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Sábado, 23 de Maio 2026
Aprender matemática não é só conteúdo — é também vencer a ansiedade matemática

Coluna do Laôr
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Aprender matemática não é só conteúdo — é também vencer a ansiedade matemática

Sem enfrentar a ansiedade matemática, o Brasil continuará acumulando maus resultados: a pesquisa mostra que políticas públicas precisam combinar ensino de qualidade com cuidado emocional dos estudantes.

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O artigo publicado pelo O Estado de S. Paulo alerta para um diagnóstico incômodo: o Brasil segue atrasado em matemática. Mesmo com programas recentes, grande parte dos estudantes conclui a educação básica sem dominar os conhecimentos necessários para a vida, para o trabalho e para a inovação científica.

Mas há um ponto essencial que o debate público ainda trata como secundário — quando, na verdade, ele é estruturante:

não se trata apenas do que se ensina, mas de como a matemática é vivida emocionalmente na escola.

Esse fenômeno tem nome: ansiedade matemática.

E foi exatamente ele o foco — e a defesa principal — da tese que desenvolvi e apresentei na Universidade Federal de São Carlos.

O que o jornal revela — e o que a tese defende

O artigo do Estadão é preciso ao afirmar que déficits em matemática comprometem a produtividade do país e nossa capacidade de inovar. Entretanto, olhando os dados de perto, percebemos que:

falta de aprendizagem e ansiedade matemática caminham juntas — e se alimentam mutuamente.

Na tese, investiguei estudantes do 5º ano ao Ensino Médio, em dois momentos diferentes durante a pandemia. O que encontrei foi contundente:

  • níveis significativos de ansiedade matemática;
  • maior incidência entre meninas;
  • persistência da ansiedade mesmo depois do retorno presencial.

Ou seja, não é apenas uma “crise pedagógica”: é também uma crise emocional associada à matemática, construída ao longo da trajetória escolar.

E aqui está o núcleo da defesa da tese:

sem enfrentar a ansiedade matemática, nenhuma política de ensino conseguirá produzir ganhos consistentes de aprendizagem.

O problema não é o aluno — é o arranjo de ensino

Práticas ainda comuns reforçam o medo:

  • exposições públicas que transformam o erro em constrangimento;
  • avaliações que punem mais do que orientam;
  • valorização da rapidez, e não da compreensão;
  • discursos implícitos de que “matemática é para poucos”.

O efeito é conhecido: esquiva, baixa autoeficácia, desinteresse e abandono de carreiras ligadas à ciência e tecnologia.

A tese defende que a escola precisa migrar do modelo “tentativa e erro punitivo” para o modelo “tentativa e acerto com feedback seguro”. Isso muda a experiência emocional do estudante — e, com ela, o desempenho.

O que propomos — uma inovação de política pública

A defesa central é que ansiedade matemática deve ser tratada como indicador educacional, ao lado de desempenho. Isso implica:

  1. Formação docente para reconhecer e manejar ansiedade acadêmica.
  2. Intervenções comportamentais com reforçamento positivo e progressão de desafios.
  3. Currículos que incluam confiança, motivação e autorregulação.
  4. Atenção às diferenças de gênero, onde as evidências mostram maior vulnerabilidade.
  5. Avaliação que premie progresso, não apenas resultados finais.

Essa agenda desloca o foco do “conteúdo isolado” para aprendizagem com saúde emocional — uma inovação que integra psicologia, educação matemática e política pública.

Por que isso importa — e dialoga com o artigo do 

Estadão

O jornal aponta corretamente: sem matemática, o Brasil perde capacidade produtiva e tecnológica.

A tese vai além e afirma:

sem reduzir ansiedade matemática, continuaremos produzindo baixo desempenho — mesmo com novos materiais, programas e reformas.

Tratar a ansiedade matemática como prioridade não é detalhe psicológico.

É estratégia nacional de desenvolvimento humano.

Quando os estudantes deixam de temer os números — e passam a se sentir capazes diante deles — abre-se a porta para carreiras científicas, para melhores decisões cotidianas e para um país que pensa com mais clareza.

É isso que defendemos:

uma educação matemática que ensina, protege e liberta — ao mesmo tempo.

FONTE/CRÉDITOS: O atraso do Brasil em matemática. Publicado em 28 de dezembro de 2025, seção de Opinião/Educação. OLIVEIRA, Laôr Fernandes de. Graus de ansiedade matemática em estudantes durante épocas de crises globais
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Laôr Fernandes de Oliveira
Comentários:
Laôr Fernandes de Oliveira

Publicado por:

Laôr Fernandes de Oliveira

Laôr Fernandes de Oliveira é doutor em Psicologia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com trajetória acadêmica e profissional dedicada à educação, à psicologia educacional e à gestão de projetos educacionais. É graduado em Ciências...

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