O procedimento baseia-se na utilização de exemplares do mosquito Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, presente de forma natural em várias espécies de insetos. O microrganismo inibe a transmissão dos vírus causadores da dengue, zika e chikungunya pelo mosquito, neutralizando sua capacidade transmissora. A estratégia é baseada em evidências científicas e integra o conjunto de ações nacionais de enfrentamento às arboviroses, da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA/MS), alinhada às Diretrizes Nacionais para Prevenção e Controle das Arboviroses Urbanas.
O procedimento baseia-se na utilização de exemplares do mosquito Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, presente de forma natural em várias espécies de insetos. O microrganismo inibe a transmissão dos vírus causadores da dengue, zika e chikungunya pelo mosquito, neutralizando sua capacidade transmissora. A estratégia é baseada em evidências científicas e integra o conjunto de ações nacionais de enfrentamento às arboviroses, da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA/MS), alinhada às Diretrizes Nacionais para Prevenção e Controle das Arboviroses Urbanas.
Em Cascavel, a expectativa é beneficiar 215.318 habitantes, que equivale a 57% da população, distribuída em 17 bairros. Ao longo de 26 semanas será realizada a soltura gradual dos mosquitos, operada por agentes de saúde treinados e capacitados, com liberações controladas feitas semanalmente. Estão previstos a utilização de 6.073 Dispositivos de Liberação de Ovos (DLOs) na cidade. As DLOs recebem as cápsulas com ovos e ração que, em contato com a água, dão origem aos insetos diretamente nos pontos de liberação.
No anúncio, realizado em Cascavel (19/10), estiveram presentes o prefeito Renato Silva, o secretário de Saúde, Ali Hassan Haidar, a secretária de Meio Ambiente, Beatriz Bertoglio, a diretora da Vigilância, Rosane Campiol, a gerente da Vigilância em Saúde Ambiental, Clair Wagner, os assessores técnicos da Vice-Presidência de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Daniel Daipert e Jorge Costa, além de Tamila Kleine, coordenadora de Operações da Wolbito do Brasil.
No município de Ponta Grossa, o Método Wolbachia teve início no dia 20, com o início da operação de um núcleo de produção, estrutura destinada ao desenvolvimento dos Wolbitos desde o ovo até a fase adulta.Os Wolbitos já liberados se reproduzem com os mosquitos locais, passando a bactéria para as gerações seguintes e formando, ao longo do tempo, uma população de mosquitos com capacidade reduzida de transmitir arboviroses. Após análises técnicas sobre a concentração e o número de casos na cidade nos últimos meses, foram selecionados mais de 5,3 mil pontos que receberão a soltura de mosquitos nas próximas 26 semanas.
O início das atividades do Método Wolbachia no município foi marcado por um anúncio realizado em frente ao núcleo de produção de Wolbitos, localizado no bairro Jardim Paraíso, e contou com a presença da prefeita Elizabeth Schmidt, da secretária de Saúde, Liliam Brandalise, do diretor de Vigilância em Saúde, Cleber Flores, do vereador Léo Farmacêutico, representando a Câmara Municipal, da médica veterinária do Município, Priscila Ferreira, além do pesquisador da Fiocruz Diogo Chalegre e do gerente de Manufatura da Wolbito do Brasil, Antonio Brandão.
Em Londrina está prevista a soltura gradual, ao longo de 26 semanas, de mais de 1 milhão de Wolbitos para combater a dengue, a zika e a chikungunya. Seis equipes da Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde devem atuar na soltura dos mosquitos. A operação prevê visitas semanais a 3.890 pontos definidos previamente, com o objetivo de ampliar a presença dos insetos com Wolbachia na área urbana, beneficiando diretamente 151.715 pessoas. Ao todo, serão atingidos 47 bairros do município, começando pelos bairros com maior índice de casos de dengue. O município também conta com um núcleo de produção de Wolbitos.
A apresentação técnica do método ficou a cargo de Tamila Klein, coordenadora de Implementação da Wolbito do Brasil, e de Nino Ribas, gerente de Vigilância Ambiental da Secretaria de Saúde de Londrina. O evento contou ainda com a participação do secretário de Saúde do Paraná, César Neves, do pesquisador da Fiocruz Diogo Chalegre, do assessor técnico da Vice-Presidência de Produção e Inovação em Saúde da Fundação, Daniel Daipert, além do secretário municipal de Governo, Leonardo Carneiro, representando o prefeito Tiago Amaral e o prefeito de Cambé, Conrado Scheller. A iniciativa é resultado da parceria entre as respectivas prefeituras, por meio das secretarias estadual e municipais de Saúde, o Ministério da Saúde, a Fiocruz e a Wolbito do Brasil.
Monitoramento
Em cada cidade que implementa o Método Wolbachia o monitoramento é feito por meio de ovitrampas, uma espécie de armadilha que mede o estabelecimento dos mosquitos com Wolbachia no local. Pesquisas de eficácia demonstram que, quanto maior a presença de mosquitos com a bactéria em campo, menores são os números de casos de dengue, zika e chikungunya. Em Niterói (RJ), por exemplo, que tem todo o território coberto pela tecnologia, a redução dos casos de dengue foi de 89%.
A expectativa é de que, ao longo dos meses, a presença da Wolbachia aumente de forma autossustentável. Antes da liberação dos mosquitos, a equipe da Wolbito, em parceria com a Fiocruz e as prefeituras, realiza uma série de ações informativas e educativas em escolas, unidades de saúde, espaços públicos e associações comunitárias. Também são previstas campanhas em rádios e TVs locais, redes sociais, mídias impressas e rodas de conversa com moradores, para garantir que as pessoas compreendam o que é o método, como ele funciona e qual seu impacto. Dessa forma, o município passa a integrar uma estratégia inovadora de saúde pública já aplicada em diferentes cidades do Brasil e do mundo.
A tecnologia é segura, não usa produtos químicos, não altera geneticamente os mosquitos e já tem eficácia comprovada em diversos países. Em cidades como Niterói (RJ), onde o método já foi implementado, houve redução de até 89% nos casos de dengue, além de impactos positivos em zika e chikungunya. A iniciativa é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e aprovada pela Anvisa.
O Método
O Método Wolbachia é conduzido pela Fiocruz, em parceria com o Ministério da Saúde, e operado pela Wolbito do Brasil. Utiliza mosquitos Aedes aegypti com a bacteria Wolbachia, naturalmente presente em mais da metade dos insetos da natureza, e que impede o desenvolvimento dos vírus das arboviroses no organismo do mosquito. Ao se reproduzirem, os mosquitos locais transmitem a bactéria para as próximas gerações, ampliando de forma progressiva e sustentável a presença da Wolbachia no ambiente. Com isso, os mosquitos têm capacidade reduzida de transmitir dengue, zika e chikungunya.
A metodologia é duradoura: estudos científicos demonstram que, mesmo após oito anos das primeiras liberações, os mosquitos mantêm a bactéria Wolbachia de forma estável na população. Atualmente o método está presente em 16 cidades no Brasil, protegendo mais de 8 milhões de pessoas. A expansão da tecnologia já compreende dezenas de outros municípios indicados pelo Ministério da Saúde que se encontram em fase de implementação. No Paraná, além de Cascavel, Ponta Grossa, Cambé e Londrina, que começaram recentemente, Foz do Iguaçu e Curitiba também já realizaram a soltura dos Wolbitos.

Folha de Florianópolis
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