O Brasil reflete profundas transformações que o mercado financeiro tem criado ultimamente.Desde abertura de contas de forma online, até movimentações e centralização de dados financeiros para facilitar o controle e as ofertas comerciais em melhores condições.
Antigamente, abrir uma conta exigia visitas a agências e pilhas de papéis. Hoje, com poucos cliques em aplicativos, de fintechs e cooperativas a bancos tradicionais, é possível comparar ofertas simultaneamente.
E isso se tornou possível a partir do aprimoramento de sistemas, uso de inteligência artificial e compartilhamento de dados, consolidando o conceito de "super app" financeiro: portabilidade de salário em segundos e sugestões de investimento personalizadas. Na prática, isso se traduz em empréstimos mais baratos para adquirir bens, reformar a casa ou alavancar negócios.
O Open Finance, implementado pelo Banco Central desde 2021, permite que instituições compartilhem informações, como saldos, transações e histórico de crédito, mediante consentimento explícito do cliente. Em 2026, já em fase avançada, o sistema impacta milhões de pessoas, alterando a forma como operamos contas e tomamos decisões.
Funciona assim: você autoriza o compartilhamento de seus dados de uma instituição para outra, e essa pode verificar os produtos que você autorizou, como crédito, investimentos ou seguros. Essa outra instituição pode fazer ofertas em melhores condições, aumentando a concorrência de forma transparente e saudável.
Estudos do Banco Central apontam reduções de juros de até 21% em modalidades específicas, como o crédito consignado. A personalização tornou-se o diferencial competitivo: com a análise de dados, as instituições oferecem cashback e limites dinâmicos baseados no perfil real de consumo.
Uma outra vantagem importante é que com o open finance é possível consolidar a movimentação de várias contas pelo app de uma única instituição, através do agregador financeiro, o que facilita o controle.
Outra funcionalidade que transformou o mercado financeiro foi o PIX. Com ele, os meios de pagamentos e transferências são mais dinâmicos, não há mais desculpas para não pagar uma conta, se não levou o cartão, o celular está na mão. Atualmente, existem mais de 900 milhões de chaves Pix cadastradas no Brasil, entre números de documentos, e-mails, telefones e chaves aleatórias. Ou seja, praticamente todo mundo usa PIX.
Só que com isso, as transações financeiras ficaram mais visíveis e rastreáveis. A Receita Federal intensificou a fiscalização de operações digitais. A partir de 2026, sistemas de Inteligência Artificial cruzam entradas e saídas bancárias com o Imposto de Renda declarado, identificando discrepâncias que podem resultar em notificações e autuações de quem movimenta mais do que declara.
No entanto, as facilidades exigem cautela. As tentativas de fraude estão em todos os lugares: em sites falsos, mensagens por whatsapp, e-mails com links maliciosos, "ofertas imperdíveis" com desconto gigante no PIX se traduzindo em vendas falsas.
Para prevenir golpes e uso indevido de dados, alguns cuidados são importantes:
- Use o Registrato do BC: para monitorar todas as contas e dívidas vinculadas ao seu CPF. Se alguém usou seus documentos para abrir uma conta, aparecerá aqui;
- Gestão de dados: monitore seus consentimentos ativos diretamente no aplicativo do seu banco principal.
- Pesquise de quem você está comprando: buscas no Google com IA sobre empresas podem identificar tentativas de golpe.
- Compre com cartão de crédito: os valores com PIX, mesmo que menores, expõem a uma fragilidade de que o dinheiro já foi. Se a compra é feita com cartão, pode ser contestada.
As facilidades digitais, como o Open Finance e o PIX, são ferramentas poderosas de gestão. Transforme a tecnologia em aliada para sustentar as suas movimentações financeiras de forma segura e organizada.
Fontes:
- Relatório de Cidadania Financeira (2025): Pix e contas digitais na bancarização da população de baixa renda.
- Agenda de Inovação e Estudos Especiais (2025): Impacto da portabilidade de crédito.
- Série Global Findex - O Brasil na comparação internacional: Banco Mundial sobre bancarização.
- Centro de Estudos de Microfinanças e Inclusão Financeira da FGV: atuação de fintechs na inclusão social e econômica no SFN.
- FEBRABAN (Federação Brasileira de Bancos): Dados sobre a concorrência bancária.
Folha de Florianópolis
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