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Terça-feira, 23 de Junho 2026
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Quando a violência vira paisagem
Coluna da Camile
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Quando a violência vira paisagem

O caso do cachorro Orelha não é apenas sobre um animal.

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O caso do cachorro Orelha não é apenas sobre um animal.
É sobre nós.

Sobre a sociedade que assiste, comenta, compartilha… e segue em frente como se fosse mais uma manchete qualquer. Orelha foi ferido, abandonado, exposto à dor e isso não pode ser tratado como um fato isolado ou como uma curiosidade de rede social.

Porque quem é capaz de machucar um animal indefeso também é capaz de ultrapassar outras fronteiras.

A violência nunca começa grande. Ela começa onde há silêncio. Onde há omissão. Onde se normaliza o sofrimento alheio.

O que assusta não é apenas o ato em si, mas a naturalidade com que muitos lidam com ele. Como se a crueldade fosse parte da rotina urbana. Como se indignação tivesse prazo de validade.

Orelha escancara uma pergunta incômoda:
que tipo de cidade estamos construindo quando o abandono e a agressão passam a ser tolerados?

Não se trata de “defender só animais”. Trata-se de defender valores básicos: empatia, responsabilidade, civilidade. Uma sociedade que falha em proteger os mais vulneráveis, sejam eles humanos ou não.

Não basta lamentar.
Não basta postar.
Não basta se revoltar por 24 horas.

É preciso cobrar. Denunciar. Fiscalizar. Exigir políticas públicas, punições reais e educação. Porque enquanto casos como o de Orelha continuarem se repetindo, estaremos normalizando o inaceitável.

Orelha não é só um cachorro ferido.
É um espelho desconfortável da nossa indiferença.

E talvez a maior ferida não esteja no corpo dele 
mas na consciência coletiva que insiste em cicatrizar rápido demais.

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Camile Joana Sperb Secco

Publicado por:

Camile Joana Sperb Secco

Camile Joana, 25 anos, é publicitária e mestranda em Engenharia da Mídia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde pesquisa comunicação digital com foco em acessibilidade em museus brasileiros sob a perspectiva semiótica.

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