Agosto chega e, com ele, as vitrines se enchem de sugestões de presentes para o Dia dos Pais. Perfumes, roupas, ferramentas, relógios... É natural querer homenagear quem faz parte da nossa história, mas, enquanto observava toda essa movimentação, uma pergunta ficou na minha cabeça: Qual é a herança mais valiosa que um pai pode deixar?
Muita gente responderia sem pensar duas vezes: uma casa, um terreno, um bom patrimônio ou uma situação financeira confortável. Tudo isso tem valor. Mas existe uma herança que não aparece em inventários e, muitas vezes, permanece por muito mais tempo: o exemplo.
Vivemos uma época em que a figura paterna ocupa espaço nas notícias por motivos preocupantes. Pais que abandonam os filhos, deixam de cumprir suas responsabilidades ou se tornam apenas uma lembrança distante na vida da família. Essa realidade existe e não deve ser ignorada, mas ela não conta toda a história.
Também existem homens que acordam cedo todos os dias para trabalhar, enfrentam dificuldades, fazem escolhas difíceis e seguem presentes, mesmo quando a vida não acontece como imaginaram.
Nem sempre conseguem oferecer tudo o que gostariam, mas continuam oferecendo aquilo que nenhum dinheiro consegue comprar: presença. E presença também educa.
Muito antes de aprender sobre orçamento, investimentos ou planejamento financeiro, uma criança aprende observando os adultos que convivem com ela.
Percebe como eles tratam o dinheiro. Como enfrentam as dificuldades. Como cumprem compromissos. Como lidam com as frustrações. Como respeitam limites.
Sem perceber, vai construindo sua própria relação com o dinheiro e com a responsabilidade.
Talvez seja por isso que educação financeira comece muito antes da primeira mesada. Ela começa dentro de casa. Nas conversas, escolhas e exemplos.
É claro que toda família gostaria de deixar segurança financeira para as próximas gerações, mas nem todos conseguirão construir um grande patrimônio.
Ainda assim, todo pai pode deixar algo extremamente valioso. Honestidade. Responsabilidade. Compromisso. Respeito. Trabalho. Esses valores também são uma forma de herança.
Neste Dia dos Pais, talvez o melhor presente não seja apenas um objeto. Talvez seja reconhecer aquele homem que esteve presente, que fez o melhor que pôde com os recursos que tinha e que ajudou a construir uma base segura para sua família.
Porque imóveis podem ser vendidos e dinheiro pode acabar, mas o exemplo de um pai continua influenciando decisões muito tempo depois que os filhos se tornam adultos. Essa talvez seja a herança mais valiosa de todas.
Gilmara Gonzalez atua na interface entre comportamento humano e finanças. É Terapeuta Financeira Integrativa. Associada à APOEF. Coautora dos livros Dinheiro com Propósito e Mulher Virtuosa. Colunista e palestrante. @financas.virtuosas | @apoefoficial
Folha de Florianópolis
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se