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Quinta-feira, 30 de Abril 2026
LesboCenso: pesquisa mapeia os principais desafios enfrentados por lésbicas no Brasil nas áreas de violência, saúde e educação

Direitos Humanos
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LesboCenso: pesquisa mapeia os principais desafios enfrentados por lésbicas no Brasil nas áreas de violência, saúde e educação

Segunda etapa do levantamento nacional foi realizada com investimento de R$ 250 mil do Ministério das Mulheres em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e organizações da sociedade civil

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O levantamento foi feito a partir de 130 entrevistas online com mulheres lésbicas - cis, trans, travestis e não-binárias - entre 20 e 57 anos, de todos os estados, entre os meses de abril e junho de 2024. O relatório mostrou, com profundidade, as complexidades e especificidades enfrentadas por lésbicas em diferentes esferas da vida, desde o ambiente familiar até as interações sociais mais amplas, além de detalhar os principais problemas no acesso à saúde e à educação.

“Ao dar visibilidade a essas vivências, a pesquisa cumpre um papel fundamental no enfrentamento do apagamento histórico dessas realidades e reafirma que a comunidade LGBTQIA+ é sujeito de direitos, que existe e merece respeito. Ela mostra como as violências físicas, morais, psicológicas e patrimoniais seguem marcando a vida dessa comunidade, atravessadas ainda pelo racismo e pela misoginia, que ampliam desigualdades e discriminações. Esses dados são essenciais para subsidiar a elaboração de políticas públicas que assegurem direitos, dignidade e cidadania, em consonância com o compromisso de transparência do governo do presidente Lula”, destaca a ministra das Mulheres, Márcia Lopes.

Na abordagem sobre violências familiares, os principais pontos tratam de: discriminação; rejeição versus aceitação parcial; importância do suporte familiar; invisibilidade e estigmatização; hipocrisia e aceitação superficial; impacto econômico da rejeição; relacionamentos tensos e consequências emocionais; silêncio e medo; relações intergeracionais e intolerância; vulnerabilidade e apoio externo necessário.

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Já os principais pontos abordados sobre violências em diferentes contextos sociais foram: discriminação em espaços públicos; medo ao demonstrar afeto; invisibilidade dos relacionamentos lésbicos; violência verbal e agressões; cultura de violência legitimada contra lésbicas; assédio sexual; estupro corretivo como violência extrema; interseccionalidade da discriminação; isolamento social como estratégia de proteção; desafios em ambientes de trabalho e educacionais; e violências baseadas em crenças religiosas.

Em relação às violências praticadas por parceiras íntimas, foram destacadas: violências explícitas e sutis; padrões opressivos nas relações; dinâmicas de controle e abuso psicológico; invisibilidade das violências no contexto lésbico; pressões sociais e expectativas heteronormativas; normalização de relacionamentos abusivos; dificuldade de reconhecer abusos; impacto das culturas de opressão; e necessidade de coletivos de apoio.

Atendimento à saúde: A análise dos dados evidenciou falhas significativas nos atendimentos de saúde, desde problemas de acolhimento em exames ginecológicos até barreiras de acesso aos serviços de saúde mental. O relatório da pesquisa aponta que “tais experiências indicam a necessidade urgente de uma formação contínua para profissionais de saúde para mitigar padrões estabelecidos pela cisheteronormatividade que prejudicam a acessibilidade, aceitabilidade e qualidade dos serviços de saúde”.

Educação: A educação foi reiterada como elemento crucial tanto para o questionamento das discriminações quanto como agente para dar visibilidade às narrativas de lésbicas. A análise das experiências nas instituições educacionais destacou, de acordo com o relatório da pesquisa, os obstáculos enfrentados pelas entrevistadas, reiterando a necessidade de um ambiente educativo não (re)produtor de violências, que promova a segurança e o respeito à diversidade sexual e de gênero.

O relatório da pesquisa aponta que “a invisibilidade e as restrições enfrentadas por lésbicas são, muitas vezes, amplificadas pela negligência de entidades públicas e privadas, reforçando a crítica de que a falta de dados públicos robustos é, em parte, responsável pelo vácuo existente no planejamento e implementação de políticas públicas eficazes e inclusivas”.

Sobre o LesboCenso

O I LesboCenso Nacional é uma pesquisa inédita sobre as vivências de lésbicas no Brasil. O levantamento está organizado em três etapas, sendo o primeiro a coleta de dados via formulário disponibilizado em plataforma on-line, cujo relatório está disponível no site https://lesbocenso.com.br/relatorio-primeira-etapa.

A segunda etapa foi realizada pela Liga Brasileira de Lésbicas e Mulheres Bissexuais (LBL), em parceria com a Rede Nacional de Lésbicas e Bissexuais Negras Feministas Autônomas (Candaces), Rede Brasileira de Ativistas e Pesquisadoras Lésbicas e Bissexuais (Rede LésBi Brasil) e Articulação Brasileira de Lésbicas (ABL), com investimento do Ministério das Mulheres, por meio da Secretaria Nacional de Articulação Institucional, Ações Temáticas e Participação Política (Senatp).

A realização da segunda etapa do LesboCenso é uma das demandas levantadas pelo Grupo de Trabalho para Elaboração de Estratégias para o Enfrentamento à Violência Política de Gênero contra Mulheres Lésbicas, Bissexuais, Trans/Travestis, coordenado pelo Ministério das Mulheres. O grupo visa elaborar o mapeamento e diagnóstico da participação política das mulheres LBTs, preparar materiais de conscientização e prevenção à violência política de gênero e desenvolver estratégias para enfrentar a desinformação, fake news e toda a cultura de ódio cometida e propagada na internet contra mulheres LBTs.

Dia da Visibilidade Lésbica

Celebrado em 29 de agosto, o Dia da Visibilidade Lésbica marca a realização, em 1996, do 1º Seminário Nacional de Lésbicas (Senale), em Campinas (SP), organizado por militantes do movimento lésbico brasileiro. A data se tornou um marco político e social para denunciar as violências e a invisibilidade enfrentadas por lésbicas, além de reivindicar direitos, reconhecimento e cidadania.

Célio Roberto Velho

Publicado por:

Célio Roberto Velho

Administrador, Supervisor e Colunista, do Portal Folha de Florianópolis. Imbitubense mora a mais de 27 anos na capital em Florianópolis.

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