Seu Portal de Notícias

Aguarde, carregando...

Quinta-feira, 16 de Abril 2026
Jovens Frágeis ou adultos Perdidos

Coluna do Laercio Santos
32 Acessos

Jovens Frágeis ou adultos Perdidos

O choque de gerações num mundo que mudou rápido demais.

IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

“Geração mimimi.”

Quando uma expressão vira resposta automática para tudo o que incomoda, vale desconfiar.
Ela aparece quando um jovem reclama de excesso de trabalho, quando questiona um comentário agressivo, quando diz que não faz sentido viver só para pagar boleto.

É uma expressão que economiza reflexão: em vez de entender o que está sendo dito, a gente desqualifica quem está dizendo.

Ao mesmo tempo, vivemos recordes de ansiedade, depressão e burnout entre adultos.
Talvez o problema não seja a suposta fragilidade da nova geração.
Talvez seja o nosso desconforto em admitir que o mundo esta mudando tão rápido que precisamos correr pra ficar parado no mesmo lugar.

Os jovens só estão dizendo aquilo que muitos adultos aprenderam a não dizer, por "respeito", por "hierarquia", pra "não ofender".

A geração que hoje está no comando aprendeu um roteiro claro a ser seguido: você estuda, trabalha duro, aguenta firme, acumula aos poucos e no final alcança o sucesso.
Era exigente, mas estável. Valor vinha de disciplina, obediência, resistência.

Esse roteiro começou a falhar.
Carreiras deixaram de ser lineares. Profissões desapareceram sem avisar. Outras surgiram do nada.
Trabalho, casa e cidade se misturaram.

Mas o nosso corpo continua treinado para o roteiro antigo.
E aí nasce o conflito.

Quando um jovem diz “isso não faz sentido pra mim”, o adulto entende: “é arrogante, não respeita hierarquia”.
Quando pergunta “por quê?”, o adulto sente como uma afronta a sua autoridade.

Quando um jovem recusa trabalhar em um ambiente que considera tóxico, não está inventando um problema.
Está se recusando a normalizar o que a geração anterior engoliu para sobreviver.
Quando alguém de 20 e poucos anos diz que não quer viver para trabalhar, talvez não seja falta de responsabilidade.

Talvez seja recusa a repetir uma fórmula que deu sucesso por fora mas gerou grande esgotamento por dentro. Prova disso é grande quantidade de pessoas estressadas, com burnout, ansiedade e depressão.

Chamar isso de fragilidade é confortável.
Dói menos do que admitir que confundimos sofrimento com virtude.

Sim, há exageros e fantasias de atalho. Sempre houve.
A diferença é que agora tudo aparece em alta definição, em tempo real, na tela de todo mundo.

O que mudou não foi só o jovem.
Foi o ambiente em que nossos jovens estão inseridos.

Quem nasceu com internet no bolso, crise climática no noticiário e instabilidade econômica de fundo não enxerga o futuro como quem cresceu vendo carteira de trabalho como sinônimo de estabilidade.
Comparar as gerações com a mesma régua é, no mínimo, injusto.

Tem muito adulto hoje caminhando com um mapa dobrado na mão, tentando encontrar um tesouro que já não tem valor.
Em vez de admitir que o mapa envelheceu e deixou de ter validade, a tentação é culpar quem diz que o caminho é antigo e não serve mais.

A pergunta “por que eles são assim?” é legítima.
Mas só funciona se vier acompanhada de outra, mais incômoda:
“Por que nós estamos assim?”.

Talvez a diferença não esteja entre uma geração forte e outra frágil.
Mas entre uma geração que aprendeu a suportar tudo calada e outra que se recusa a seguir o mesmo roteiro.

No fim, a expressão “geração mimimi” diz muito mais sobre quem fala do que sobre quem ouve.
Revela o nosso cansaço de conversar, de rever crenças, de admitir enganos. 
Revela a nossa necessidade de evoluir.
Revelo nosso medo de olhar para a própria vida e perceber que, em muitos momentos, também gostaríamos de ter dito “basta” e não dissemos.

Os jovens não são perfeitos, nem donos da verdade.
Mas estão fazendo uma pergunta que merece atenção:
“É assim mesmo que vocês querem continuar vivendo?”.

Antes de falar em fraqueza, talvez a resposta mais honesta seja:
“Também estamos perdidos”.

A partir daí, a conversa deixa de ser sobre jovens frágeis e passa a ser sobre pessoas — de todas as idades — tentando encontrar um meio de co-existir num mundo que não para de mudar.

Comentários:
Laercio Santos

Publicado por:

Laercio Santos

Especialista em criatividade e inovação, filosofia antiga e pós-graduado em gestão estratégica de pessoa. Formado em gestão estratégica & liderança global pela university of California - San Diego - EUA

Saiba Mais

/Dê sua opinião

De onde você acessa o Portal Folha de Florianópolis? (Where do you access the Folha de Florianópolis Portal from?)

Nossas notícias no celular

Receba as notícias do Folha de Florianópolis no seu app favorito de mensagens.

Whatsapp
Entrar
Folha de Florianópolis (Sua empresa aqui)
Folha de Florianópolis ( sua empresa aqui)

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
WhatsApp Folha de Florianópolis
Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR