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Quinta-feira, 21 de Maio 2026
O aeroporto cresceu. Agora Florianópolis precisa crescer junto

Coluna do Guga Dias
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O aeroporto cresceu. Agora Florianópolis precisa crescer junto

O investimento de R$ 19 milhões na área internacional do Aeroporto de Florianópolis confirma a força da capital no turismo global, mas também expõe a necessidade de mobilidade, qualificação, hotelaria, eventos e visão urbana de longo prazo.

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As cidades têm a capacidade de oferecer algo para todos apenas porque, e somente quando, são criadas por todos.”
Jane Jacobs

Uma cidade que está voando baixo. O investimento anunciado para a ampliação da área internacional do Aeroporto de Florianópolis é mais do que uma boa notícia para quem viaja. É um sinal econômico importante. Quando uma concessionária aeroportuária decide investir R$ 19 milhões na modernização da estrutura internacional de um terminal, ela não está apenas melhorando salas de embarque, áreas comerciais ou processos migratórios. Ela está respondendo a uma mudança concreta na demanda e reconhecendo que Florianópolis passou a ocupar outro lugar no mapa da circulação internacional de pessoas, negócios, eventos e experiências.

Segundo o Floripa Airport, a Zurich Airport Brasil vai investir R$ 13 milhões em obras de infraestrutura e R$ 6 milhões na implantação de nove e-gates, tecnologia voltada à leitura automática de passaportes e à maior agilidade nos processos de entrada e saída do país. A ampliação prevê 824 metros quadrados adicionais na área internacional de embarque e desembarque, com conclusão prevista para o início de 2027. Esses números não revelam apenas uma obra física. Eles mostram que o crescimento internacional da cidade deixou de ser uma expectativa abstrata e passou a exigir respostas concretas de operação, atendimento e estrutura.

O dado que justifica esse movimento é ainda mais relevante do que a própria ampliação. Florianópolis ocupa, desde 2024, a terceira posição entre os aeroportos brasileiros com maior movimentação internacional. No primeiro trimestre de 2026, os voos internacionais representaram 41% do total de passageiros do terminal. O próprio aeroporto informa que a movimentação de passageiros estrangeiros cresceu 330% nos últimos sete anos. Quando um destino apresenta esse tipo de evolução, já não é possível tratá-lo apenas como uma cidade bonita, desejada no verão e admirada regionalmente. A capital catarinense começa a ser observada por outro ângulo, como uma cidade capaz de atrair fluxos internacionais mais consistentes e de se posicionar em uma agenda econômica mais ampla.

Mas é justamente nesse ponto que a boa notícia se transforma em desafio. Um aeroporto pode abrir a porta de entrada, mas não é ele sozinho que define a qualidade da experiência de quem chega. Depois do desembarque, o visitante encontra a cidade real. Encontra os acessos viários, o trânsito, a sinalização, a hotelaria, o atendimento no comércio, nos restaurantes, nos serviços, nos aplicativos, nos eventos e nos deslocamentos. A experiência internacional de um destino não se encerra no controle migratório. Ela começa ali e se confirma, ou se frustra, na forma como a cidade está preparada para receber, orientar, atender e fazer circular quem veio de fora.

Esse é o ponto que Florianópolis precisa encarar com maturidade. A iniciativa privada está lendo os sinais do crescimento e se movimentando. O aeroporto amplia sua estrutura porque os números justificam. Companhias aéreas, operadores turísticos, investidores e empresários observam a mesma tendência. A pergunta que se impõe, agora, é se a cidade, como organismo urbano, está acompanhando esse movimento com a mesma velocidade e com a mesma clareza estratégica.

Santa Catarina vive um momento expressivo no turismo internacional. A Embratur informou que o estado recebeu 741.401 turistas estrangeiros em 2025, crescimento de 50% em relação a 2024. Em janeiro de 2026, foram mais de 205 mil visitantes internacionais, mantendo a tendência de alta. Esses dados devem ser comemorados, mas precisam ser compreendidos para além da celebração. Crescimento turístico não é apenas volume de pessoas. É pressão sobre serviços, oportunidade de negócios, geração de empregos, arrecadação, reputação e responsabilidade urbana.

Turismo internacional não é apenas lazer. É economia urbana em movimento. Ele fortalece gastronomia, hotelaria, transporte, cultura, eventos, comércio e serviços. Também constrói imagem. Uma cidade que recebe bem cria memória positiva e amplia sua capacidade de atrair novos visitantes, investidores, congressistas, empreendedores e moradores temporários. Uma cidade que recebe mal transforma oportunidade em frustração e pode perder, em poucos dias de experiência ruim, parte da reputação que levou anos para construir.

Florianópolis tem ativos extraordinários. Tem natureza, qualidade de vida, identidade cultural, força gastronômica, ambiente de inovação, capital humano, localização estratégica e uma marca territorial poderosa. No entanto, esses atributos, por mais relevantes que sejam, não sustentam sozinhos uma cidade internacional. Eles atraem o olhar. A estrutura é que sustenta a permanência, estimula o retorno e transforma admiração em valor econômico, social e institucional.

Há uma diferença enorme entre ser desejada e estar preparada. Uma cidade pode ser linda e, ainda assim, difícil. Pode ter praias extraordinárias e mobilidade insuficiente. Pode atrair estrangeiros e não ter mão de obra qualificada em quantidade adequada para atendê-los. Pode ter aeroporto moderno e acessos urbanos pressionados. Pode ter vocação para eventos e não possuir estrutura compatível para disputar agendas maiores. Pode crescer em visibilidade e continuar operando com uma mentalidade menor do que a sua própria demanda.

Esse é o risco das cidades que crescem sem planejamento. Elas passam a ser pressionadas pelo sucesso que tanto buscaram. O aumento de visitantes movimenta a economia, mas também escancara fragilidades. O fluxo internacional traz consumo, visibilidade e oportunidades, mas também exige previsibilidade, organização, segurança, mobilidade, informação e serviços minimamente integrados. Quando esses elementos não acompanham a velocidade da demanda, o crescimento deixa de ser apenas conquista e passa a produzir gargalos.

O caso do aeroporto deveria servir como alerta positivo. Ele mostra que há demanda, confiança privada e uma janela real de posicionamento. Mostra também que Florianópolis já não pode mais se pensar apenas como uma cidade que recebe turistas no verão. A capital catarinense precisa se pensar como plataforma de conexão internacional, destino de eventos, ambiente de negócios, centro de experiências e cidade capaz de receber diferentes públicos ao longo do ano, sem depender apenas da força natural de sua paisagem.

Isso exige uma agenda mais ampla e mais séria. Mobilidade urbana não pode continuar sendo um debate episódico, lembrado apenas quando o trânsito trava. Qualificação profissional não pode ser tratada como assunto secundário, porque o atendimento é parte essencial da experiência turística. Hotelaria não pode ser analisada apenas pela ocupação de temporada, mas pela capacidade de receber congressos, missões empresariais, eventos esportivos, encontros internacionais e fluxos permanentes. A infraestrutura urbana precisa conversar com a infraestrutura aeroportuária, pois uma cidade não se torna internacional apenas pelo lugar onde os aviões pousam, mas pela qualidade do sistema que recebe as pessoas depois disso.

Também é preciso olhar para a governança. Turismo internacional não se organiza por improviso. Ele exige integração entre poder público, iniciativa privada, trade turístico, setor de eventos, universidades, entidades empresariais, cultura, tecnologia e comunidades locais. Uma cidade internacional não nasce apenas porque recebe voos internacionais. Ela nasce quando diferentes atores compreendem que a experiência do visitante é uma construção coletiva e que cada falha isolada, do deslocamento ao atendimento, da informação à segurança, afeta a percepção do destino como um todo.

Nesse ponto, há uma lição importante. O investimento privado não exonera o poder público de suas responsabilidades. Também não substitui planejamento urbano, mobilidade, segurança, ordenamento, infraestrutura e políticas de desenvolvimento. Mas ele pode funcionar como catalisador. Pode indicar caminhos, revelar demanda real e mostrar que a cidade tem diante de si uma oportunidade que não ficará aberta indefinidamente. Quando o setor privado investe porque enxerga futuro, o poder público e a sociedade precisam decidir se vão apenas assistir ao movimento ou construir as condições para que esse futuro se realize de forma organizada.

Florianópolis não precisa perder sua identidade para se internacionalizar. Ao contrário, o grande valor da cidade está justamente em não tentar ser outra coisa. O desafio é preservar sua alma, sua paisagem, sua cultura e sua escala humana, mas com capacidade de operação compatível com a relevância que está conquistando. Internacionalizar não significa artificializar a cidade, nem transformá-la em vitrine sem vida local. Significa preparar melhor aquilo que ela já é, para que sua vocação possa ser vivida com mais qualidade por moradores, visitantes e empreendedores.

O turista internacional não busca apenas um lugar bonito, porque lugares bonitos existem muitos. Ele busca uma experiência coerente. Quer chegar, circular, entender, ser atendido, consumir, participar, voltar e recomendar. Quer encontrar uma cidade que pareça preparada para recebê-lo sem perder autenticidade. É nessa combinação entre identidade e estrutura que os destinos mais fortes constroem reputação duradoura.

Florianópolis está diante de uma oportunidade rara. O mundo começou a chegar com mais força. O aeroporto percebeu, o mercado percebeu e os dados confirmam. A pergunta, agora, não é se a cidade tem potencial, porque isso já está demonstrado. A pergunta é se Florianópolis terá maturidade para transformar potencial em estrutura, crescimento em legado e visibilidade internacional em desenvolvimento real. 

Jogo que segue…

Guga Dias
Treinador Corporativo e Mentor
Advogado Especialista em Propriedade Intelectual
CEO do GDN | Posicionamento, Estratégia e Performance Empresarial
Instagram: @gugavdias
X: @augustodias

FONTE/CRÉDITOS: Floripa Airport Notícia oficial sobre o investimento de R$ 19 milhões na ampliação e modernização da área internacional do Aeroporto Internacional de Florianópolis. https://floripa-airport.com/noticias/102524-floripa-airport-vai-ampliar-area-internac
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Imagem autoral criada por inteligência artificial, uso editorial
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 Guga Dias

Publicado por:

Guga Dias

Guga Dias, Budista, advogado, especialista em Propriedade Intelectual (desde 1986) e Empresário, com especialização em Propriedade Intelectual pela WIPO (World Intellectual Property Organization), Pós-graduando em Gestão Pública e Gestão do...

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