Em uma sociedade
2025, no Brasil, foram registrados
mais de 546 mil afastamentos por saúde mental, um recorde pela segunda vez em 10 anos
O cenário atual contribui diretamente para esse tipo de adoecimento. A busca constante por alta performance no trabalho, aliada à necessidade de demonstrar uma vida feliz e bem-sucedida nas redes sociais, cria um ambiente de pressão contínua. Um levantamento da American Psychological Association aponta que mais de 60% dos adultos relatam sentir níveis elevados de estresse relacionados ao trabalho e à pressão por produtividade. Já estudos publicados no Journal of Social and Clinical Psychology indicam que o uso excessivo de redes sociais está associado ao aumento de sintomas depressivos, especialmente pela comparação constante com a vida idealizada dos outros.
“Existe uma cobrança implícita de que precisamos dar conta de tudo: ser produtivos, felizes, saudáveis, bem-sucedidos. Quando a pessoa não consegue sustentar esse padrão, ela internaliza a sensação de fracasso, mesmo que externamente esteja tudo ‘indo bem’”, acrescenta o médico.
Quando o “dar conta” vira um peso
Entre os principais sinais da depressão funcional estão o cansaço constante, a sensação de vazio, dificuldade de sentir prazer, irritabilidade e uma rotina vivida no piloto automático. Ainda assim, a pessoa segue cumprindo suas obrigações, o que muitas vezes mascara a gravidade do quadro. De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, a negligência desses sintomas pode agravar o quadro ao longo do tempo, aumentando o risco de crises mais severas de depressão e ansiedade.
Falar sobre saúde mental ainda é essencial
O médico reforça que reconhecer os sinais e buscar ajuda profissional são passos fundamentais. A psicoterapia e, quando necessário, o acompanhamento psiquiátrico, são ferramentas importantes para lidar com o quadro. “Além disso, criar espaços de escuta, reduzir a autocobrança e estabelecer limites na rotina são medidas que contribuem para a prevenção. Nem sempre quem parece forte está bem. Por isso, é importante olhar com mais empatia para si e para o outro. A saúde mental precisa ser tratada com a mesma seriedade que a saúde física”, completa o psiquiatra César Augusto.

Folha de Florianópolis
Comentários: