O Copom cortou a Selic de 14% para 13,75% ao ano. Um quarto de ponto parece pouco, e é: os cortes têm vindo de 0,25 em 0,25. Mas há poucos meses ela estava em 15%, e depois de cada decisão a pergunta que aparece é sempre a mesma: e agora, o que acontece com o meu dinheiro?
Comecemos pelo que muda de imediato. O CDI anda colado na Selic, cerca de 0,10 ponto abaixo, então cai junto. Isso pesa nos investimentos que pagam uma porcentagem do CDI ou acompanham a Selic: CDB pós fixado, LCI, LCA, Tesouro Selic e muitos fundos de renda fixa. Uma conta simples: R$ 100 mil em um CDB a 100% do CDI, por cerca de um ano, rendem R$ 1.000 a menos antes do imposto para cada ponto percentual que o CDI perde. Depois do IR de 17,5%, são perto de R$ 825 a menos.
Para ter dimensão: com o CDI em torno de 13,65% ao ano, esses R$ 100 mil rendem perto de R$ 11.260 líquidos em um ano. Se a Selic chegar a 12%, patamar que o mercado projeta para o fim de 2027, o CDI ficaria perto de 11,9% e o mesmo CDB renderia perto de R$ 9.800. São cerca de R$ 1.450 por ano a menos, sem o investidor ter feito nada.
Quem já travou uma taxa vive outra situação. Títulos prefixados e Tesouro IPCA+ costumam se valorizar quando os juros caem, e isso aparece no preço antes do vencimento. Já quem aplica agora em renda fixa pós fixada passa a receber uma remuneração menor do que a de alguns meses atrás.
É aí que entra o movimento que muita gente chama de migração. Quando a renda fixa rende menos, quem estava confortável com o retorno começa a olhar para outros lugares. Os fundos imobiliários, que pagam rendimentos todo mês e costumam oscilar menos que as ações, ganham atenção. As ações de empresas sólidas também, por dois motivos: juros menores aliviam as dívidas das companhias, e o lucro que a empresa promete lá na frente vale mais quando a alternativa segura paga menos.
Não são só pessoas físicas. Fundos e gestoras também reavaliam posições, e quando dinheiro grande muda de lugar, o preço dos ativos sente. Por isso a renda variável tende a ganhar força em períodos de queda de juros.
Tende, porém, não quer dizer que vai. Ações e fundos imobiliários também dependem do lucro das empresas, da vacância, da inflação e do que acontece lá fora. Juro em queda ajuda, mas não garante nada, e a renda variável continua oscilando, inclusive para baixo. A renda fixa, por sua vez, segue com o seu papel de dar segurança e liquidez, mesmo pagando menos. E a queda não é um botão: o Banco Central corta conforme a inflação permite e pode pausar. Por isso, montar a carteira em cima do próximo corte é arriscado.
Vale ir um passo além: você saberia explicar, com as suas palavras, por que cada investimento está na sua carteira e o que ele faz quando os juros caem? Se a resposta ainda não veio com clareza, não há problema. É um bom ponto de partida. O assunto gera muita dúvida, e conversar sobre ele costuma ajudar mais do que tentar decifrar tudo sozinho.
Se quiser continuar essa reflexão, acompanhe as minhas páginas, onde eu falo sobre investimentos e explico esses movimentos com calma, ou me chame no Instagram. Será um prazer conversar e tirar as suas dúvidas.
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Folha de Florianópolis
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