O terceiro dia de julgamento do Caso Gabriel, nesta quarta-feira (1º/7), contou com a realização de uma inspeção judicial na localidade de Lava Pé, região do município de São Gabriel onde o corpo da vítima foi localizado em agosto de 2022. A diligência foi conduzida pela Juíza de Direito e Presidente do Júri, Liz Grachten, por volta das 20h. A magistrada autorizou a ida dos jurados ao local, solicitada pelas partes, por considerar que a visualização do ambiente de forma presencial seja essencial para a tomada de decisão do Conselho de Sentença ao final dos trabalhos.
A inspeção foi acompanhada pelo Promotor de Justiça Eugênio Paes Amorim, representando a acusação, e pelo advogado Maurício Custódio, em nome da defesa dos réus.
O julgamento será retomado nesta quinta-feira (2/7), a partir das 9h. O quarto dia de júri deve incluir a oitiva de mais duas testemunhas e uma nova inspeção no local relacionado aos fatos, de forma a considerar a visualização da área também à luz do dia.
Júri
Desde segunda (29/6), 15 testemunhas já foram ouvidas em Plenário no julgamento dos três policiais militares acusados de matar Gabriel Marques Cavalheiro, após uma abordagem feita ao jovem na noite do dia 12 de agosto. Ao longo desta quarta-feira, cinco pessoas foram ouvidas.
Entre as testemunhas, esteve o casal responsável pela propriedade onde Gabriel foi localizado sem vida. Ambos responderam a perguntas do Ministério Público e dos advogados sobre os dias que antecederam e sucederam o desaparecimento do jovem. Os dois ainda prestaram informações sobre possíveis funcionários que trabalharam na propriedade e pessoas que teriam frequentado o local.
.jpeg - 222 KBCinco testemunhas foram ouvidas em Plenário nesta quarta-feiraCréditos: Luiza Meirelles/TJRSEm seguida, falou um homem conhecido de familiares da vítima, que relatou ter dado carona para Gabriel em ocasião diversa à época dos fatos. Foi perguntado à testemunha sobre o que ela sabia a respeito do vínculo do jovem com pessoas da comunidade e da conexão que Gabriel poderia ter com a localidade de Lava Pé.
A próxima testemunha ouvida foi o Tenente da Brigada Militar, integrante do Conselho de Disciplina que apurou administrativamente o caso. Ele detalhou como o processo foi realizado internamente e falou sobre a relação entre o relatório produzido e a decisão da Corregedoria-Geral da BM para excluir ou não os três policiais do quadro do batalhão.
O Major da Brigada Militar que, na época da morte, era o Capitão responsável pela região de São Gabriel, foi a última testemunha a depor. O Major também integrou o grupo que encontrou o corpo de Gabriel dentro do açude e participou da operação para retirá-lo da água. A testemunha respondeu questionamentos do Ministério Público e da defesa dos réus a respeito das diligências feitas enquanto conduzia a investigação e, ainda, sobre como ocorreu a etapa de buscas pela vítima, até encontrá-la sem vida.
Caso
Conforme os autos, Gabriel foi encontrado morto em um açude na localidade de Lava Pé, em 19 de agosto de 2022. Segundo a denúncia, o jovem foi abordado pelos policiais militares na noite do dia 12 de agosto, em razão do atendimento de uma ocorrência. De acordo com a acusação, a vítima teria sido agredida, colocada em uma viatura policial e, depois, encontrada já sem vida na região do açude.

Folha de Florianópolis
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