânica é importante, porque ela desamarra alguns processos. Queremos novamente ter um diálogo com a Assembleia Legislativa, um diálogo com o Governo para que os processos fluam de forma mais rápida. O que a autonomia nos permitirá é exatamente esse fluxo mais rápido nos processos das demandas internas da Universidade. Então, isso vai ser posto ao longo do ano de 2026. 

Nós iniciamos o processo de discussão da autonomia universitária a nível de Brasil, começamos ainda em 2024 e depois houve seminários ao longo de 2024 e 2025. Fomos à Brasília no seminário nacional e ali tivemos um destaque, porque lideramos a região Sul e falamos em nome da região Sul. Conversamos também com deputados e senadores, porque era um momento em que havia sido aprovado o Sistema Nacional de Educação. Então, nós aproveitamos esse momento para inserir a discussão sobre autonomia universitária dentro do Plano Nacional de Educação. E culminou com a nossa ida à São Paulo, fomos gentilmente convidados pela USP para fazer parte desse evento. Foi muito importante. A gente se sentiu protagonista dos processos. Novamente, é importante ressaltar, já que você falou do livro que a gente editou, mas havia um livro anterior, editado pela professora Sandra Ramalho, pelo professor Peter Johann Bürger e pelo professor Rogério Braz, que é a nossa bússola no sentido da retomada da autonomia. E esse livro, além de ser a nossa bússola, também serve de referência para as demais universidades que estão ainda, no nosso ponto de vista, um pouco atrás em relação à autonomia universitária.

Secom: Em 2025 teve também o Summit PDI, como mais uma etapa de preparação para o novo PDI da Udesc. 

Reitor:
 O Summit foi muito importante, a partir dele se construirá o próximo plano de desenvolvimento institucional. Foi uma construção coletiva, muito participativo e o evento em si foi intenso. Ficamos lá o dia todo, com uma metodologia onde todos pudemos falar de todos os temas e agora isso vai convergir para a escrita do PDI em 2026, e depois a avaliação.

Secom: Neste ano a Udesc aprofundou algumas parcerias com a Secretaria de Educação (SED), na disponibilização de recursos para a compra de ônibus escolares e livros didáticos. Como o professor vê a importância desta parceria?

Reitor: Essa é uma opção de gestão. É preciso ter claro que dada a dificuldade de alocarmos recursos para pagamento de pessoal, por exemplo, entendemos claramente que não conseguiríamos utilizar todo o nosso orçamento. Então, é melhor, na nossa visão, designarmos recursos para um investimento nos nossos eventuais futuros alunos, portanto, colocar esses R$ 37,5 milhões na SED, que é a nossa parceira, ou devolveríamos esses R$ 37,5 para o estado. Pensamos de uma maneira estratégica, colocar esses recursos numa área totalmente afim. E nas discussões com a secretária, professora Luciane Ceretta e com a sua equipe de administração, a melhor solução foi designar esse ano para ônibus escolares e para livros didáticos. Realmente você percebe que a Udesc está fazendo parte da comunidade.

Secom: Prof. Fragalli, e falando sobre comunicação, neste ano houve um empenho bastante grande da gestão em relação às campanhas da Udesc nas emissoras de TV e rádio, além de avanços na comunicação interna e junto à divulgação da ciência. Gostaria de comentar sobre o assunto?

Reitor: A comunicação é central. E não adianta, não se faz comunicação com robôs, ou até se faz, mas não é nosso caso. Nós fazemos comunicação com pessoas qualificadas. E os centros também têm que perceber essa necessidade. Eu vejo com bons olhos, por exemplo, Joinville, que tem três pessoas dedicadas ao jornalismo, além da Rádio. Então, isso é o caminho. Temos que convencer os diretores a entender que a comunicação é importante. Então a ideia é que cada centro observe e veja a necessidade de ter uma equipe de comunicação de forma a não depender da Secom, da Reitoria. Então, melhor ter um jornalista em Laguna do que alguém aqui assumir a comunicação em Laguna, não faz sentido. As rádios, precisamos avançar na estrutura física. 

E a questão da comunicação externa, em rádios e TVs dando a visibilidade que a Udesc merece, acho que foi um grande marco da nossa gestão, talvez a melhor marca esse ano. E com profissionalismo, você vê nos filmes e na locução. Dá gosto de ver. Isso me enche de orgulho. E o que realmente mais me deixa feliz é o olhar da comunidade interna. Do ponto de vista da comunidade se enxergar e perceber, 'que legal, eu trabalho lá, trabalho nesse lugar’. Isso para mim não tem preço. Gera pertencimento. 

Secom:  Estamos concluindo 2025 com muitas ações comemorativas pelos 60 anos da Udesc, desde as solenidades oficiais, homenagens, a realização do FIK (Festival Internacional de Arte e Cultura José Luiz Kinceler) em Florianópolis e em diversos campus da Universidade, corrida de rua, o show comemorativo na Beira-Mar Norte agora em dezembro...

Reitor: Quando a gente assumiu e viu a perspectiva de que 2005 seria um número redondo, a gente já tomou a ideia de fazer isso como uma marca. Claro, você tem as solenidades oficiais, a abertura dos 60 anos que foi no CIC em maio, a homenagem da Alesc para a Udesc, que foi em agosto. E aproveitamos a ideia do FIK itinerante. E no meio do processo surgiu ‘por que não fazer um grande show, da Udesc para a comunidade?’. Então a ideia era essa e depois as circunstâncias nos levaram até o Ney Matogrosso, que aí virou uma enorme cereja no bolo. E é muito fundamental dizer o trabalho da vice-reitora, da professora Clerilei, que abraçou essa ideia e também da Isadora da coordenadoria de eventos que operacionalizou tudo isso.

Operacionalizou a construção da ideia de todo o show. Fundamental dizer que houve uma retaguarda de todo o setor administrativo, não é fácil organizar eventos itinerantes, não é fácil organizar um show daquela envergadura. Porque tem que ter parceria com a Prefeitura e tudo mais. A Universidade abraçou o show, isso que é muito importante. Novamente se sentiu com gosto de dizer "olha, eu trabalho nessa universidade, eu estudo nessa universidade". Então, é o que queríamos, que as pessoas se reconhecessem. E para isso é fundamental dizer que há um trabalho de retaguarda gigantesco. Tivemos muitos percalços, mas acho que todo mundo abraçou e valeu a pena. “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”, dizia Fernando Pessoa.

FONTE/CRÉDITOS: UDESC
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Reitor da Udesc, José Fernando Fragalli - foto: Carlito Costa/Udesc
Comentários:
Redação

Publicado por:

Redação

A Folha de Florianópolis nasceu, no ano de 2018, na rede social no facebook (www.facebook.com/folha.floripa/), em dezembro de 2019, o site do Portal, entrou no ar, levando notícias em geral, Colunas, Artigo e Opinião, entrevista. Nosso missão é...

Saiba Mais

/Dê sua opinião

De onde você acessa o Portal Folha de Florianópolis? (Where do you access the Folha de Florianópolis Portal from?)

Nossas notícias no celular

Receba as notícias do Folha de Florianópolis no seu app favorito de mensagens.

Whatsapp
Entrar
Folha de Florianópolis ( sua empresa aqui)
Aplicativo do Portal Folha de Florianópolis

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
WhatsApp Folha de Florianópolis
Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )