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Quarta-feira, 29 de Abril 2026
Ilhas de calor e o desafio urbano de Florianópolis

Coluna do Guga Dias
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Ilhas de calor e o desafio urbano de Florianópolis

“As cidades se tornaram as maiores máquinas de alterar o clima.” – Richard Register

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Para alguns, a melhor estação do ano. Mas o verão costuma tornar visíveis fragilidades que, ao longo do ano, permanecem diluídas no cotidiano urbano. Episódios recentes de chuva intensa, nos mostram que muitas cidades brasileiras continuam a registrar desconforto térmico elevado, noites pouco ventiladas e sensação constante de abafamento. Esse quadro revela que o problema não se limita às condições climáticas sazonais, mas está profundamente relacionado à forma como os espaços urbanos foram concebidos e ocupados ao longo do tempo.

Esse processo se manifesta de maneira clara por meio das chamadas ilhas de calor urbanas. Nas áreas densamente construídas, a predominância de concreto, asfalto e edificações cada vez maiores e densas reduz a capacidade de absorção térmica do solo e compromete a circulação natural do ar. O resultado são bolsões de calor persistentes, que não se dissipam com facilidade nem mesmo após períodos de chuva intensa. A recente chuva registrada no litoral catarinense evidenciou justamente esse limite, reforçando o caráter estrutural do fenômeno.

Florianópolis e as cidades da Grande Florianópolis já vivenciam essa realidade de forma concreta. Estudos conduzidos pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) apontam diferenças médias de até 1,6 grau Celsius entre áreas mais adensadas e regiões com maior cobertura vegetal. Quando das ondas de calor, essa variação pode alcançar até 3 graus, um impacto significativo para a saúde da população, para o conforto urbano e para a qualidade de vida.

Com o avanço do verão, essas tensões se intensificam. A combinação entre radiação solar elevada, alta umidade, ventos fracos e noites pouco ventiladas torna o ambiente urbano mais hostil. Diante disso, a resposta mais imediata da população tem sido o uso crescente de sistemas de climatização. Embora compreensível no plano individual, essa solução produz um efeito cumulativo pouco discutido, ao elevar o consumo de energia, pressionar a infraestrutura elétrica e devolver calor ao próprio ambiente urbano.

As consequências desse cenário extrapolam o incômodo térmico. Crianças, idosos e pessoas com condições de saúde debilitadas preexistentes tornam-se mais vulneráveis a quadros de desidratação, estresse térmico e insolação. A cidade passa a funcionar de maneira menos eficiente, com transporte público inadequado ao clima, espaços de convivência pouco convidativos e equipamentos urbanos que não favorecem o uso pleno do território.

Esse conjunto de efeitos revela um custo econômico pouco visível, mas relevante. Ambientes urbanos excessivamente quentes afetam a produtividade, elevam gastos com energia, pressionam o sistema de saúde e ampliam despesas públicas que raramente entram no debate sobre planejamento urbano. Em cidades cuja economia depende fortemente do turismo, como Florianópolis, o desconforto térmico compromete a experiência de moradores e turistas.

Esse cenário resulta de decisões acumuladas ao longo do tempo, muitas vezes orientadas por soluções imediatistas, ciclos eleitorais curtos e ausência de visão integrada entre mobilidade, uso do solo, clima e qualidade de vida. Planejar cidades exige pensar décadas à frente, mas grande parte das intervenções urbanas ainda responde a demandas do presente, baseadas em dados defasados.

Nesse contexto, a questão central não está em combater o calor, mas em repensar a relação das cidades com o ambiente que constroem. Medidas como ampliação da arborização urbana, telhados verdes, pavimentos permeáveis e preservação de corredores de ventilação natural mostram caminhos viáveis.

Florianópolis está diante de uma escolha técnica e política. Transformar o verão em pauta de futuro exige reconhecer que o clima já mudou e que o planejamento urbano precisa acompanhar essa transformação.

Jogo que segue…

 

Guga Dias
Treinador Corporativo e Mentor
Advogado Especialista em Propriedade Intelectual
CEO do GDN | Posicionamento, Estratégia e Performance Empresarial
Instagram: @gugavdias
X: @augustodias

 

 

FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Imagem autoral criada por inteligência artificial, uso editorial.
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 Guga Dias

Publicado por:

Guga Dias

Guga Dias, Budista, advogado, especialista em Propriedade Intelectual (desde 1986) e Empresário, com especialização em Propriedade Intelectual pela WIPO (World Intellectual Property Organization), Pós-graduando em Gestão Pública e Gestão do...

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