A censura já começou.
Prepare-se para simplesmente sumir da internet, sem aviso e sem explicação. Se você é de direita, isso deixou de ser exagero e passou a ser uma ameaça real e imediata. O Supremo Tribunal Federal encerrou o julgamento sobre a responsabilidade das plataformas pelo que seus usuários publicam. Rejeitou todos os recursos apresentados pelas empresas e deu sessenta dias de prazo para que elas se adaptem a uma regra que nasceu com um defeito grave.
A partir de agosto, uma rede social poderá ser punida se não apagar imediatamente qualquer publicação rotulada como ato antidemocrático, sem precisar de juiz, sem precisar de processo, sem precisar de nada além da decisão de quem está no poder. E o pior: ninguém, até hoje, teve a responsabilidade de explicar com precisão o que é, na prática, um ato antidemocrático.
Quem acompanha esse cenário sabe exatamente como ele vai terminar. Uma crítica ao Lula, uma crítica mais dura a um ministro do Supremo, e pronto: você é chamado de terrorista, golpista, inimigo das instituições, traidor da pátria. Não é hipótese, já aconteceu repetidas vezes. E, com medo de multa, as próprias plataformas vão fazer esse trabalho sozinhas, programando os algoritmos para apagar tudo o que for considerado incômodo e banir quem for necessário banir.
Isso não é novidade para quem prestou atenção. Durante a pandemia já vivemos isso: até pedir transparência nas eleições foi tratado como algo proibido. Agora fazem de novo, em escala maior. E é uma coincidência muito conveniente que o prazo para começar essa censura seja agosto, exatamente o mês em que a campanha eleitoral abre oficialmente, no dia dezesseis. Ou seja, vamos ser silenciados bem na hora em que o país mais precisa debater o que está em jogo pelos próximos quatro anos.
Chame isso de acaso se conseguir. E não é segredo por que a direita é o alvo principal. A direita domina as redes porque é quem mais fala, mais publica, mais cobra, mais denuncia, mais usa a internet como alternativa a uma imprensa tradicional que há muito escolheu de que lado quer ficar: o lado dos esquerdistas.
Essa audiência incomoda, e incomoda justamente porque não se cala. Toda plataforma com medo de multa vai agir da mesma forma: apagar primeiro, avaliar depois. E o que será apagado primeiro é exatamente o conteúdo mais duro, mais direto, mais insuportável para quem está no poder. No final, quem paga o preço é sempre quem teve coragem de dizer o que precisava ser dito, enquanto quem prefere se calar segue livre para elogiar quem manda.
Criticar não é crime. Fiscalizar o governo não é atentar contra a democracia. Liberdade de expressão não pertence a partido nenhum, não pertence a corte nenhuma, não pertence a governo nenhum. E ninguém vai me convencer do contrário.
Compartilhe este texto enquanto ele ainda estiver disponível, porque amanhã ele pode já não estar. E me diga, sem rodeios: você ainda acha que teremos eleições limpas? Você ainda acredita que vivemos numa democracia?
Folha de Florianópolis
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