Quantas vezes você já disse: “O que Fulano me fala entra por um ouvido e sai pelo outro”?
Ouvir é um ato biológico, ocorre sem esforço ou atenção. No nosso cotidiano, ouvimos o estrondo sônico de um trovão, o sussurrar das folhas ao vento, o tilintar de copos na cozinha, o murmúrio distante da cidade, o marulho encantador e relaxante das ondas quebrando no costão.
O significado de ouvir está relacionado ao sentido da audição, ou seja, é o que o ouvido percebe; ocorre independentemente da vontade, a menos que se tape os ouvidos. Quando alguém diz "ouvi, mas não escutei", revela uma desconexão profunda com seu interlocutor. Isso é a prova de que algumas palavras, apesar de serem ditas, não conseguem tocar nossa essência – são unicamente ecos invisíveis que entram em nossos ouvidos, e que nos passam despercebidos.
Enquanto ouvir é simplesmente captar sons; escutar é um ato profundo – “Fala que eu te escuto!”.
Escutar é abrir os ouvidos e o coração, prestando atenção ao mundo ao nosso redor e às histórias que ele tem a contar; escutar é ouvir com atenção e intenção.
A palavra ‘escutar’ vem do latim excuțĭre, cujo significado é ‘ouvir atentamente’. Escutar é uma arte – vai muito além de ouvir ruídos, requer um engajamento ativo com a mensagem recebida, trata-se de compreender os sentimentos, os anseios e as intenções por trás do que é dito.
Ao falarmos sobre ouvir versus escutar, encontramos diferentes aspectos da comunicação. Ouvir é uma ação passiva, na qual os sons apenas chegam até nós sem que demos a eles muita ou nenhuma atenção. Por outro lado, escutar é um processo ativo que requer atenção, foco e esforço para compreender a mensagem. Ao escutarmos, estabelecemos uma ligação mais profunda com o comunicador e com o que está sendo comunicado, possibilitando-nos uma interpretação mais rica e relevante do conteúdo. Desse modo, enquanto ouvir é perceber, escutar é mergulhar fundo nas águas profundas da comunicação.
Assim, escutar implica ouvir; o contrário, entretanto, nem sempre é verdadeiro. Quem escuta, ouve; porém, quem ouve não necessariamente escuta.
Você já parou para pensar o quão importante é, na sua vida e na dos que lhe cercam, parar o ruído que invade seus ouvidos sem lhe pedir permissão e efetivamente escutar o que merece chegar à sua mente e ao seu coração?
Saber escutar é uma habilidade que pode ser desenvolvida com o tempo e a prática... talvez você já seja um excelente ‘escutador’... mas, se ainda não o é, que tal começar a praticar a escuta ativa? Com exercício consciente, essa habilidade se transforma, permitindo conexões profundas e verdadeiras entre as pessoas.
“Quanto mais esquecido de si mesmo está quem escuta, tanto mais fundo se grava nele a coisa escutada”, diz Walter Benjamin.
Pense nisso!
Escuta ativa – o que é, sua importância, benefícios, práticas e técnicas, e muito mais... nos próximos capítulos 😉
Rosangela Calza
Fontes
FAOUR, Carla. A arte de escutar. Rio de Janeiro: Agir, 2009.
NAVARRO, Pedro. Escucha activa: técnicas prácticas para convertirte en un experto. 2017. Disponível em: https://habilidadsocial.com/escucha-activa/. Acesso em: 4 fev. 2026.
Folha de Florianópolis
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