Competência chama atenção. Comprometimento constrói carreira.
No mercado de trabalho e especialmente na publicidade — ser bom no que faz é importante. Mas ser alguém em quem os outros podem confiar talvez seja ainda mais.
Existe uma característica profissional que raramente aparece no currículo, não costuma ser mencionada em uma entrevista de emprego e dificilmente cabe em uma descrição de cargo: o comprometimento.
Falamos muito sobre criatividade, liderança, produtividade, inovação, capacidade estratégica e resultados. E, claro, tudo isso importa. Mas existe uma pergunta simples que talvez devêssemos fazer com mais frequência: posso contar com essa pessoa?
Na publicidade, essa pergunta ganha ainda mais peso.
Uma campanha não acontece pelas mãos de uma única pessoa. Existe quem planeja, quem cria, quem escreve, quem aprova, quem atende, quem publica, quem acompanha os resultados. Um atraso em uma etapa pode comprometer todas as outras. Uma informação que não chega pode travar uma criação. Uma entrega que não acontece pode fazer uma equipe inteira correr contra o relógio.
É por isso que comprometimento não significa apenas cumprir uma tarefa.
Significa entender que existe um contexto maior por trás dela.
É avisar quando um prazo não será cumprido, em vez de simplesmente desaparecer. É assumir a responsabilidade por um erro e buscar uma solução. É fazer uma entrega com atenção mesmo quando ninguém está acompanhando de perto. É compreender que o seu trabalho interfere diretamente no trabalho de outras pessoas.
E existe uma diferença importante entre comprometimento e disponibilidade permanente.
Ser comprometido não significa aceitar qualquer demanda, responder mensagens de madrugada ou transformar o trabalho em uma extensão da vida pessoal. Ter limites também é profissionalismo. Comprometimento não é estar disponível o tempo inteiro; é estar presente de verdade quando aquilo que você assumiu está sob sua responsabilidade.
Talvez esse seja um dos maiores desafios do mercado atual: distinguir quem simplesmente ocupa uma posição de quem realmente se envolve com aquilo que faz.
Na publicidade, isso se torna ainda mais evidente porque trabalhamos com algo que não aparece em uma planilha: confiança. Um cliente confia uma marca, uma campanha, uma ideia e, muitas vezes, parte da reputação de seu negócio a uma equipe de comunicação.
Por isso, competência pode fazer alguém ser contratado. Criatividade pode fazer alguém ser lembrado. Um bom portfólio pode abrir portas.
Mas é o comprometimento que faz alguém ser procurado novamente.
No fim, carreiras também são construídas pela reputação que deixamos nas pessoas com quem trabalhamos. E existe uma reputação muito valiosa: a de ser aquela pessoa que, diante de um problema, não pergunta primeiro de quem é a culpa, mas o que pode ser feito.
Em um mercado cada vez mais competitivo, talvez esse seja um dos diferenciais mais difíceis de encontrar.
Porque profissionais competentes existem muitos.
Profissionais em quem podemos confiar são mais raros.
E talvez seja justamente por isso que comprometimento continue sendo uma das competências mais importantes — ainda que não apareça em nenhum currículo.
Folha de Florianópolis
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