שִׁוִּיתִי יְהוָה לְנֶגְדִּי תָּמִיד
O Brasil jamais viveu um regime comunista formal nos moldes da União Soviética ou de Cuba. Ainda assim, há décadas o país sofre os efeitos corrosivos de uma mentalidade estatista que avança lentamente sobre a economia, sobre as instituições e sobre a própria cultura nacional. O problema brasileiro não nasceu de uma revolução armada. Nasceu da infiltração gradual de ideias que transformaram o Estado em centro absoluto da vida nacional e fizeram da dependência política um projeto permanente de poder.
A esquerda brasileira compreendeu cedo que a tomada total do poder não começa nos quartéis. Começa nas universidades, nos sindicatos, na imprensa, no funcionalismo público, no meio artístico e no sistema educacional. A transformação econômica vem depois, de maneira progressiva, quase imperceptível para a população comum. O objetivo permanece o mesmo. Concentrar poder, ampliar controle estatal e enfraquecer toda forma de autonomia individual.
O resultado aparece em toda parte. O empresário brasileiro trabalha cercado por burocracia sufocante, insegurança jurídica e uma carga tributária obscena. O produtor rural vive ameaçado por movimentos ideológicos que relativizam o direito de propriedade e tratam invasão de terras como instrumento político legítimo. O trabalhador é esmagado por impostos invisíveis, inflação silenciosa e um sistema que premia proximidade com o Estado muito mais do que produtividade real.
A máquina pública brasileira tornou-se um organismo gigantesco que consome riqueza sem produzir prosperidade proporcional. O Estado arrecada cifras bilionárias e ainda assim entrega serviços precários, infraestrutura degradada e uma população cada vez mais dependente de programas governamentais. O cidadão produz. A burocracia absorve. O país trava.
O discurso permanece embalado por palavras moralmente sedutoras. Justiça social. Igualdade. Inclusão. Direitos coletivos. Na prática, o que cresce é o poder de grupos políticos especializados em transformar pobreza em instrumento eleitoral. Quanto mais dependente a população se torna, maior o controle exercido pela estrutura estatal. A miséria deixa de ser um problema a ser resolvido e passa a funcionar como combustível político permanente.
O Brasil também vive um processo contínuo de hostilidade contra quem produz riqueza. O lucro é tratado com suspeita moral. O empreendedor é retratado como explorador. O agronegócio, responsável por sustentar grande parte da economia nacional, frequentemente é atacado como inimigo ideológico por setores profundamente ignorantes sobre produção real de riqueza. O sucesso econômico passou a despertar ressentimento político em vez de admiração social.
A consequência inevitável surge nos números, nos investimentos e na estagnação nacional. Empresas deixam o país. Investidores procuram mercados mais seguros. Jovens qualificados sonham em emigrar. O Brasil forma talentos e exporta cérebros porque o ambiente interno pune eficiência, mérito e independência financeira. O Estado brasileiro tornou-se pesado demais para permitir crescimento sustentável.
A corrupção estrutural também floresce nesse modelo. Quanto maior o poder estatal, maior a disputa pelo controle da máquina pública. O resultado aparece em escândalos bilionários, aparelhamento institucional e uso político do dinheiro público. O cidadão comum paga impostos cada vez maiores enquanto grupos próximos do poder acumulam privilégios, contratos e influência.
O problema mais grave talvez seja cultural. O brasileiro foi lentamente ensinado a enxergar o Estado como solução para absolutamente tudo. Educação. Saúde. Emprego. Cultura. Alimentação. Segurança. Moradia. A liberdade individual foi substituída pela expectativa permanente de tutela estatal. O cidadão deixa de agir como homem livre e passa a agir como dependente administrativo do governo.
O século XX já demonstrou o destino das sociedades que entregam poder excessivo ao Estado. O Brasil ainda possui economia de mercado, propriedade privada e relativa liberdade econômica. Mas os sinais de erosão institucional aparecem diariamente. O crescimento da burocracia, o sufocamento tributário, o desprezo pela responsabilidade fiscal e a expansão contínua do controle estatal caminham sempre na mesma direção histórica.
Nenhuma sociedade prospera quando transforma o governo em senhor absoluto da vida econômica. Nenhuma nação cresce demonizando quem produz riqueza. Nenhum povo permanece livre quando se acostuma a trocar autonomia por tutela política. O Brasil ainda possui forças produtivas gigantescas, capacidade empreendedora extraordinária e recursos abundantes. Mas continuará preso à mediocridade enquanto permanecer dominado por uma mentalidade que vê o Estado como solução universal e trata liberdade econômica como ameaça ideológica.
Folha de Florianópolis
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