Eclesiastes 10:2 lê-se que “o coração do sábio se inclina para a direita, mas o coração do tolo, para a esquerda”.
O Brasil vive um momento em que não é mais possível fingir neutralidade sem assumir consequências concretas. Não se trata de preferência partidária, nem de debate abstrato entre ideologias. Trata-se de escolher entre dois modelos de organização econômica e social que produzem resultados opostos. Um gera crescimento, emprego e autonomia. O outro produz empobrecimento, desemprego e dependência do Estado.
Grande parte da economia brasileira depende diretamente de um mercado forte e funcional. Empresários, investidores, trabalhadores do setor privado, empreendedores individuais, profissionais autônomos, comerciantes, industriais, prestadores de serviços, setor de lazer e turismo, construção civil, mercado financeiro e consumidores em geral só prosperam quando há livre iniciativa, propriedade privada protegida, segurança jurídica, previsibilidade regulatória e responsabilidade fiscal. Sem esses elementos, a atividade econômica se retrai e o desemprego aumenta.
Apesar disso, muitos desses setores permanecem neutros ou até apoiam projetos políticos de poder esquerdistas que atuam exatamente contra esses fundamentos. Essa postura não é apenas contraditória. Ela é economicamente autodestrutiva. Estados fortemente intervencionistas ampliam impostos, criam insegurança jurídica, desorganizam o ambiente de negócios e afastam investimentos. O resultado prático é simples e conhecido. Empresas fecham, empregos desaparecem e o poder de compra da população cai.
Não se trata de erro ocasional ou falha administrativa. O empobrecimento é parte do funcionamento desse modelo. Quanto maior a dependência da população em relação ao Estado, maior o controle político. Quanto menor a autonomia econômica das pessoas, menor a resistência social. Por isso, a deterioração do mercado, o enfraquecimento da classe produtiva e a ampliação da dependência não são desvios. São consequências previsíveis.
A neutralidade, nesse contexto, não protege ninguém. Quem produz perde espaço. Quem investe perde capital. Quem trabalha no setor privado perde o emprego. O pequeno e médio empresário quebra primeiro. O profissional autônomo perde clientes. O comércio fecha. A indústria reduz produção. O setor de serviços encolhe. O desemprego se espalha. Permanecer neutro significa apenas adiar o impacto, não evitá-lo.
A ideia de que um Estado autoritário, fiscalmente irresponsável e hostil ao mercado, em algum momento irá fortalecer setores estratégicos e gerar prosperidade não encontra respaldo na realidade histórica. Estados assim não criam riqueza. Eles redistribuem escassez, concentram poder e ampliam dependência. O discurso pode variar, mas o resultado é sempre o mesmo.
Para os cristãos, essa escolha também é moral. A tradição bíblica valoriza o trabalho, a responsabilidade individual, a prudência e a ordem. Um sistema que desestimula o esforço produtivo, pune quem gera riqueza e transforma o cidadão em dependente permanente do Estado contraria esses princípios.
Diante desse quadro, a neutralidade deixa de ser uma posição razoável. Ela não preserva empregos, não protege empresas e não garante liberdade. Apenas posterga perdas que acabam sendo inevitáveis. Em um ambiente hostil à produção e à autonomia, quem não se posiciona é absorvido pelo fracasso coletivo que ajudou a tolerar. A escolha, portanto, é simples e concreta. Ou se defende ativamente a ordem econômica que permite trabalhar, investir e prosperar, ou se aceita passivamente um modelo que conduz à estagnação, ao desemprego e à dependência. Neutralidade, nesse cenário, não é equilíbrio. É abdicar do próprio futuro.
Folha de Florianópolis
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