A maioria das pessoas tem dificuldade de seguir um planejamento financeiro. Fazer o planejamento em si até que não é tão difícil, mas seguir o plano se torna mais custoso quando não se tem a motivação certa.
A economia comportamental demonstra que o ambiente é muito mais poderoso que a intenção. Quando seguimos um caminho sozinhos, é fácil perder a batalha contra o cérebro biológico, que é programado para priorizar o consumo imediato, e não está disposto a abrir mão de coisas que são prazerosas em prol de algo mais à frente.
A constância não nasce do esforço, mas de uma rede de apoio com o uso de sistemas que facilitam a implementação.
O primeiro sistema é o tecnológico: o uso de "nudges" ou empurrões, que deixam as escolhas mais fáceis. Dinheiro na conta a gente gasta, dinheiro aplicado, mesmo tendo a alternativa de resgatar, dificulta o uso inadequado, mesmo sem impedir. A aplicação automática, que retira o recurso da conta antes mesmo que você tenha a chance de decidir o que fazer com ele, elimina a fadiga da decisão. É um compromisso com o futuro selado hoje, sem dor.
Contudo, a automação resolve apenas a parte mecânica. O verdadeiro fator da permanência a longo prazo é o círculo social. Recentemente, observei um exemplo prático e provocativo: um grupo de WhatsApp formado por jovens, incluindo meu filho, sua namorada e uma amiga em comum, para manter hábitos saudáveis. Eles estabeleceram um objetivo em comum, de ficarem mais saudáveis em comida e rotina, e criaram multas para "pecados" alimentares ou falta de exercícios. O dinheiro arrecadado é destinado a um fundo comum para uma atividade de lazer futura.
Essa lógica é perfeitamente transferível para os investimentos. O isolamento financeiro é um convite à desistência da estratégia. Ao criar um grupo de apoio, ou um "círculo de constância", você transforma a economia em um jogo de compromisso social. A pressão dos pares e a perspectiva de uma recompensa coletiva por metas atingidas criam um custo emocional para a falha, algo que nenhuma planilha de Excel consegue replicar.
Por isso, converse com sua família sobre os seus projetos, e reforce o compromisso de todos para que o objetivo aconteça. Imagine que vocês estejam planejando as férias no final do ano, e possuem uma meta financeira para viajar. Nisso, cada um tem uma atribuição para gerar e usar o dinheiro, fazendo um orçamento. Por exemplo, devem economizar(salvar) e guardar R$ 200,00 por semana. Quem fizer uma compra impulsiva, ou gastar mais do que o combinado em algum item, como compras de supermercado, jantar ou outras coisas, pagará uma “penalidade”, que pode ser uma atividade doméstica, como arrumar a sala, lavar a louça ou mesmo limpar as janelas. A motivação para guardar dinheiro é a viagem, a penalidade ajuda a lembrar do objetivo e reforça a sua execução.
Use o exemplo do Érico, da Inês e da Beatriz para desenvolver a motivação e a constância necessária para que o seu planejamento financeiro seja executado, e seus sonhos aconteçam de verdade!
Dicas práticas:
- Definição do objetivo: Crie um objetivo específico, metas e as regras de execução e monitoramento.
- Criação uma comunidade de bem-estar : reúna amigos ou familiares com objetivos financeiros comuns. O foco deve ser o cumprimento da meta de aporte, não necessariamente a exposição de valores.
- Definição de consequências e prêmios: estipule penalidades simbólicas para o descumprimento das metas mensais e planeje uma celebração ou recompensa coletiva para quando o grupo atingir marcos específicos.
Folha de Florianópolis
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