Promover uma reestruturação completa com equilíbrio financeiro, retomada da competitividade esportiva e criação de novas fontes de receita: é com esse objetivo que a Kactus Capital lidera uma proposta sólida para aquisição da SAF do Figueirense Futebol Clube, marcando um novo momento para o clube e reforçando a entrada de capital qualificado e gestão profissional no futebol brasileiro. A operação reúne investimento nacional e internacional, além de nomes com experiência direta dentro e fora de campo.
A proposta surge em um momento crítico da história do clube catarinense, que acumula dívida superior a R$ 240 milhões, queda de receitas (cerca de R$ 30 milhões em 2016 para R$ 12 milhões em 2025) e sucessivos rebaixamentos esportivos, cenário que acendeu o alerta para risco de colapso institucional.
A Kactus Capital, responsável por liderar a operação, com sede em Londres e escritório em Natal (RN), atua há mais de 16 anos na estruturação de investimentos e gestão de fundos no Brasil, com forte presença em operações lastreadas em ativos e antecipação de recebíveis. No futebol, a empresa foi pioneira ao estruturar um fundo regulado voltado à antecipação de receitas de direitos de transmissão no âmbito da Liga Forte União, movimentando mais de R$ 64 milhões em operações já realizadas.
À frente da operação está o executivo Rafael Matheus, responsável pela estruturação financeira e pela governança do projeto. Segundo ele, a proposta foi desenhada com base em fundamentos sólidos e visão de longo prazo.
“Quando as pessoas perguntam quem somos e se temos capacidade para um projeto desse tamanho, a resposta está no que já fizemos. Estruturamos operações relevantes no futebol brasileiro e construímos um fundo com base em receitas sólidas, como direitos de mídia. Isso mostra que temos capital, método e estratégia”, afirmou.
A operação conta ainda com uma parceria internacional por meio da Caspian Enterprises, ligada ao family office do investidor global Dr. Kaveh Alamouti, o que amplia a capacidade de captação e diversificação de recursos.
Pool de investidores e experiência no futebol
Para além da Kactus, o projeto reúne um grupo (pool) de investidores com diferentes perfis e expertise. Entre eles está o ex-jogador Rodriguinho (Rodrigo Eduardo Costa Marinho), ídolo do Corinthians e Bi Campeão Brasileiro pelo Clube e que ainda passou pelo Cruzeiro e a Seleção Brasileira. Rodriguinho teve uma carreira consolidada no futebol profissional e agora passa a atuar como um elo estratégico entre mercado, elenco e gestão esportiva. “Eu vivi o futebol por quase três décadas e hoje posso contribuir de outra forma: ajudando a construir um projeto sério, com planejamento. Minha participação é justamente para aproximar a gestão da realidade do campo, trazendo experiência, leitura de mercado e contribuindo para formar equipes competitivas e sustentáveis”, explica Rodriguinho.
O grupo também carrega a experiência adquirida como investidor tendo uma participação na aquisição de clubes no Brasil e na Europa, e participação em operações envolvendo equipes como Coritiba e Le Mans (França). “Montamos um pool que une conhecimento financeiro, experiência no futebol e visão estratégica. Isso nos permite atuar de forma completa, tanto na reestruturação quanto no desenvolvimento esportivo”, reforça Rafael Matheus.
A Kactus Capital também participou da estruturação de um fundo de crédito em parceria com a Neowise, voltado a operações financeiras no setor esportivo. A primeira operação realizada pelo fundo foi com o Sport Club do Recife, no valor de R$ 19 milhões.
Modelo de negócio e garantias ao clube
A proposta para o Figueirense vai além da aquisição da SAF. O plano prevê um pacote robusto de reestruturação financeira, esportiva e de governança, com compromissos de investimento superiores a R$ 150 milhões ao longo dos próximos anos, além de aportes contínuos na base e no futebol profissional.
Entre os pilares do projeto estão: Equilíbrio financeiro imediato, com reorganização de dívidas e fluxo de caixa; Gestão profissional, com metas claras e auditoria contínua; Investimento em base, com mínimo de R$ 20 milhões ao longo de 10 anos; Fortalecimento do elenco, com folha compatível com metas esportivas por divisão; e Modernização de infraestrutura.
O modelo também garante participação ativa da associação do clube, que manterá representação em conselhos, direito de veto em decisões estratégicas e participação societária, preservando a identidade institucional.
Operação é decisiva
Na avaliação dos investidores, o projeto representa uma virada de chave para o Figueirense, que hoje enfrenta limitações estruturais para competir em alto nível.
“É como dar fôlego imediato e estrutura de longo prazo ao clube. A antecipação de receitas e o investimento estruturado funcionam como um ‘cheque especial inteligente’, que organiza o presente e viabiliza o futuro”, explicou Rafael Matheus.
O plano esportivo inclui metas de acesso, uso intensivo de análise de desempenho, scouting baseado em dados e integração entre base e profissional, práticas já consolidadas em mercados mais maduros.
“Nosso compromisso é construir um projeto sustentável, que devolva competitividade ao clube e gere valor no longo prazo. Estamos falando de uma transformação estruturada, com responsabilidade e visão de futuro”, conclui Rafael Matheus.

Folha de Florianópolis
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