Natal em Florianópolis sempre foi mais do que luzes e decoração.
É encontro entre o mar, o calor de dezembro e pessoas que chegam para visitar, recomeçar ou ficar.
Mas este fim de ano carrega um debate que vai além da celebração.
Recentemente, o prefeito Topázio Neto se posicionou publicamente sobre o aumento de pessoas vindas de outras cidades para morar em Florianópolis. Segundo a prefeitura, ações de controle passaram a ser feitas na rodoviária, com foco em quem chega sem trabalho, moradia ou vínculos com a cidade. A medida gerou repercussão, apoio de alguns setores e críticas de outros, inclusive do Ministério Público, que questionou possíveis violações ao direito de ir e vir.
Esse tipo de discussão não é nova. Em outros momentos da história recente, Floripa já debateu crescimento acelerado, migração, ocupação urbana, turismo em excesso e pressão sobre serviços públicos. A diferença é que agora o debate acontece em voz alta e nas redes.
A pergunta que fica não é apenas quem pode chegar, mas que tipo de cidade queremos ser.
Como alguém que veio de fora e escolheu Florianópolis para viver, observo esse cenário com atenção e respeito. Crescimento traz desafios reais: mobilidade, moradia, serviços, convivência. Ignorar isso não ajuda.
Mas reduzir pessoas a “problemas” também não constrói soluções.
O Natal, nesse contexto, ganha outro significado. Ele nos convida a pausar, olhar para o outro e refletir sobre pertencimento. Cidade não é só infraestrutura é gente, histórias, trajetórias diferentes dividindo o mesmo espaço.
Floripa sempre foi ponte.
Ponte entre culturas, sotaques e modos de viver.
Talvez o desafio esteja menos em controlar quem chega e mais em planejar como convivemos. Com responsabilidade, sim. Mas também com humanidade.
Que este Natal, entre luzes e debates, nos ajude a lembrar que toda cidade viva é feita de encontros e que crescer não precisa significar excluir.
Folha de Florianópolis
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