A educação financeira é um tema de extrema relevância para o desenvolvimento saudável das famílias brasileiras. No entanto, muitos lares ainda enfrentam desafios quando o assunto é dinheiro. O alto endividamento, o consumo por impulso, as novas formas de crédito e as apostas online mostram que precisamos ampliar essa conversa dentro de casa.
O cenário atual é preocupante. Segundo a CNC, 82% das famílias brasileiras estavam endividadas em julho de 2026, o maior nível da série histórica. A inadimplência chegou a 29,8%, enquanto, em média, 29,5% da renda das famílias estava comprometida com dívidas. O cartão de crédito, segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, continua sendo o principal responsável pelo endividamento, presente em 85,3% dos casos.
O endividamento pode estar relacionado ao fácil acesso ao crédito, à falta de planejamento, ao consumo impulsivo e à ausência de conhecimento financeiro. Mas o problema não está apenas no dinheiro que entra ou sai: está também nas decisões que tomamos.
O tabu em torno de falar sobre dinheiro em família
Falar sobre dinheiro ainda é um tabu para muitas famílias. Muitas vezes, os filhos não conhecem a realidade financeira da casa, os pais evitam conversar sobre dívidas e decisões importantes são tomadas sem diálogo.
Além disso, carregamos crenças financeiras aprendidas dentro da própria família. Frases como “dinheiro é difícil”, “rico é quem ganha muito” ou “precisamos aproveitar enquanto podemos” podem influenciar comportamentos durante toda a vida. Por isso, reconhecer essas crenças é essencial para construir uma relação mais saudável com o dinheiro.
A dificuldade de dizer não aos filhos
Outro ponto importante é que os pais frequentemente têm dificuldade em dizer “não” aos filhos quando o assunto é consumo. O desejo de oferecer aquilo que não tiveram pode transformar o dinheiro em uma forma de demonstrar amor.
Ensinar que nem tudo pode ser comprado imediatamente, que é preciso fazer escolhas e que desejos podem esperar também é educação financeira.
Mais do que ensinar a economizar, precisamos ensinar prioridades, responsabilidade e consequências.
Além disso, o mundo digital trouxe novas possibilidades, mas também novos riscos. O Banco Central estimou que cerca de 24 milhões de pessoas físicas participaram de apostas online, movimentando, em média, R$ 20,8 bilhões por mês entre janeiro e agosto de 2024.
Isso reforça a importância de conversar com crianças, adolescentes e adultos sobre consumo, crédito, risco, publicidade, apostas e decisões financeiras.
Vamos a algumas dicas para inserir a educação financeira na família:
· Inicie cedo: ensine sobre dinheiro, economia e a diferença entre necessidades e desejos.
· Estabeleça metas financeiras em conjunto: envolva a família nas decisões e objetivos.
· Promova o diálogo: permita que todos falem sobre dinheiro, preocupações e planos.
· Ensine habilidades práticas: planejamento, orçamento, poupança, consumo consciente e investimentos podem fazer parte do cotidiano.
· Seja exemplo: os filhos aprendem muito observando o comportamento dos adultos.
· Busque conhecimento: livros, cursos, conteúdos e profissionais especializados podem ajudar a família a acelerar esse processo.
Os benefícios da educação financeira familiar vão muito além de organizar as contas. Ela contribui para desenvolver autonomia, reduzir o estresse financeiro, melhorar hábitos de consumo e preparar crianças e adultos para tomar decisões mais conscientes.
Educação financeira não é apenas ensinar sobre dinheiro. É ensinar sobre escolhas, prioridades e futuro. E essa aprendizagem começa dentro de casa.
*Diego Angelos é educador e consultor financeiro, palestrante, escritor e professor. Mestre em Tecnologias Emergentes na Educação, é fundador da.brio – Equilíbrio Financeiro e idealizador do Encontro Gaúcho de Educação Financeira. Conselheiro da APOEF - Instagram: @diegoangelos.brio | @apoefoficial
Folha de Florianópolis
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