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Segunda-feira, 18 de Maio 2026
O caso “Kalu” e a nova era da dúvida digital entre inteligência artificial, pessoas e marcas

Tecnologia & Inovação
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O caso “Kalu” e a nova era da dúvida digital entre inteligência artificial, pessoas e marcas

Por: Charles Aparecido Pereira Gonçalves

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A internet vive um momento em que a linha entre realidade e inteligência artificial se torna cada vez mais difícil de identificar. Nos últimos anos, a evolução das ferramentas de IA permitiu criar imagens, vídeos, vozes e até personagens extremamente convincentes, capazes de gerar engajamento, emoção e milhões de visualizações nas redes sociais. E foi justamente nesse cenário que o caso “Kalu” ganhou força internacionalmente.

O jovem conhecido pelo perfil @kaluputics passou a chamar atenção nas redes sociais por produzir looks utilizando materiais descartados, como sapatos velhos, plástico, tecidos rasgados e sucata. A estética visual, somada à originalidade das produções, despertou curiosidade em milhões de pessoas e abriu um debate que vai muito além da moda: afinal, Kalu é real ou criado por inteligência artificial?

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Link:https://www.instagram.com/kaluputics/?hl=pt-br 

A repercussão foi tão intensa que chegou até a apresentadora Eliana Michaelichen, que comentou na quinta-feira (14/05) o assunto em uma publicação no Instagram. Sem alterar suas palavras, Eliana disse: “Você já viu esse menino? Ele tem 15 anos, vive na Etiópia e cria looks tão impressionantes com sucata que deixou o mundo da moda aos seus pés”.

Ela detalha a repercussão em torno do jovem e a simplicidade de sua produção: “Tá todo mundo curioso para saber quem é Kalu Putic, um jovem cheio de talento que está causando um alvoroço nas redes sociais. Ele não tem estúdio, não tem tecidos caríssimos, tem aquilo que às vezes a gente descarta: plástico, sapatos velhos, arame, tampinha, tecidos rasgados... Mas essas coisas simples, nas mãos dele, viram looks incríveis, gente, que parecem saídos de uma passarela em Paris”.

Também relata as tentativas de contato das grandes marcas com o jovem e destaca a postura dele: “Dizem que as marcas foram atrás. O Instagram pediu para destacá-lo. Ele leu tudo e não respondeu nada. Com 15 anos, esse menino sabe exatamente quem é ou pelo menos parece, né? E isso é poderoso, viu? Não só o talento, que é absurdo, é a certeza que ele carrega. Essa coisa rara, sabe? De saber o próprio valor antes que o mundo venha te dizer o quanto você vale.”

Para finalizar, Eliana traz uma reflexão humanizada sobre o talento de Kalu, mas encerra com um questionamento intrigante: “Kalu me lembra que talento não precisa de permissão, não precisa de recurso, não precisa de validação e isso é muito potente. Precisa de criatividade, seja qual for a sua matéria-prima. Ele simplesmente faz e o mundo inteiro parar para olhar. É incrível! Mas tem uma questão aí... Com tanta perfeição, eu te pergunto: você acha que Kalu é real ou ele é IA?”

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Link: https://www.instagram.com/p/DYVqkxWxPs9/?hl=pt-br 

A dúvida levantada por Eliana resume uma das principais discussões da atualidade digital. Em uma era marcada por filtros hiper-realistas, algoritmos avançados e produção automatizada de conteúdo, a percepção humana começa a ser constantemente colocada à prova. O que antes parecia impossível de ser reproduzido artificialmente agora circula diariamente nos feeds de milhões de pessoas.

Segundo Kai-Fu Lee, especialista em inteligência artificial e autor do best-seller “Inteligência Artificial”, a tecnologia já se integrou ao cotidiano de forma tão profunda que distinguir o real do artificial se torna um desafio crescente. A observação ajuda a explicar por que conteúdos que misturam criatividade, estética impactante e mistério têm chamado tanta atenção nas plataformas digitais.

Mais do que apenas viralizar, casos como o de Kalu mostram uma mudança importante no comportamento das pessoas diante da internet. O público já não consome apenas informação; ele participa, investiga, comenta, questiona e tenta descobrir o que existe por trás das imagens que aparecem na tela. A curiosidade coletiva virou combustível para o alcance digital.

Nesse cenário, marcas e empresas também passaram a observar com atenção esse novo comportamento. A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta tecnológica e passou a ocupar espaço estratégico dentro da comunicação, da publicidade e da construção de autoridade online.

Hoje, empresas utilizam IA para produzir campanhas, personalizar anúncios, automatizar atendimento, prever tendências e criar experiências mais rápidas e direcionadas ao consumidor. Ao mesmo tempo, cresce a necessidade de humanização dentro desse ambiente cada vez mais automatizado. A dúvida sobre a autenticidade de Kalu nos leva diretamente a uma reflexão de Philip Kotler, considerado o pai do marketing moderno, que parecia prever esse cenário.

Em entrevista à Revista EXAME, em agosto de 2024, Kotler afirmou que a grande necessidade da era da inteligência artificial é “adicionar o toque humano a esse marketing altamente técnico”. A fala reforça uma percepção cada vez mais evidente no mercado: por mais avançada que seja a tecnologia, pessoas ainda se conectam emocionalmente com autenticidade, identificação e narrativa.

Ainda na mesma entrevista, Kotler declarou: “Os consumidores de hoje têm acesso instantâneo a uma vasta quantidade de informações ao escolher suas marcas. Eles podem pesquisar concorrentes, ler opiniões de outros consumidores ou consultar amigos em questão de segundos. Estude as influências e os processos que impactam suas escolhas. Ao desenvolver campanhas publicitárias, opte por influenciadores que apresentem uma qualidade mais humana e agradável. Participe da conversa de forma agradável. As pessoas querem se relacionar com quem é agradável e entregam informações relevantes”.

A fala evidencia uma transformação importante na lógica da comunicação contemporânea. Em meio a conteúdos gerados por inteligência artificial, imagens perfeitas e produções cada vez mais sofisticadas, o diferencial competitivo volta a ser justamente aquilo que a tecnologia ainda não consegue reproduzir integralmente: emoção genuína, identidade humana e conexão verdadeira.

O caso Kalu representa exatamente esse cruzamento entre criatividade, viralização e incerteza digital. Independentemente de ser totalmente real, parcialmente produzido por IA ou apenas impulsionado pela estética das redes sociais, o fenômeno revela como as pessoas estão reagindo a essa nova fase da internet.

Hoje, não basta apenas aparecer nas redes sociais. É preciso gerar percepção, despertar curiosidade e construir narrativas capazes de mobilizar atenção. A inteligência artificial acelerou a produção de conteúdo, mas também elevou o valor da autenticidade. Ao mesmo tempo em que a tecnologia amplia possibilidades criativas para empresas, influenciadores e marcas, ela também cria um novo desafio coletivo: aprender a distinguir o que é construção digital, o que é realidade e, principalmente, o que ainda desperta conexão humana verdadeira em meio a um ambiente cada vez mais automatizado.

Talvez seja justamente por isso que o caso Kalu tenha provocado tamanho impacto. Porque no fundo, em meio à velocidade dos algoritmos e ao avanço da inteligência artificial, a pergunta que continua mobilizando milhões de pessoas ainda é extremamente humana: isso é real?

Por: Charles Aparecido Pereira Gonçalves é profissional de marketing, publicitário e jornalista. Possui pós-graduação em comunicação e mídias digitais. Empreendedor e gestor de conteúdos em Santa Catarina. Instagram: @charles__aparecido

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