Cada pessoa com deficiência tem necessidades diferentes. A primeira coisa a se perguntar é: o que eu poderia fazer para tornar a minha vida melhor? A partir dessa resposta, cada pessoa pode identificar e trilhar o seu próprio caminho na busca por uma vida menos difícil.
Existem diferentes equipamentos, tratamentos e cuidados que podem tornar a vida de quem tem uma deficiência mais fácil e proporcionar mais autonomia. Porém, o acesso a esses recursos não é igual para todos.
O poder aquisitivo pode fazer muita diferença para quem tem uma deficiência. Ter melhores condições financeiras pode proporcionar mais conforto e qualidade de vida.
Mas nem tudo depende das condições financeiras, pois existem direitos que precisam ser conquistados para que a pessoa com deficiência tenha condições de viver melhor. A saúde, a acessibilidade e as condições para ir e vir também fazem parte dessa luta.
Todo direito começa pelo respeito. Sou cadeirante e, durante muito tempo, fui cliente de uma loja próxima à minha casa, que tem uma escada na entrada. Pedi várias vezes que fosse feita uma rampa, pois, por causa disso, eu não podia entrar na loja e era atendida na rua. Nunca fui ouvida e, com o tempo, deixei de frequentar o local.
Na mesma rua, há um restaurante que tem apenas um degrau na entrada, dificultando o meu acesso. A prefeitura não permite a construção de uma rampa fixa na calçada, mas, mesmo assim, o proprietário teve o carinho de mandar fazer uma rampa móvel de madeira, que ele coloca sempre que vou lá.
Quando falamos na luta pelos direitos das pessoas com deficiência, precisamos entender que essa luta não é só delas, é também de toda a sociedade. Muitas vezes, as pessoas só percebem as dificuldades e os obstáculos quando convivem de perto com alguém que tem uma deficiência ou passam por alguma situação junto com ela.
Não é preciso ter uma deficiência para entender que aquilo que dificulta a vida de uma pessoa precisa ser melhorado. Afinal, se vemos uma pessoa com deficiência passando por uma dificuldade que poderia ser evitada, como podemos não nos importar?
Ter direitos garantidos no papel não significa que eles sejam garantidos na prática. As pessoas com deficiência enfrentam obstáculos visíveis a todos, mas é preciso criar leis para melhorar a vida dessas pessoas. E, mesmo assim, muitas vezes essas leis não são cumpridas. Quando isso acontece, a vida da pessoa com deficiência fica muito difícil. Por isso, é preciso lutar para que esses direitos sejam respeitados.
Algumas mudanças podem parecer pequenas para quem olha de fora, mas fazem muita diferença no dia a dia de quem tem uma deficiência. Muitas vezes, quem vive essa necessidade precisa mostrar o que deve ser mudado. Quando percebemos uma necessidade, podemos fazer a nossa parte para ajudar nessa mudança. Uma conquista que melhora a vida de uma pessoa hoje pode fazer diferença para muitas outras amanhã.
E você, o que está fazendo hoje para tornar a vida de uma pessoa com deficiência menos difícil?
*Alexandra Fachini é educadora financeira e defensora dos direitos de pessoas com deficiência. É associada da APOEF. Instagram: @alexandra.fachini | @apoefoficial
Folha de Florianópolis
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