"Senhores passageiros, embarque encerrado." Foram poucas palavras. Mas, naquele instante, elas pareceram enormes.
Eu estava do outro lado do aeroporto de São Paulo tentando entender como aquilo tinha acontecido. Poucos minutos antes, tudo parecia sob controle.
Eu caminhava pelo aeroporto, conhecia lojas, fazia um lanche e aproveitava a experiência da viagem. Afinal, o embarque estava previsto para determinado portão e ainda havia tempo suficiente.
O que eu não sabia era que o portão havia mudado. Mais do que isso: o embarque havia sido encerrado antes do horário que eu acreditava ainda possuir.
Quando descobri a mudança, veio a corrida. Corredores. Escadas. Placas. Números de portões.
Descobri no meio do caminho que o portão que eu procurava sequer estava no mesmo nível do aeroporto em que eu me encontrava. Enquanto corria, um único pensamento ocupava a cabeça: "E agora?"
Quem vê de fora talvez pense que perder uma conexão é apenas um inconveniente. Para quem nunca viveu aquilo, parece algo muito maior.
Como funciona uma remarcação? Vou ficar preso aqui? Quem paga isso? Quanto tempo vou perder? O desconhecido costuma ser muito mais assustador do que o problema em si.
Cheguei ao portão. Tarde demais. Naquele momento, veio a sensação que provavelmente muitos conhecem: aquela mistura de impotência, frustração e ansiedade diante de algo que simplesmente saiu completamente do roteiro.
E agora? Foi então que procurei ajuda. Guichê. Fila. Orientações. Procedimentos. Aos poucos, fui descobrindo algo simples, mas que naquele momento fez toda a diferença: existia um processo. Existiam pessoas preparadas para lidar com aquela situação. Existia um próximo voo.
A situação estava longe de ser agradável, mas deixava de parecer o fim do mundo. Foi naquele instante que percebi algo importante. Minha maior preocupação não era financeira. Era o tempo. Era perder horas preciosas de uma viagem cuidadosamente planejada. Era ver dias da viagem escapando.
Financeiramente, eu estava tranquilo. Se fosse necessário dormir em um hotel, eu conseguiria. Se fosse necessário pagar alimentação extra, eu conseguiria. Se fosse necessário desembolsar algum valor inesperado, eu conseguiria.
O dinheiro não eliminava o problema. Mas eliminava o pânico. Ele comprava alternativas. Comprava possibilidades. Comprava tranquilidade suficiente para tomar boas decisões.
Eu sempre gostei da ideia de natureza. Na conversa, alguém perguntou qual lugar eu sonhava conhecer e imediatamente me veio à cabeça a imagem das Cataratas do Niágara, aquelas mesmas que muitos de nós conhecemos dos desenhos animados da infância.
Mas, pesquisando melhor, outro destino apareceu na conversa: as Cataratas do Iguaçu. Foi amor à primeira vista. Naquela mesma semana surgiu a decisão: "É isso. Nós vamos conhecer as cataratas."
Cheguei em casa, conversei com minha esposa e começamos a transformar um desejo em projeto. Definimos datas. Pesquisamos hotéis. Pesquisamos passagens. Entendemos custos. Organizamos prioridades.
Quando chegou a hora de comprar as passagens, o dinheiro já existia. O cartão de crédito entrou apenas como ferramenta. Prazo. Pontos. Benefícios. Estratégia. Não necessidade.
Talvez essa seja uma das maiores diferenças entre usar o dinheiro e ser usado por ele. A tranquilidade que senti naquele aeroporto não foi construída naquele dia. Ela foi construída ao longo de meses. Talvez até anos.
Na compra impulsiva que não aconteceu. Na decisão de guardar um pouco antes de gastar tudo. Na escolha de proteger o futuro antes que ele apresentasse a conta. Porque a verdade é simples: ninguém constrói segurança durante a emergência. Ela é construída muito antes dela existir.
E talvez esse seja o maior objetivo do planejamento financeiro. Não enriquecer rapidamente. Não acumular números em uma conta. Não viver preocupado com dinheiro o tempo todo. Mas garantir que você continue sendo dono das suas decisões quando a vida sair do roteiro.
Se você leu essa história e pensou: "Eu gostaria de ter essa tranquilidade." Então talvez seja o momento de começar a construir essa proteção. Porque a vida muda. A renda muda. A família muda. Os sonhos mudam. E a proteção precisa acompanhar todas essas mudanças.
Talvez você saiba que precisa começar, mas ainda não tenha clareza sobre quanto guardar, como organizar prioridades, quais riscos proteger ou como transformar renda em tranquilidade. E tudo bem não saber fazer isso sozinho.
Da mesma forma que buscamos especialistas para cuidar da saúde, da parte jurídica ou do patrimônio, também é possível contar com ajuda profissional para construir segurança financeira.
Meu trabalho como planejador financeiro é justamente ajudar pessoas e famílias a transformarem dinheiro em algo muito maior do que números: Tranquilidade. Proteção. Liberdade de escolha. Não apenas nos dias em que tudo dá errado. Mas principalmente para aproveitar melhor todos os dias em que tudo dá certo. Porque os imprevistos não avisam quando chegarão. Mas a tranquilidade pode começar a ser construída hoje.
*Fellipe Filomeno é educador financeiro e planejador financeiro pessoal e familiar, criador do Blog do Filomeno. Atua com organização financeira, comportamento financeiro e planejamento de vida, ajudando pessoas e famílias a transformarem renda em clareza, segurança e construção patrimonial. É associado da APOEF.
Instagram: @blogdofilomeno | @apoefoficial
Folha de Florianópolis
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se