A fase de instrução do júri do Caso Gabriel foi finalizada na noite dessa quinta-feira (2/7), após quatro dias de trabalhos envolvendo a oitiva de 17 testemunhas, duas inspeções judiciais no local dos fatos e o interrogatório dos três réus — policiais militares acusados de matar Gabriel Marques Cavalheiro em 12 de agosto de 2022, no município de São Gabriel.
O julgamento é presidido pela Juíza de Direito Liz Grachten e deve terminar na noite de hoje, depois dos debates entre Ministério Público e advogados dos réus. As partes terão cerca de nove horas para apresentar suas teses de acusação e de defesa, respectivamente, ao Conselho de Sentença.
Inspeção no açude
Na manhã dessa quinta (2/7), ocorreu uma nova inspeção judicial na localidade de Lava Pé, região da cidade onde o corpo da vítima foi encontrado. A mesma diligência foi realizada na noite de quarta (1º/7), quando a magistrada conduziu a visita dos jurados a pontos da cidade considerados importantes para eles conseguirem entender a dinâmica dos fatos. A inspeção foi realizada duas vezes para que o Conselho de Sentença pudesse visualizar a área à noite e com a luz do dia. Representantes do MP e advogados dos réus também acompanharam a diligência.
Julgamento
De volta ao Salão do Júri, os trabalhos tiveram sequência com a oitiva das últimas duas testemunhas arroladas pela defesa. O primeiro a depor foi um policial militar que participou das investigações feitas na semana do desaparecimento de Gabriel. Vinculado ao setor de inteligência da Brigada Militar, o policial relatou como ficou sabendo das buscas pelo jovem e de qual forma atuou para chegar a testemunhas e descobrir informações relevantes sobre o paradeiro da vítima. Ele ainda foi questionado sobre os métodos de abordagem e as orientações que recebeu de superiores hierárquicos à época dos fatos. Após, falou a vizinha de um dos réus, que comentou sobre a relação positiva que mantinha com o policial, opinando sobre o caráter, a personalidade e as atitudes dele na comunidade.
Em seguida, iniciaram-se os interrogatórios dos três réus. Ao longo de aproximadamente três horas, os policiais foram questionados individualmente — sem a presença dos demais no mesmo ambiente — a respeito da cronologia dos acontecimentos. Todos negaram ter matado Gabriel e se declararam inocentes perante as acusações de agressões ao jovem. O trio foi questionado sobre a ação de cada um dos acusados naquela noite, as impressões que tiveram da vítima durante a abordagem e, também, a respeito da decisão de levá-lo à localidade de Lava Pé. Os três réus afirmam ter deixado Gabriel no local a pedido do próprio jovem. Segundo eles, a vítima foi deixada viva, em segurança e com boas condições de saúde.
Sala de audiência com várias pessoas sentadas e em pé. Ao centro, uma pessoa está sentada de frente para uma bancada onde integrantes do tribunal trabalham com computadores, documentos e livros. Atrás da bancada aparecem as bandeiras do Brasil e do Rio Grande do Sul.
Caso
Conforme os autos, Gabriel, de 18 anos, foi encontrado morto em um açude na localidade de Lava Pé, em 19 de agosto de 2022. Segundo a denúncia, o jovem foi abordado pelos policiais militares na noite do dia 12 de agosto, em razão do atendimento de uma ocorrência. De acordo com a acusação, a vítima teria sido agredida, colocada em uma viatura policial e, depois, encontrada já sem vida na região do açude. Atuam na acusação os Promotores de Justiça Maria Fernanda Rabelo Ramalho, Eugênio Paes de Amorim e Karine Camargo Teixeira, representando o Ministério Público; a Assistente de Acusação, advogada Rejane Igisk Lopes; e os advogados Maurício Custódio, Ivandro Feijó, Jean Severo, Filipe Trelles e Isaac Mello, na defesa dos acusados.

Folha de Florianópolis
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