Florianópolis não é um destino turístico por acaso. Porque é desejada. E muito! O erro histórico da cidade não foi apostar no turismo, mas tratá-lo como vocação espontânea, e não como indústria estratégica. Quando isso ocorre, o resultado é um só. Crescimento sem estrutura, pressão urbana constante e riqueza concentrada em poucos períodos do ano.
Em diversas partes do mundo, o turismo deixou de ser compreendido apenas como atividade de lazer. Tornou-se política econômica. Destinos maduros entenderam que atrair visitantes é apenas o primeiro passo. O verdadeiro desafio está em organizar impactos, distribuir benefícios e transformar fluxo em desenvolvimento duradouro.
O que vemos e sentimos hoje, é que o turismo na capital catarinense opera de forma fragmentada. Hotelaria, alimentação, transporte, eventos, comércio, serviços, mercado imobiliário, economia criativa e tecnologia coexistem, mas não funcionam como uma cadeia integrada. A consequência é uma economia sazonal, com picos intensos no verão e longos períodos de ociosidade.
No plano urbano, os efeitos se tornam ainda mais evidentes. Durante a alta temporada, mobilidade, saneamento, limpeza urbana e serviços públicos operam no limite. Fora desse período, parte relevante da infraestrutura permanece subutilizada. Não se trata de excesso de turistas, mas de ausência de estratégia.
Além de nossas fronterias, experiências internacionais mostram que o ponto de virada ocorre quando o turismo passa a ser governado como sistema econômico. Isso significa ir além do Marketing. Exige coordenação entre setores, definição de metas, uso consistente de dados, continuidade institucional e capacidade de decisão.
Não é de hoje que Floripa sente esse tensionamento. O avanço desordenado do aluguel por temporada pressiona o mercado imobiliário, altera a dinâmica dos bairros e afasta moradores. Ignorar essa relação fragiliza qualquer discurso sério sobre desenvolvimento turístico.
Nos falta uma inteligência econômica integrada. Destinos líderes operam com dados e indicadores claros e públicos. Decidir política pública sem medir efeitos é governar no escuro.
Precisamos aprender a tratar turismo como indústria, e significa capturar valor para reinvesti-lo no nosso território. Nos muitos destinos de sucesso, mecanismos vinculados ao turismo financiam infraestrutura urbana, mobilidade sazonal e preservação ambiental.
Contudo, há ainda uma oportunidade estratégica pouco explorada. Reduzir a dependência exclusiva do turismo de lazer e fortalecer segmentos como eventos, negócios, saúde, educação, inovação, tecnologia e esporte.
Florianópolis já venceu a disputa pela atratividade. E com folga! Afinal, somos a capital mais segura do país. Agora precisa vencer a disputa pela governança. Turismo não é só vocação. É política econômica aplicada ao território.
Jogo que segue…
Guga Dias
Treinador Corporativo e Mentor
Advogado Especialista em Propriedade Intelectual
CEO do GDN | Posicionamento, Estratégia e Performance Empresarial
Instagram: @gugavdias
X: @augustodias
Folha de Florianópolis
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