Durante muito tempo, quando se falava em voluntariado, a imagem que surgia na mente das pessoas era quase sempre a mesma.
Alguém servindo refeições.
Distribuindo roupas.
Visitando idosos.
Participando de campanhas solidárias.
E não há nada de errado nisso. Pelo contrário. Essas ações continuam sendo fundamentais para milhares de pessoas e comunidades.
Mas existe uma realidade muito maior, e curiosamente menos conhecida.
As organizações sociais enfrentam desafios parecidos com os de qualquer empresa, instituição ou projeto. Precisam captar recursos, administrar processos, divulgar ações, prestar contas, organizar equipes, desenvolver sistemas, criar materiais de comunicação e estruturar projetos.
Em outras palavras: elas também precisam de profissionais.
Muito além da boa vontade
Talvez um dos maiores obstáculos para o crescimento do voluntariado seja justamente um equívoco.
Muitas pessoas acreditam que não possuem habilidades úteis para contribuir.
O designer acha que seu trabalho não serve para uma causa social.
O desenvolvedor imagina que organizações sociais precisam apenas de ajuda presencial.
O profissional de marketing acredita que sua experiência pertence exclusivamente ao ambiente corporativo.
O contador, o advogado, o fotógrafo, o jornalista, o tradutor, o psicólogo e tantos outros seguem a mesma lógica.
E assim, talentos capazes de gerar impacto permanecem parados simplesmente porque seus donos nunca imaginaram que poderiam ser uma forma de solidariedade.
Às vezes me pergunto quantas pessoas desejam ajudar alguém, mas passam anos esperando a oportunidade ideal aparecer.
Talvez a oportunidade já esteja diante delas. Talvez ela apenas tenha uma aparência diferente daquela que aprenderam a associar ao voluntariado.
Quando a profissão também se torna propósito
O trabalho voluntário não acontece apenas nas ruas, em eventos ou campanhas.
Ele também acontece atrás de uma tela de computador.
Acontece quando um designer cria gratuitamente a identidade visual de uma campanha de arrecadação.
Quando um programador desenvolve uma plataforma que facilita atendimentos.
Quando um fotógrafo registra histórias que precisam ser contadas.
Quando um profissional de marketing ajuda uma organização a alcançar mais pessoas.
Quando um contador organiza processos financeiros.
Quando um advogado orienta famílias que não teriam acesso à informação jurídica.
Quando um psicólogo oferece acolhimento.
Quando um professor compartilha conhecimento.
A solidariedade nem sempre exige que alguém aprenda algo novo.
Muitas vezes ela apenas pede que alguém compartilhe aquilo que já sabe fazer.
A ponte entre quem precisa e quem pode contribuir
Felizmente, essa conexão está cada vez mais acessível.
Plataformas como a Atados aproximam voluntários de milhares de organizações sociais em todo o país, reunindo oportunidades ligadas à educação, proteção animal, meio ambiente, assistência social, apoio a idosos, inclusão, cultura e diversas outras causas.
Mas não apenas isso.
Também conectam profissionais de tecnologia, comunicação, design, recursos humanos, gestão de projetos, captação de recursos e inúmeras outras áreas que frequentemente passam despercebidas quando se fala em trabalho voluntário.
Essa diversidade revela algo importante.
Não existe apenas uma forma de ajudar.
Existem tantas formas quanto existem talentos.
Talvez a sociedade tenha nos ensinado a enxergar nossas habilidades apenas como ferramentas de trabalho e geração de renda.
Mas existe algo poderoso quando percebemos que elas também podem gerar impacto, pertencimento e transformação.
Mais do que ajudar, participar
Talvez a maior contribuição das organizações sociais não esteja apenas nos projetos que realizam ou nos números que apresentam.
Ela esteja na capacidade de lembrar que comunidades fortes não são construídas apenas por governos, empresas ou instituições.
São construídas por pessoas.
Pessoas que oferecem tempo.
Pessoas que oferecem conhecimento.
Pessoas que oferecem cuidado.
E talvez a pergunta mais importante não seja se temos algo a oferecer.
Talvez a pergunta seja quantos talentos permanecem sem gerar impacto social simplesmente porque seus donos ainda não descobriram que a própria profissão também pode ser uma forma de voluntariado.
Folha de Florianópolis
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