Aguarde, carregando...

Domingo, 01 de Novembro 2026

Eleições 2026

AO VIVO
Apurado: 0%
Aguardando início da apuração oficial...
Nova espécie de dinossauro que viveu há mais de 100 milhões de anos é identificada no Reino Unido
Estudo & Pesquisa

Nova espécie de dinossauro que viveu há mais de 100 milhões de anos é identificada no Reino Unido

Descrito por pesquisador da USP, Paludohdros proudlovii viveu no início do Cretáceo, pesava cerca de 1,5 tonelada e estava depositado em museu de Londres

Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Um fóssil de dinossauro descoberto em 2001, no sul da Inglaterra, acaba de revelar uma espécie até então desconhecida pela ciência. Batizado de Paludohadros proudlovii, o animal pertence ao grupo dos iguanodontianos, dinossauros herbívoros que tiveram ampla distribuição durante o período Cretáceo, entre aproximadamente 145 milhões e 66 milhões de anos atrás. A identificação foi realizada pelo paleontólogo Ricardo Sacamoto, pesquisador do Laboratório de Paleontologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, integrante da equipe liderada pelo professor Max Langer.

O estudo, publicado nesta segunda-feira (26), descreve um novo gênero e uma nova espécie de dinossauro com base em fósseis encontrados na localidade de Smokejacks Brickworks, no sul da Inglaterra, em uma área de extração de argila utilizada na fabricação de tijolos. Os materiais estão depositados no Museu de História Natural de Londres, onde Sacamoto realiza a pesquisa. 

Foi durante esse trabalho que o pesquisador reavaliou o espécime e reconheceu características que permitiram identificá-lo como uma nova espécie, batizada de Paludohadros proudlovii. Segundo Sacamoto, trata-se de um dinossauro herbívoro que viveu durante o Cretáceo Inferior, há mais de 100 milhões de anos, em um intervalo conhecido como Barremiano (aproximadamente entre 125,77 milhões e 121,4 milhões de anos atrás). Seus fósseis foram encontrados na Formação Weald Clay, unidade geológica que registra ambientes antigos do sul da Inglaterra.

Publicidade

Leia Também:

A identificação é importante porque se trata do primeiro iguanodontiano — dinossauro herbívoro bípede — descrito para essa localidade e essa formação geológica. Embora outros dinossauros desse grupo já fossem conhecidos na região mais ampla da Bacia de Wealden, eles provinham de camadas geológicas mais antigas. A descoberta amplia, portanto, “o conhecimento sobre a diversidade desses herbívoros no início do Cretáceo”, avalia Sacamoto.

Animal de grande porte ainda jovem

Homem jovem, cabelos volumosos e escuros, usa casaco preto e está à frente de um esqueleto de dinossauro, no Museu de Oxford, Reino Unido
Ricardo Sacamoto é pesquisador do Laboratório de Paleontologia, na USP de Ribeirão Preto – Foto: Arquivo pessoal

Mesmo sem ter atingido a maturidade completa, o Paludohadros proudlovii já era um animal de grandes dimensões. Segundo o pesquisador, o exemplar estudado pesava aproximadamente 1,5 tonelada e tinha cerca de quatro metros de comprimento, tamanho comparável ao de um rinoceronte.

Por se tratar de um indivíduo jovem, ainda não é possível determinar com precisão as dimensões máximas que a espécie poderia alcançar. A estimativa é de que indivíduos completamente desenvolvidos chegassem a aproximadamente seis a oito metros de comprimento e pudessem atingir até o dobro do peso do exemplar analisado.

A identificação da espécie foi possível graças à análise de características anatômicas específicas dos fósseis, incluindo estruturas da mandíbula, dos braços, da pelve e das pernas. Entre os aspectos observados estão particularidades dos dentes, projeções ósseas e saliências presentes em diferentes partes do esqueleto. Sacamoto afirma que a combinação dessas características “permitiu distinguir o animal de outros iguanodontianos já descritos”.

O Paludohadros proudlovii foi descrito pelos paleontólogos como de “divergência precoce”, pois pertence a um grupo evolutivo de dinossauros que se separou de outras linhagens em etapas relativamente antigas da história evolutiva. Na avaliação dos pesquisadores, o estudo contribui para compreender como os “diferentes grupos de iguanodontianos se diversificaram ao longo do Cretáceo”.

Esqueleto de Mantellisaurus atherfieldensis montado em posição quadrúpede, com a cauda longa estendida para trás, costelas aparentes e pescoço alongado, que sustenta um crânio com a boca entreaberta. Os ossos, em tons de marrom, estão expostos em uma vitrine de muse
Mantellisaurus atherfieldensis, outra espécie de iguanodontídeo em exposição no Museu Natural de Londres, é um parente próximo do novo Paludohadros proudlovii – Foto: Emőke Dénes – Wikimedia

Coleção de Londres pode guardar outras descobertas

O Paludohadros proudlovii também guarda uma história ligada ao local da descoberta. O nome específico proudlovii homenageia William Proudlove, gerente de uma empresa fabricante de tijolos que atuava na pedreira onde o fóssil foi encontrado. Proudlove morreu aos 35 anos, pouco tempo depois da escavação do material.

A escolha reconhece a ligação entre a história do espécime e as pessoas envolvidas no contexto de sua descoberta, enquanto a identificação evidencia a importância das coleções paleontológicas. “Fósseis escavados há décadas podem continuar revelando informações novas quando são estudados com maior profundidade e comparados com outros materiais”, acrescenta.

A descrição do Paludohadros proudlovii faz parte de uma investigação mais ampla sobre os dinossauros iguanodontianos preservados no Museu de História Natural de Londres. Sacamoto pretende passar os próximos quatro anos de seu doutorado reavaliando outros espécimes do grupo depositados no museu.

“A chance de nós encontrarmos novas espécies é bastante alta”, adianta o pesquisador, pois há uma grande quantidade de materiais ainda a ser examinada. Parte desses fósseis pode pertencer à espécie recém-descrita, enquanto outros exemplares poderão revelar características que ajudem a reconhecer novas espécies.

Publicidade
Publicidade

Além de ampliar o conhecimento sobre os dinossauros herbívoros que viveram no Reino Unido, a pesquisa mostra como a revisão de coleções científicas pode modificar a compreensão da diversidade de animais que habitaram a Terra no passado. Um fóssil descoberto em 2001, mas identificado como pertencente a uma nova espécie apenas agora, demonstra que as coleções de museus ainda guardam informações importantes sobre a evolução da vida.

FONTE/CRÉDITOS: Jornal USP
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Esse dinossauro herbívoro viveu durante o Cretáceo Inferior, há mais de 100 milhões de anos, e tinha cerca de 4 metros de comprimento, tamanho comparável ao de um rinoceronte – Ilustração: Guilherme Gehr

Comentários

O autor do comentário é o único responsável pelo conteúdo publicado, inclusive nas esferas civil e penal. Este site não se responsabiliza pelas opiniões de terceiros. Ao comentar, você concorda com os Termos de Uso e Privacidade.
Célio Roberto Velho

Publicado por:

Célio Roberto Velho

Colunista da Folha de Florianópolis. Apaixonado pela natureza, baladas noturnas, parque, praias e piscinas natural, ler um bom livro na hora livre. (...)

Saiba Mais

/Dê sua opinião

De onde você acessa o Portal Folha de Florianópolis? (Where do you access the Folha de Florianópolis Portal from?)

Nossas notícias no celular

Receba as notícias do Folha de Florianópolis no seu app favorito de mensagens.

Whatsapp
Entrar
Folha de Florianópolis (Sua empresa aqui)
Aplicativo do Portal Folha de Florianópolis
Folha de Florianópolis ( sua empresa aqui)

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
WhatsApp Folha de Florianópolis
Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR
📲
Instale nosso aplicativo Tenha acesso rápido às notícias diretamente pelo seu dispositivo.