O Brasil carrega uma desigualdade histórica profunda, que é retratada com sensibilidade na canção “A Novidade”, de Gilberto Gil e Paralamas do Sucesso. Um de seus versos diz: “De um lado esse carnaval, do outro a fome total”, uma frase que sintetiza os dois extremos que convivem lado a lado em nosso país.
Diante desse cenário, queremos engajar principalmente os mais humildes a compreenderem que Educação Financeira também é uma ferramenta de sobrevivência e transformação social. Não se trata apenas de números, mas de consciência, planejamento e dignidade.
Combater a desigualdade passa, necessariamente, pela democratização da Educação Financeira. Quando ampliamos o acesso à informação, criamos oportunidades mais justas e possibilitamos realizações concretas para todos.
Independentemente de quanto ganhamos — se somos pobres ou ricos — o objetivo é mostrar que qualquer pessoa pode aprender a cuidar do seu dinheiro e até empreender, desde que tenha acesso a informação adequada à sua realidade. Dinheiro e negócios não devem ser assuntos restritos a poucos. Pelo contrário, são temas que dizem respeito a todos.
Quando alguém desenvolve conhecimento em finanças e empreendedorismo, as oportunidades começam a surgir. E mesmo quem vive em regiões menos favorecidas passa a enxergar caminhos antes invisíveis. Surge o estudo consistente, o trabalho próspero e o reconhecimento pelo esforço. A oportunidade simplesmente não “bate à porta”; ela encontra aqueles que se preparam, mesmo em meio às dificuldades.
A Educação Financeira — bandeira que defendo com todas as minhas forças — tem o poder de empoderar pessoas. Ela promove decisões conscientes, fortalece projetos de vida e gera realizações reais, não ilusões passageiras.
Quem aprende a organizar suas finanças passa a viver dentro de suas condições, evitando o endividamento desnecessário e respeitando as etapas do próprio crescimento. Com planejamento, cada projeto ganha direção e propósito.
Há um ensinamento antigo que continua atual: antes de construir uma torre, é preciso sentar, calcular os custos e avaliar se há recursos suficientes para concluir a obra. Esse princípio nos lembra que planejamento não é luxo — é responsabilidade.
Dessa forma, a Educação Financeira não elimina todos os desafios sociais, mas oferece ferramentas para enfrentá-los com mais preparo, autonomia e esperança!
Clayton Schnepper é presidente da APOEF, sócio fundador da Nortear Educação Financeira, especialista em Educação Financeira, palestrante, escritor e associado da APOEF.
Instagram: @claytonschnepper | @apoefoficial
Folha de Florianópolis
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