Em Florianópolis, uma iniciativa do Instituto Estadual de Educação (IEE) vem chamando atenção por transformar a cidade em um espaço ativo de aprendizagem, conectando história, tecnologia e memória urbana em uma experiência que ultrapassa os limites da sala de aula tradicional.
O projeto @floripa_26, idealizado e organizado pelo professor de História Dr. Gil Karlos Ferri, surge a partir da convergência de três marcos históricos que se encontram em 2026: os 300 anos da antiga Desterro (1726), os 200 anos da invenção da fotografia moderna, associada a Joseph Nicéphore Niépce, e os 100 anos da Ponte Hercílio Luz. O nome do projeto faz referência tanto à linguagem das redes sociais quanto a esses anos históricos que se cruzam simbolicamente no presente.
A proposta envolve estudantes da 3ª série do Ensino Médio em uma maratona histórico-fotográfica que transforma a capital catarinense em um verdadeiro laboratório vivo. Após aulas preparatórias sobre a formação histórica da cidade, o impacto da fotografia e a importância da ponte como marco de integração territorial, os alunos participam de saídas de campo até a Ponte Hercílio Luz, onde produzem registros fotográficos autorais.
O resultado final é a produção de vídeos curtos, no formato das redes sociais, reunindo fotografias e narrativas produzidas pelos próprios alunos. A escolha dessa linguagem amplia o engajamento e aproxima o processo educativo do cotidiano dos jovens, estimulando participação ativa e senso de pertencimento.
O retorno dos estudantes evidencia o impacto da experiência. “Eu sempre tive a ideia de que a educação precisa sempre ser tão intuitiva e profunda quanto ela puder, para que o conhecimento que nós deveriamos adquirir chegue até a gente de uma forma natural, tão curiosa e fascinante quanto ela é e, tendo em mente de que nem sempre isso é possível dentro de uma sala de aula por seus diversos motivos, sair e visualizar a ponte e sua história mais de perto é exatamente o que faz o aprendizado acontecer, acredito que isso é o que faz o ensino continuar vivo para sempre”, relata Gustavo Rodrigues de Oliveira, da turma 309 do IEE.
Ao sair do espaço físico da escola e ocupar a cidade como campo de investigação, o @floripa_26 contribui para uma formação mais ampla, na qual o conhecimento é construído por meio da observação, da experiência e da produção autoral. Mais do que aprender sobre a história, os alunos passam a vivenciá-la, registrá-la e compartilhá-la.
Iniciativas como essa evidenciam o potencial de práticas pedagógicas inovadoras, capazes de integrar diferentes áreas do conhecimento e fortalecer o vínculo entre juventude, patrimônio e memória coletiva, reafirmando o papel da educação como instrumento de formação crítica e cidadã.

Folha de Florianópolis
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